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Artemisia Gentileschi

Pintora barroca italiana

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Artemisia Gentileschi (Roma, 8 de julho de 1593 – Nápoles, 1656) foi uma pintora barroca italiana, considerada hoje uma das mais bem-sucedidas pintoras de sua época. Sendo incentivada desde sua infância na pintura, por seu pai Orazio Gentileschi, que era um famoso pintor natural da cidade de Pisa, ela se tornou a primeira mulher a ser membro da academia de pintura de Florença. Muitos de seus temas são de personagens femininas que aparecem em diversas passagens da Bíblia, porém sua fama como pintora se iniciou com a pintura de retratos. Quando seu pai foi convidado para pintar na corte do rei Carlos I da Inglaterra, Artemisia o acompanhou, e nesta época ela foi convidada para pintar vários retratos de nobres da corte inglesa. Entre seus quadros mais conhecidos estão Judite Decapitando Holofernes e Susana e os anciãos. Sua arte já foi ofuscada pelo rapto e estupro que sofreu, mas o que resplandece ao mundo na atualidade é seu enorme talento.

Nascida Artemisia Gentileschi-Lomi, em 8 de julho de 1593, em Roma, seu certificado de batismo no Archivio di Stato indicada que ela teria nascido em 1590, filha mais velha do pintor toscano Orazio Gentileschi e de Prudentia Montone. Artemisia foi introduzida à pintura no estúdio de seu pai, mostrando ter muito mais talento que seus irmãos, que trabalhavam junto dela. Ela logo aprendeu a desenhar, a misturar as cores e em seguida a pintar, inspirada pelo estilo do pai, bastante centrado no de Caravaggio. No entanto, a forma como Artemisia trabalhava os temas era diferente de seu pai. Seus quadros eram extremamente naturais, enquanto seu pai idealizava o que retratava. Ao mesmo tempo, Artemisia resistia se submeter, tanto em atitude quanto psicologicamente ao estilo idealizador da pintura. Foi assim que seus trabalhos passaram a ganhar admiradores e reconhecimento.

Com apenas 17 anos, produziu Susana e os Anciões. Devido ao hábito da época de ser comum que uma tela feita em parceria fosse atribuída ao pintor mais conhecido, muitos acreditaram que ela tivera ajuda do pai para conceber a obra, o que demonstra como Artemisia absorveu o realismo de Caravaggio, sem descartar a linguagem da Escola de Bolonha, que teve Annibale Carracci entre seus proeminentes artistas. É uma das pinturas sobre o tema de Susana mostrando a abordagem sexual dos dois anciãos como um evento traumático.

Em 1611, seu pai trabalhava com Agostino Tassi para decorar os cofres do Casino delle Muse, dentro do Palazzo Pallavicini-Rospigliosi, em Roma. Tassi o contratou para ensinar Artemisia em particular e enquanto lhe dava aulas, a violentou, com Cosimo Quorli como cúmplice. Artemisia precisou continuar a ter um relacionamento com Tassi, na esperança de que um casamento com ele viesse a restaurar sua reputação diante da sociedade, mas ele voltou atrás com a promessa de se casar com ela. Nove meses após o suposto estupro, quando soube que Tassi não se casaria com Artemisia, Orazio prestou queixa contra ele. Orazio também alegou que Tassi roubou o quadro Judite decapitando Holofernes de sua propriedade. O principal assunto no julgamento estava relacionado com a virgindade de Artemisia. Se ela não fosse virgem antes do estupro, sua família não tinha direito a prestar queixa. Durante os sete meses de julgamento, Tassi foi acusado de planejar o assassinato de sua esposa (o que não foi provado) e de ter um envolvimento extraconjugal com a sua cunhada, algo que na época era considerado crime de incesto devido ao parentesco dela com a ex-esposa de Tassi, além de ser acusado de planejar roubar alguns dos quadros de Orazio.

Artemisia passou por um exame ginecológico, feito por duas médicas obstetrícias experientes, e pela provação das Sibilas durante o julgamento, para atestar a veracidade de seu testemunho. No fim, Tassi foi condenado ao exílio de Roma por cinco anos(ou trabalho forçado como alternativa). Tassi não cumpriu a pena, que também não foi "forçada". Alguns críticos apontam que o que Artemisia passou no julgamento no julgamento, inspirou a visão "feminista" em algumas das suas obras, enquanto outros defendem que Artemisia não pode ter suas obras e criatividade reduzidas a um evento traumático, pontuando que sua arte vai muito além de uma reação ao abuso sexual.

Tendo perdido a mãe com apenas 12 anos, Artemisia vivia cercada pela presença masculina dos pais e dos irmãos. Aos 17 anos, Orazio alugou o apartamento em cima de sua casa para uma mulher chamada Tuzia, de quem Artemisia logo ficou amiga. Porém Tuzia permitiu que Agostino Tassi e Cosimo Quorlis acompanhassem Artemisia em diversas ocasiões. Quando o estupro aconteceu, Artemisia gritou a Tuzia por socorro, que ignorou os gritos e depois fingiu que nada havia acontecido. O quadro Mãe e a criança, hoje na Galeria Spada, em Roma, é dessa época.

Um mês após o julgamento, Orazio arranjou um casamento para a filha com Pierantonio Stiattesi, um artista pouco conhecido de Florença e pouco após sua mudança para a cidade, ela recebeu uma encomenda da Casa Buonarroti. Artemisia se tornou uma pintora conhecida na corte, com patronos como a Casa dos Médici e Carlos I de Inglaterra. Em Florença, Artemisia e Pierantonio tiveram uma filha, Prudentia, em 1618. Acredita-se que Prudentia tenha seguido os passos da mãe, mas nenhum trabalho seu é conhecido.

Artemisia experimentou um momento de grande sucesso enquanto morava em Florença. Foi a primeira mulher aceita na Academia de Belas Artes de Florença. Tinha bom relacionamento com os grandes artistas da época, como Cristofano Allori, ganhando o respeito e favores de muita gente influente da sociedade, como Cosme II de Médici, grão-duque da Toscana e a grã-duquesa Cristina de Lorena. Artemisia também tinha contato com Galileo Galilei, como sugere uma carta para o cientista em 1635. Era também muito admirada pelo sobrinho de Michelangelo, pois ele a convidou para contribuir com a pintura do teto da Casa Buonarroti, cujo trabalho era grande e extenso.

Em 2011 foram descobertas 36 cartas, datando de 1616 a 1620, que dá uma nova perspectiva sobre a vida pessoal e financeira de Artemisia em Florença. Uma das surpresas foi a revelação de seu caso com um nobre chamado Francesco Maria Maringhi e o fato de que seu marido não tinha problemas com o relacionamento extraconjugal. Seu marido provavelmente tolerava o relacionamento por saber que o apoio de Francesco era necessário para o sustento da família. No entanto, em 1620, rumores do caso amoroso começaram a se espalhar pela corte e, aliado aos problemas financeiros e legais da família, Artemisia foi obrigada a retornar a Roma, em 1621, sem o marido.

Período napolitano e inglês (1630–1654)

Em 1630, Artemisia se mudou para Nápoles, cidade conhecida pelos admiradores da arte por suas oficinas, na tentativa de encontrar oportunidades de trabalho mais lucrativas. Vários artistas como Caravaggio, Annibale Carracci e Simon Vouet viveram na cidade por algum momento. Na época, Jusepe de Ribera, Massimo Stanzione e Domenichino trabalhavam em Nápoles, e depois Giovanni Lanfranco e muitos outros começaram a chegar. A estreia de Artemisia na comunidade napolitana de arte se deu com seu quadro Anunciação. Ela permaneceu em Nápoles até o fim da carreira, com exceção de algumas viagens à Inglaterra, Artemisia, porém, não apenas pintava em Nápoles, lá ela montou e dirigiu sua própria oficina com êxito, algo inédito para uma artista mulher na Itália da época. Sua filha trabalhava como sua assistente.

Nápoles se tornaria sua segunda casa e foi lá que sua filha se casou. Em um sábado, 18 de março de 1634, um viajante chamado Bullen Reymes registrou em seu diário uma visita à Artemisia e sua filha com um grupo de amigos ingleses. Artemisia recebeu cartas de diversos nobres e patronos pela Europa, tendo bons relacionamentos com vários artistas de renome.

Em 1638, ela se juntou ao pai na corte do rei Carlos I, em Londres, onde Orazio tornara-se pintor oficial e recebeu um importante trabalho de decoração do teto da Casa da Rainha, Henriqueta Maria de França, em Greenwich. Pai e filha, então, trabalharam juntos mais uma vez, mas o convite de seu pai não era o único motivo para Artemisia estar em Londres. O rei a convidou para sua corte e esse não era um pedido a se recusar. Carlos I era um grande e aficionado colecionador de arte, dilapidando os cofres do reino para aumentar sua coleção. A fama de Artemisia, provavelmente, o intrigou e um de seus principais quadros era um autorretrato de Artemisia chamado Autorretrato como Alegoria da Pintura.

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