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Armada Imperial Brasileira

A Armada Imperial, também chamada de Marinha Imperial, foi a Marinha de Guerra do Império do Brasil (1822–1889). Neste p

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A Armada Imperial, também chamada de Marinha Imperial, foi a Marinha de Guerra do Império do Brasil (1822–1889). Neste período o litoral e os rios foram os principais eixos de conexão interna e campanhas militares do país, com a Marinha ocupando uma relevância política que não teria na subsequente República. Formada a partir da seção da Marinha Portuguesa estabelecida no território antes da Independência, compunha-se de um oficialato aristocrático e marinheiros subalternos, com grande influência da Marinha Real britânica.

Após combater os portugueses na Guerra de Independência e suprimir várias revoltas internas, as campanhas voltaram-se aos países vizinhos na bacia do Prata, culminando na Guerra do Paraguai (1864–1870), cujas batalhas fluviais são os pontos altos do histórico de combate naval brasileiro. A Armada transportava e mantinha abastecido o Exército e desgastava as armadas oponentes. O apogeu da Armada foi no Segundo Reinado (1841–1889). Arsenais nacionais construíam navios a vapor e flotilhas fluviais operavam no Amazonas e Mato Grosso.

Em 1870 a esquadra brasileira era a quinta maior no mundo, embora constituída em sua maioria de navios defasados de madeira, apropriados basicamente à guerra fluvial. Dali em diante o Império não teve mais conflitos externos e prestou menor atenção à Armada. Em um país não industrializado como o Brasil, não era mais possível à construção naval acompanhar os avanços tecnológicos. Ao final dos anos 1880 a frota ainda era considerável, mas começava a ser ultrapassada na América do Sul. Militares insatisfeitos proclamaram a República em 1889, num processo no qual a participação da Armada foi secundária.

A origem da Marinha do Brasil remonta à seção da Marinha Portuguesa presente no Brasil desde o período colonial. A conquista do que viria a ser o Brasil começou pelo litoral. A primeira participação de seus habitantes na defesa naval foi em 1567, quando embarcações indígenas reforçaram a esquadra do português Mem de Sá na expulsão dos franceses da Baía de Guanabara. E o primeiro brasileiro a comandar uma força naval foi o militar e administrador colonial pernambucano Jerônimo de Albuquerque, em 1614, herói da conquista do Maranhão no contexto da França Equinocial. Ao longo de três séculos, entre a descoberta do Brasil e o início do século XIX, Portugal travou diversas batalhas pela posse e controle das águas brasileiras; à medida que os séculos passavam, cada vez mais brasileiros participavam e faziam parte das forças navais empreendidas na costa brasileira. O Brasil colonial foi também local de construção de embarcações, como o galeão Padre Eterno, construído no século XVII na Ilha do Governador, que aquando da conclusão da sua construção era um dos maiores navios do mundo.

A transferência da sede do Reino de Portugal para o Brasil, em 1808, fez com que a Marinha Portuguesa se instalasse no Rio de Janeiro com uma parte importante da sua estrutura, pessoal e navios. As invasões napoleônicas de Portugal forçaram a Família Real a procurar refúgio no Brasil. Esta transferência foi feita por um comboio de trinta navios, que transportaram quinze mil militares e civis. Com ela, chegou ao Brasil o Ministério dos Negócios da Marinha e Ultramar, e foram criados ou estabelecidos diversos componentes necessários ao funcionamento da Marinha. A nacionalização desta parcela da Marinha Portuguesa daria origem à sua equivalente brasileira, tal como ocorrido com outras instituições brasileiras herdadas de Portugal.

A 7 de setembro de 1822, Dom Pedro declarava a independência do Brasil. A Armada Nacional, como era chamada a Marinha de Guerra brasileira durante o regime monárquico, nasceu formada quase que em sua totalidade por embarcações, pessoal, organizações e doutrinas provenientes da transmigração de 1808. Também foram aproveitados vários órgãos criados por João VI de Portugal, tais como a Secretaria da Marinha, o Quartel-General, a Intendência e Contadoria, o Arsenal de Marinha, a Academia Real dos Guardas-Marinhas, o Hospital, a Auditoria, o Conselho Supremo Militar, a Fábrica de Pólvora, os Cortes de Madeira e outros. Como primeiro Ministro da Marinha, foi nomeado um brasileiro nato, o capitão de mar e guerra Luís da Cunha Moreira (futuro visconde de Cabo Frio), em 28 de outubro de 1822. De Portugal foram herdados inclusive os defeitos: uma organização antiquada e burocrática, que tolhia a iniciativa dos comandantes, o que as primeiras administrações conseguiram apenas atenuar.

A primeira missão era enfrentar os portugueses na Guerra de Independência. Na falta de militares experientes que tivessem nascido no Brasil, a comissão composta por Luís Cunha Moreira e vários oficiais buscou contatar os militares portugueses servindo no Brasil para que se unissem ao recém-criado Império brasileiro. Centenas aceitaram, e os que recusaram receberam, em conjunto com as suas famílias, transporte para retornarem a Portugal. Contudo, temerosos das possíveis consequências de enviar para combate navios tripulados em sua maior parte por portugueses contra as forças lusitanas, a comissão recrutou diversos mercenários, indígenas e escravos. Para comandar a Armada brasileira foi escolhido o experiente Lorde Thomas Alexander Cochrane, britânico de nascimento, que recebeu o cargo de Primeiro-Almirante. A doutrina, práticas e tradição seriam fortemente influenciadas pela Marinha Real britânica no século que se sucederia.

A frota era inicialmente composta por apenas uma nau, quatro fragatas, duas corvetas, cinco brigues, seis escunas e vinte pequenas embarcações, num total de trinta e oito navios de guerra. O Ministro da Fazenda Martim Francisco Ribeiro de Andrada criou uma subscrição nacional para reunir fundos e assim reequipar a frota, e de todo o Brasil foram enviadas contribuições. Até mesmo o imperador Pedro I adquiriu às próprias expensas um brigue mercante que foi renomeado Caboclo e doado ao Estado. O Arsenal de Marinha da Corte e outros arsenais atendiam parte das suas necessidades, mas faltavam recursos financeiros para a logística e o nível tecnológico era inferior ao da Europa e Estados Unidos. Ainda assim, em pouco tempo já se conseguia lançar expedições na Guerra da Independência. Em 1825 já havia noventa e seis navios de guerra modernos, de diferentes tipos, com cerca de 690 canhões. Ao abdicar em 1831, Dom Pedro I deixou uma Armada composta por duas naus, dez fragatas, vinte corvetas, dezessete brigues-escunas, duas canhoneiras, doze bombardeiras, três barcas a vapor, catorze transportes e várias lanchas de grande porte, num total de pelo menos oitenta navios de guerra.

Em 1840, quando o Imperador Dom Pedro II assumiu suas prerrogativas, a Armada detinha noventa navios de guerra: seis fragatas, sete corvetas, dois brigues-barcas, seis brigues, oito brigues-escunas, dezesseis canhoneiras, doze escunas, sete patachos, seis barcas a vapor, oito lanchões artilhados, três charruas, dois lugres, dois cúteres e cinco lanchões armados.

O longo reinado de cinquenta e oito anos de Dom Pedro II representaria o crescimento e apogeu da Armada Imperial. A Marinha da Independência e da Guerra da Cisplatina, constituída por um elevado número de navios de grande porte, foi sendo transformada numa Marinha de unidades menores, mais indicadas para enfrentar as conflagrações nas províncias e ajustadas às limitações orçamentárias de então. Neste período, foi adotada definitivamente a navegação a vapor e substituídos os antigos canhões de alma lisa por novos, de alma raiada. Navios de guerra foram construídos nos Arsenais de Marinha no Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Santos, Niterói e Pelotas. Nos anos 1860 havia quarenta navios a vapor com mais de 250 canhões.

Na Guerra do Paraguai (1864–1870), foram acrescidos à força naval onze navios encouraçados e seis monitores encouraçados:

A corveta Brasil, encomendado da França.

Três construídos no Arsenal da Corte: Barroso, Tamandaré, Rio de Janeiro.

Cinco comprados praticamente prontos por serem anteriormente encomendados pelo Paraguai: Lima Barros, Maris e Barros, Herval, Bahia e Silvado.

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