Aretha Louise Franklin (Memphis, 25 de março de 1942 – Detroit, 16 de agosto de 2018) foi uma cantora e compositora norte-americana de gospel, R&B e soul que se tornou ícone da música negra. Foi considerada a "maior cantora de todos os tempos" pela revista Rolling Stone, e pela mesma revista, a nona maior artista da música de todos os tempos. Sua voz foi declarada oficialmente “um recurso natural” pelo estado de Michigan.
Nascida em Memphis, criada em Detroit, Michigan, a cantora recebeu os apelidos de "Rainha do Soul" ou "Dama do Soul". Reconhecida por suas habilidades na música soul e R&B, também é uma adepta de jazz, rock, blues, pop e até mesmo ópera. Durante o final da década de 60 e na década de 70, pela Atlantic Records, gravou álbuns que entraram para história da música mundial, como I Never Loved a Man the Way I Love You, Lady Soul, Young, Gifted and Black, Sparkle e o álbum gospel Amazing Grace. Já na década de 80, após um período de baixas em sua carreira, participou do filme The Blues Brothers (1980), e gravou clássicos como "Jump to It" e "Who's Zoomin' Who?".
Nos anos posteriores, recebeu grande mídia e aclamação internacional ao executar performances como a ária "Nessun Dorma" na cerimônia do Grammy Awards, onde substituiu o tenor Luciano Pavarotti que, por motivos de saúde, cancelou seu número minutos antes da apresentação, e também pela homenagem a cantora e compositora Carole King no Kennedy Center Honors, onde foi ovacionada de pé pelos presentes pela sua redenção de "(You Make Me Feel Like) a Natural Woman". Ela é geralmente reconhecida como uma das melhores vocalistas da história da música por publicações de porte, como da revista Rolling Stone e do canal de televisão VH1. É também uma das cantoras que mais ganharam prêmios Grammy na história da industria, tendo recebido vinte e um prêmios, dezoito competitivos e três honorários.
Apesar de todo o sucesso, Franklin teve apenas dois singles que foram para o primeiro lugar na Hot 100, segundo a revista Billboard: "Respect", na década de 1960 – sua canção mais conceituada – e "I Knew You Were Waiting (For Me)", um dueto com George Michael. No entanto, vários singles dela já apareceram entre os vinte mais vendidos na mesma tabela musical; como exemplos, pode-se citar "Think", "I Say A Little Prayer", "(You Make Me Feel Like) a Natural Woman", "Until You Come Back to Me (That's What I'm Gonna Do)", "Chain of Fools", "(Sweet, Sweet Baby) Since You've Been Gone", "Call Me", "Ain't No Way", "Don't Play That Song", "Freeway of Love", entre outros.
Franklin também foi agraciada com inúmeras honrarias ao longo de sua carreira. É detentora da Medalha Nacional das Artes e também da Medalha Presidencial da Liberdade, a maior condecoração para um cívil norte-americano. Em 1987, tornou-se a primeira artista feminina a ser introduzida no Hall da Fama do Rock and Roll, e em 2019, de maneira póstuma, foi a primeira mulher a receber individualmente o Prêmio Pulitzer na categoria Citação Especial, "por sua contribuição para a música e para a cultura americana por mais de cinco décadas". É também uma das artistas recordistas de vendas, alcançando a marca de 75 milhões de discos vendidos em todo o mundo.
Nascida em Memphis (1942), filha de Barbara Siggers e Clarence LaVaughn Franklin, um pregador itinerante de Igreja Batista, Aretha Louise Franklin se mudou para Buffalo, Nova York, aos dois anos de idade e aos quatro foi com sua família para Detroit. É em Detroit que seu pai constrói sua própria congregação, a New Bethel Baptist Church.
Ainda aos dez anos, Aretha começa a cantar na igreja de seu pai, que se torna bastante conhecido em Detroit a ponto de ser chamado de “a voz de um milhão de dólares” e receber constantemente “celebridades” em sua casa. Nomes do gospel como Mahalia Jackson, Dinah Washington, James Cleverland, além de nomes do soul como Sam Cooke e Jackie Wilson, passam a frequentar a casa de seu pai, C.L. Franklin, e se tornam desde cedo grandes influências para a jovem Aretha.
É com o apoio de seu pai que Aretha dá seus primeiros passos dentro da indústria musical. Em 1956, a cantora grava seu primeiro álbum, o gospel Songs of Faith, lançado quando ela tinha apenas 14 anos. Mais tarde, decidida a ingressar na música secular, Aretha vai para Nova York onde grava uma demo com duas canções, a qual foi distribuída para várias gravadoras da cidade.
Não demorou muito para a jovem cantora chamar a atenção de boas gravadoras, como a Motown Records, especializada em música negra, e que logo se dispôs a assinar com ela. Entretanto, Aretha optou por assinar contrato com a Columbia Records, em 1961, onde ela passaria a trabalhar com o renomado produtor John Hammond, responsável por grandes nomes do jazz como Billie Holliday, Count Basie.
1961–1966: Carreira musical, Era Columbia
Em janeiro de 1961, a Columbia lançou o primeiro álbum de Aretha dedicado à música secular: Aretha (With The Ray Bryant Combo). O disco apresentou seu primeiro single nas paradas da Billboard Hot 100, " Won't Be Long ", que também alcançou a 7ª posição na parada de R&B.
Sob a tutela do lendário produtor da Columbia, John Hammond, entre 1961 e 1966, Aretha lança nove álbuns pelo selo. Entretanto, nenhum deles obteve o êxito esperado. John enxergava Aretha como uma próxima Billie Holliday, o que o levou a ignorar o talento da jovem para o R&B e o Soul e empurrá-la a incorporar mais dos estilos jazz, doo-wop e blues em suas canções. Ainda assim, Aretha conseguiu emplacar alguns hits modestos nas paradas musicais da época. São desse período: “Today I Sing The Blues”, “Cry Like a Baby”, “Sweet Bitter Love” e “Rock-a-bye Your Baby with a Dixie Melody”, tendo esta última, inclusive, alcançado um lugar entre as 40 músicas mais tocadas do momento. Ainda na tentativa de alcançar o sucesso, Aretha chegou a regravar algumas canções de cantoras contemporâneas que eram sensações na época, como Walk On By (Dionne Warwick), “You’ll Lose A Good Thing” (Barbara Lynn), People (Barbra Streisand), além de tentar regravações de clássicos do jazz e do blues como “Misty” e "I’d Rather Drink Muddy Water", entre outras. Pela Columbia Aretha também gravaria um álbum tributo à cantora Dinah Washington, falecida em 1963, e uma das grandes influências em sua carreira.
Ainda na década de 60, durante uma apresentação no Regal Theatre em Chicago, Pervis Spann, apresentador da rádio WVON, impressionado com as habilidades vocais da cantora, anunciou diante do público presente que Franklin deveria ser coroada como "A Rainha do Soul". Durante o episódio, que se tornaria lendário na história musical norte-americana, Aretha chegou, inclusive, a ser coroada simbolicamente com uma tiara de brilhantes arranjada durante o evento. O título de "Rainha do Soul" retumbaria por toda a carreira de Aretha, e ela o manteve até sua morte.
1967–1974: A era de ouro da "Rainha do Soul" e sucesso comercial
Em janeiro de 1967, após decidir não renovar contrato com a Columbia depois de seis anos sem o retorno esperado, Franklin migrou para a Atlantic Records. No mesmo mês, viajou para Muscle Shoals, no Alabama onde gravaria a canção I Never Loved a Man the Way I Love You acompanhada dos famosos músicos da Muscle Shoals Rhythm Section e sob a produção de Jerry Wexler, um dos sócios da gravadora e produtor de nomes consagrados tais como Ray Charles e Wilson Pickett.
Os bastidores da única sessão de gravação em Muscle Shoals, ficaram marcados não apenas pela sintonia dos músicos, mas também pelas desavenças trocadas entre o então marido de Aretha, Ted White, e um dos membros da secção de sopros, estendendo-se, mais tarde, em um briga corpo-a-corpo, além de trocas de injúrias raciais entre Ted e o proprietário do estúdio musical, Rick Hall. A cantora e seu marido voltaram para Detroit na manhã seguinte com o projeto musical em Muscle Shoals basicamente cancelado. Wexler, porém, recusou-se a desistir do empreendimento e teve a ideia de colocar toda a banda rítmica em um avião para Nova York, a fim de retomarem as gravações com Aretha. Lá, em meados de fevereiro, no próprio estúdio da Atlantic, na Broadway, a equipe concluiu a sessão do que se tornaria o primeiro single do álbum de Franklin para a gravadora.