Asma é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas. Quando as vias aéreas inflamadas são expostas a vários estímulos ou fatores desencadeantes tornam-se hiper-reativas e obstruídas, limitando o fluxo de ar através de broncoconstrição, produção de muco e aumento da inflamação. Entre os sintomas mais comuns estão a pieira recorrente, tosse com agravamento noturno, sensação de aperto no peito e dificuldade respiratória recorrente. Pensa-se que a asma tenha origem numa conjugação de fatores genéticos e ambientais. Entre os fatores desencadeantes mais comuns estão os alergénios, como ácaros domésticos, baratas, pólen, pêlo de animais e fungos, e diversos fatores ambientais, como o fumo de tabaco ativo e passivo, a poluição do ar, irritantes químicos, exercício físico e determinados fármacos como a aspirina.
A asma pode ser difícil de diagnosticar. Alguns dos sintomas de asma, como a dispneia aguda, o aperto torácico e a pieira, podem ser provocados por outras doenças. O diagnóstico é geralmente realizado com base no padrão dos sintomas, na comprovação da reversibilidade dos sintomas com broncodilatadores e nos resultados de exames de espirometria. A classificação clínica é feita de acordo com a frequência dos sintomas, do volume expiratório máximo no primeiro segundo e do débito expiratório máximo. A asma pode ser classificada como ligeira, moderada ou grave. As exacerbações ou crises agudas têm carácter episódico, embora a inflamação das vias aéreas seja crónica. As crises podem colocar a vida em risco, embora seja possível preveni-las. A gravidade da doença varia entre as pessoas e pode variar ao longo do tempo na mesma pessoa.
Embora não exista cura para a asma, é possível controlar a frequência e intensidade dos sintomas. A primeira medida é evitar a exposição aos factores desencadeantes. Se não for suficiente, geralmente recomenda-se o uso de medicação, preferencialmente por via inalatória. Existem dois tipos de medicação para o controlo de asma: os medicamentos para alívio rápido dos sintomas e das crises de asma, como os broncodilatadores de curta duração, e os medicamentos de ação preventiva a longo prazo que previnem o aparecimento de sintomas ou de crises, particularmente os anti-inflamatórios. Encontram-se disponíveis vários dispositivos de inalação, como inaladores pressurizados, inaladores de pó seco e nebulizadores. As câmaras expansoras reduzem os efeitos secundários locais dos corticosteroides inalados e facilitam o uso dos inaladores pressurizados, sobretudo por parte de crianças. Em casos graves podem ser necessários corticosteroides intravenosos, sulfato de magnésio ou hospitalização. A doença requer tratamento a longo prazo e para muitas pessoas implica a utilização de medicamentos preventivos para o resto da vida. A ocorrência de asma tem aumentado significativamente desde a década de 1970. Em 2011, foram diagnosticadas com asma entre 235 e 300 milhões de pessoas e a doença foi responsável pela morte de 250 000 pessoas.
A asma é uma doença inflamatória crónica das vias respiratórias caracterizada por sintomas diversos e recorrentes, obstrução reversível das vias respiratórias e broncoespasmo. A doença é classificada em termos clínicos de acordo com a frequência dos sintomas, do volume expiratório máximo no primeiro segundo (FEV1) e do débito expiratório máximo instantâneo (DEMI ou PEF). A asma pode também ser classificada como atópica (extrínseca) ou não atópica (intrínseca), com base no facto dos sintomas serem precipitados por alergénios (atópicos) ou não (não-atópicos). Embora a asma seja classificada com base na sua gravidade, atualmente não existe um método claro para classificar os diferentes subgrupos de asma para além deste sistema. Um dos principais objetivos da investigação atual é encontrar métodos para identificar subgrupos que respondam de forma eficaz a diferentes tipos de tratamento.
Embora a asma seja uma condição obstrutiva crónica, não é considerada uma doença pulmonar obstrutiva crónica, já que este termo se refere especificamente a formas de doença que são irreversíveis, como a bronquiectasia, bronquite crónica ou o enfisema. Ao contrário destas doenças, a obstrução das vias respiratórias na asma é geralmente reversível. No entanto, se não for tratada, a inflamação crónica da asma pode levar a que os pulmões fiquem obstruídos de forma irreversível devido às alterações físicas nas vias respiratórias. Ao contrário do enfisema, a asma afeta os brônquios, e não os alvéolos pulmonares.
Uma exacerbação aguda de asma é vulgarmente denominada ataque ou crise de asma. Os sintomas clássicos são a falta de ar, pieira e sensação de aperto no peito. Embora estes sejam os principais sintomas de asma, nalgumas pessoas observa-se tosse e, em casos graves, a circulação de ar pode ser de tal forma afetada que deixa de se ouvir qualquer sibilo.
Entre os sinais que ocorrem durante um ataque de asma estão o uso de músculos de respiração acessórios (o músculo esternocleidomastoideo e os músculos escalenos do pescoço), pulso paradoxal e sobre-inflamação do peito. A falta de oxigénio pode posteriormente levar a que as unhas e a pele se apresentem azuladas.
Durante um ataque leve, o débito expiratório máximo instantâneo é superior a 200 L/min ou a 50% da melhor previsão. Durante um ataque moderado, o débito expiratório situa-se entre 80 e 200 L/min e 50% da melhor previsão. Um ataque grave corresponde a um débito expiratório inferior a 80 L/min e uma percentagem inferior a 25% da melhor previsão.
O brancoespasmo grave, anteriormente denominado estado asmático, é uma exacerbação aguda de asma que não reage aos tratamentos comuns com broncodilatadores e corticosteroides. Metade dos casos devem-se à conjugação com outras infeções provocadas por alergénios, poluição atmosférica ou mau uso de medicação.
O exercício físico pode desencadear broncoconstrição em pessoas com ou sem asma. Ocorre na maior parte das pessoas com asma e em cerca de 20% das pessoas sem asma. Entre os atletas, são os de alta competição que apresentam maior ocorrência, com percentagens entre os 3% no bobsleigh e os 50% no ciclismo ou os 60% no esqui de fundo. Embora possa ocorrer em qualquer condição atmosférica, é mais comum em tempo frio e seco. Os inaladores de agonistas adrenérgicos beta-2 não aparentam melhorar o desempenho atlético entre atletas sem asma, embora as doses de administração oral possam melhorar a resistência e a força.
A asma enquanto resultado de, ou agravada por, exposição no local de trabalho é uma queixa comum entre as doenças ocupacionais. No entanto, muitos dos casos não são reportados ou reconhecidos como tal. Estima-se que entre a 5 e 25% dos casos de asma em adultos estejam relacionados com o trabalho, estando identificadas algumas centenas de factores desencadeantes. Entre os mais comuns estão os isocianatos, poeira de cereais ou de madeira, colofónia, fundente de soldadura, látex, animais e aldeídos. Entre os empregos associados a um risco acrescido de eventuais problemas estão os pintores que manuseiem tinta de spray, padeiros e manuseadores de alimentos, enfermeiros, trabalhadores da indústria química, manuseadores de animais, soldadores, cabeleireiros e carpinteiros.
A asma é caracterizada por episódios recorrentes de pieira, falta de ar, sensação de aperto no peito e tosse. A tosse pode fazer com que o pulmão produza escarro. Durante o recobro de um ataque de asma o escarro pode-se apresentar semelhante a pus devido à elevada quantidade de glóbulos brancos denominados eosinófilos. Os sintomas geralmente agravam-se durante a noite e início da manhã, ou em resposta ao exercício físico ou ao ar frio. Algumas pessoas com asma raramente sentem sintomas e estes ocorrem apenas em resposta a factores que a desencadeiam, enquanto outras podem apresentar sintomas persistentes e pronunciados.
Existem diversas condições clínicas que ocorrem com maior frequência em asmáticos, entre elas a doença de refluxo gastroesofágico, sinusite e apneia do sono obstrutiva. Os transtornos psicológicos são também mais comuns, entre os quais os transtornos de ansiedade, que ocorrem entre 16 e 52% dos asmáticos, e os transtornos do humor, que ocorrem entre 14 e 41% dos asmáticos. No entanto, desconhece-se se é a asma que leva aos problemas psicológicos ou se são os problemas psicológicos que levam à asma.