Anthony William Matheus de Oliveira (Campos dos Goytacazes, 18 de abril de 1960), mais conhecido como Anthony Garotinho ou até mesmo Garotinho, é um radialista e político brasileiro, filiado ao Republicanos. ex-deputado estadual do Rio de Janeiro, serviu como o 51.º governador do Rio de Janeiro e foi candidato à presidência da república em 2002.
Garotinho iniciou sua carreira política com dois mandatos como prefeito de Campos, sua cidade natal. Venceu as eleições para governador do estado do Rio em 1998, com o apoio de Leonel Brizola e amparado num programa de fortalecimento dos direitos sociais e de modernização dos serviços públicos. No início do governo, teve maior apoio popular e promoveu a criação das Delegacias Legais e investimentos em CIEPs. Com o tempo, no entanto, Garotinho baseou-se, cada vez mais, no populismo, oferecendo serviços subsidiados, como refeições, medicamentos e hospedagem, a preços simbólicos; e na imagem de líder religioso, entre os evangélicos pentecostais, para obter apoio político.
Em 2002, foi o terceiro colocado nas eleições presidenciais, com bom desempenho atribuído à votação dos evangélicos em todo o país. Após deixar o comando do governo estadual, assumiria a Secretaria de Segurança na gestão de sua esposa, Rosinha Garotinho. O casal viu seus índices de popularidade caírem no estado, ao mesmo tempo em que se acumularam denúncias de crimes comuns e eleitorais contra eles. Deixaram o governo sem grande progresso no combate ao crime organizado, tendo a imagem afetada por acusações de conivência com a corrupção policial e pela prisão do chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins. Garotinho foi eleito em 2010 a deputado federal pelo Partido da República do Rio de Janeiro.
Começou sua carreira no rádio em Campos dos Goytacazes, no norte do estado Rio de Janeiro. Trabalhou na Rádio Nacional e na Rádio Tupi AM. Ganhou o apelido de "Garotinho" como radialista ao narrar, com apenas quinze anos de idade, preliminares de jogos de futebol na Rádio Cultura de Campos, imitando o radialista José Carlos Araújo, o "Garotinho", da Rádio Globo do Rio de Janeiro. Ao entrar no ar, o locutor apresentava-o desta maneira: "Agora, com vocês, o garotinho Anthony Matheus". O apelido pegou, mas rendeu a ele processo na Justiça movido por José Carlos Araújo, que havia se consagrado com aquele apelido a ponto de registrá-lo como sua marca.
Após ingressar na política, Garotinho continuou a trabalhar no rádio, com destaque para as inserções na Rádio Melodia, de cunho político e religioso.
Super Rádio Tupi 1993-1995, 1999-2002, 2017-2019 e 2020-presente
Ingressou na política, inicialmente no PCB e, em seguida, como filiado ao PT, mas logo transferiu-se para o PDT em 1983. No PDT, ele atuaria na Juventude Socialista, sendo eleito Coordenador Nacional no V Congresso Nacional da JS, realizado em Brasília no dia 23 de junho de 1989. Garotinho ainda atuaria no PDT até 2000, quando se filiaria ao PSB. Como radialista, em Campos dos Goytacazes, adquiriu fama por um programa assistencialista.
Foi prefeito de Campos, cidade do interior fluminense, por duas vezes: 1989–1992 e 1997–1998 (abandonou o cargo em 1998 para se candidatar a governador). Na ocasião, a recém-descoberta riqueza petrolífera da Bacia de Campos e o apoio político de Leonel Brizola, de quem foi Secretário de Estado de Agricultura, lhe alavancaram a carreira política.
Em 1994, concorreu ao governo estadual do Rio de Janeiro, sendo o segundo candidato mais votado (o eleito, na ocasião, foi o ex-prefeito da capital Marcello Alencar). Quatro anos depois, concorreu novamente e, com uma ampla coalizão de partidos de esquerda (incluindo PDT, PT, PSB e PCdoB), foi eleito, derrotando no segundo turno, Cesar Maia.
Em seu governo, diversos programas sociais foram instituídos destinados a atender a população de baixa renda. Dos principais programas, destacam-se:
Restaurante Popular - Era um programa de segurança alimentar destinado a servir refeições de alta qualidade a preços acessíveis. Atualmente, somente alguns restaurantes, geridos por prefeituras municipais, abrem de segunda a sexta para oferecerem café da manhã e almoço a preços baixos.
Cheque Cidadão - Foi um programa de transferência de renda que tinha a finalidade de complementar a renda de famílias que comprovassem renda igual ou inferior a um terço do salário mínimo. Foi extinto em 2007 pelo governador Sérgio Cabral, sendo substituído pelo Bolsa Família, um programa similar do Governo Federal.
Segundo o jornalista Jânio de Freitas da Folha de S.Paulo, no dia 3 de abril de 2005, não houve na história dos governos do Rio de Janeiro quem tivesse mais investido recursos em segurança que os governos Garotinho e Rosinha.
Propôs à Assembleia Legislativa lei que criava a autonomia de gestão das verbas do Poder Judiciário, iniciativa inédita no Brasil e que mereceu reconhecimento público do presidente do Tribunal e Desembargador Miguel Pachá em matéria na Isto É, em 11 de janeiro de 2003.
Também foi reconhecido pelo projeto "Delegacia Legal", indicado pela ONU para o prêmio em Dubai de Boas Práticas e elogiado pelo Assessor da ONU para direitos humanos, Nigel Rodley, em 2001, como um modelo a ser imitado, No seu governo foi inaugurada a estação Siqueira Campos da Linha 1 do Metrô do Rio de Janeiro, e no de sua esposa Rosinha a estação de Cantagalo.
Foi na gestão de Anthony Garotinho que se viu no transporte público a entrada em massa do serviço de vans e Kombis de lotação, inclusive foi o primeiro governo no país a determinar um regramento sobre o transporte alternativo, apesar de enfrentar resistência dos empresários de transporte de ônibus e inclusive de ser questionada a legalidade deste decreto em face ao Código de Trânsito Brasileiro, que não previa a entrada destes veículos como transporte de passageiros.
Também ocorreu em sua gestão a polêmica redução tarifária das passagens dos ônibus fluminenses, sem que fosse mexida a carga fiscal que vinha em decorrência da tarifa. Muitas operadoras de transporte tiveram problemas operacionais, tendo inclusive a vida de utilização de seus carros elevada e até falindo empresas de ônibus neste período.
Deixou o PDT em novembro de 2000, por divergências com Brizola "principalmente sobre as eleições municipais daquele ano", passando para o PSB. Por este partido, concorreu à presidência da República em 2002 e lançou a candidatura de sua esposa Rosinha Garotinho à própria sucessão, no mesmo ano. Perdeu a presidência (sendo o terceiro mais votado, com quinze milhões de votos), mas Rosinha foi eleita no primeiro turno.