Neste Dia

Assassino em série

Tipo de criminoso de perfil psicopatológico que comete crimes com determinada frequência

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Um assassino em série (também conhecido pelo nome em inglês, serial killer) é um indivíduo que assassina três ou mais pessoas, com os assassinatos ocorrendo ao longo de um período de mais de um mês em três ou mais eventos separados. O FBI (Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos) afirma que os motivos dos assassinos em série podem incluir raiva, busca por fortes emoções, busca por atenção e ganho financeiro, e os assassinatos podem ser executados dessa forma. As vítimas tendem a ter coisas em comum, como perfil demográfico, aparência, gênero ou raça. Como grupo, os assassinos em série apresentam uma variedade de transtornos de personalidade. Muitas vezes, eles não são considerados insanos perante a lei. Embora um assassino em série seja uma classificação distinta que difere da de um assassino em massa, assassino em série ou assassino de aluguel, existem sobreposições entre eles.

O termo teria sido usado pela primeira vez em meados de 1970 por Robert Ressler, agente aposentado do FBI.

Segundo a Enciclopédia Britânica, um assassino em série é aquele que comete ao menos dois (02) assassinatos. Segundo esta enciclopédia também, o FBI inicialmente considerava que um criminoso poderia ser denominado assassino em série quando matasse pelo menos quatro pessoas, mas que o órgão mudou esta definição nos anos 1990, quando passou a considerar que poderia ser definido um assassino serial quem matasse três vítimas ou mais.

A criminóloga brasileira Ilana Casoy escreve em seu livro "Serial Killer: louco ou cruel?", na página 18, que:

O primeiro obstáculo na definição de um assassino em série é que algumas pessoas precisam ser mortas para que ele possa ser definido assim. Alguns estudiosos acreditam que cometer dois assassinatos já faz daquele assassino, um assassino em série. Outros afirmam que o criminoso deve ter assassinado pelo menos quatro pessoas.

Uma definição de assassino em série foi publicada pelo Instituto Nacional de Justiça em 1988: Uma série de dois ou mais assassinatos cometidos como eventos separados, normalmente, mas nem sempre, por um infrator atuando isolado. Os crimes podem ocorrer durante um período de tempo que varia desde horas até anos. Quase sempre o motivo é psicológico, e o comportamento do infrator e a evidência física observada nas cenas dos crimes refletiram nuanças sádicas e sexuais.

Ney Fayet Jr., professor de Criminologia do programa de pós-graduação em Ciências Criminais da PUC do Rio Grande do Sul, explicou para a BBC em novembro de 2017, que este tipo de criminoso age com "excesso de brutalidade, impulsividade, frieza e sadismo".

Assassinos em série frequentemente exibem traços associados a doenças mentais ou psicopatia, incluindo falta de remorso, impulsividade e necessidade de controle, muitas vezes mascarados por um comportamento charmoso, e podem se envolver em parafilias específicas, como fetichismo ou necrofilia. Muitos apresentam indícios na infância de comportamento violento futuro, como fascínio por atear fogo, tortura de animais e enurese noturna persistente, e embora possam ter dificuldades para encontrar emprego e se envolver em pequenos crimes, muitas vezes conseguem aparentar normalidade e manter relacionamentos. Apesar de serem comumente percebidos como altamente inteligentes, estudos sugerem que assassinos em série geralmente possuem QI médio ou abaixo da média.

Características gerais e definição

Pesquisas empíricas indicam que o homicídio em série é um fenômeno raro, caracterizado pelo assassinato de duas ou mais vítimas em eventos separados, geralmente intercalados por um período de "resfriamento". Embora não exista um perfil psicológico único aplicável a todos os casos, estudos frequentemente identificam taxas elevadas de traços de personalidade antissocial, características associadas à psicopatia (como insensibilidade e ausência de empatia), impulsividade combinada com capacidade de planejamento e histórico de abuso ou negligência na infância entre os ofensores. Ao contrário das representações populares, a maioria dos serial killers não é psicótica e é considerada legalmente sã no momento dos crimes. A maioria é do sexo masculino — estimativas geralmente variam entre 85% e 90% — padrão consistente com tendências mais amplas da criminalidade violenta. As explicações para essa disparidade de gênero combinam fatores biológicos (incluindo maiores níveis médios de agressividade física e busca por sensações em homens), motivações evolutivas e sexuais (sendo o homicídio em série de motivação sexual predominantemente masculino) e influências socioculturais relacionadas à socialização de gênero e às estruturas de oportunidade.

No que diz respeito à raça, os dados disponíveis (especialmente nos Estados Unidos) sugerem que a distribuição racial dos ofensores identificados tende a refletir, em termos gerais, os padrões da criminalidade homicida como um todo, embora a percepção pública tenha sido fortemente moldada por vieses midiáticos e diferenças na atenção investigativa. Historicamente, serial killers brancos receberam cobertura desproporcional da mídia, enquanto casos envolvendo vítimas marginalizadas foram frequentemente subnotificados ou menos investigados. Criminologistas enfatizam que não há evidência científica credível que sustente predisposições biológicas raciais para assassinos em série; eventuais disparidades observadas são mais plausivelmente explicadas por fatores socioeconômicos, práticas de policiamento, visibilidade das vítimas e desigualdades estruturais. A literatura contemporânea, portanto, compreende o homicídio em série como resultado de interações complexas entre traços de personalidade, experiências desenvolvimentais e condições ambientais, e não como um fenômeno redutível a determinantes demográficos simples.

Segundo o artigo O perfil psicológico dos assassinos em série e a investigação criminal, publicado pela Escola Superior de Polícia Civil, em geral os assassinos em série sofrem de psicopatia ou psicose. O autor do texto explica:

A maioria das pessoas tende a imaginar o assassino em série como uma pessoa louca ou doente mental, o que se verifica não ser verdade na maioria dos casos. Há, no entanto, consenso de que os assassinos seriais possuem ligações íntimas com a psicopatia e a psicose, que são desvios mentais distintos. A psicose é uma doença mental que provoca uma alteração na noção da realidade, onde um mundo próprio se forma na mente do psicótico, ou seja, ele vive num delírio e sofre alucinações, ouvindo vozes e tendo visões bizarras. As formas mais conhecidas de psicose são a esquizofrenia e a paranoia. Apenas uma reduzida parcela dos assassinos em série se enquadra no lado dos psicóticos, o que derruba a crença popular de que todo assassino em série é louco. Por outro lado, a psicopatia afeta a mente do assassino de forma diversa. Não cria nenhum tipo de ilusão na mente, ou seja, o indivíduo vê claramente a realidade e sabe que é proibido matar, porém suas perturbações mentais os fazem ser frios e sem empatia. Basicamente, o assassino em série psicopata vive uma vida dupla, mantendo uma aparência voltada para a sociedade, muitas vezes sendo uma pessoa gentil, racional e que interage com o meio social, porém, sua verdadeira identidade é mostrada somente para suas vítimas: um ser dissimulado e incapaz de sentir pena e de obter satisfação com tortura, estupro e assassinato.

O artigo "Transtornos de personalidade, psicopatia e assassinato em série" publicado pela Scielo, corrobora a ideia, citando um estudo que concluiu que 86,5% dos assassinos em séries tinham psicopatia:

Em relação a características de personalidade, em um estudo conduzido por Stone, 86,5% dos assassinos em série preenchiam os critérios de Hare para psicopatia, sendo que um adicional de 9% exibiu apenas alguns traços psicopáticos, mas não o suficiente para alcançar o nível de psicopatia. Um achado marcante nesse estudo foi o fato de aproximadamente metade dos assassinos em série exibirem personalidade esquizoide, como definido pelo DSM-IV. Alguns traços esquizoides estavam presentes ainda em um adicional de 4% dos sujeitos de pesquisa. Transtorno de personalidade sádica, como descrito no apêndice do DSM-III-R, estava presente em 87,5% dos homens e traços discretos foram encontrados em 1,5% deles. Por fim, esse estudo mostrou grande sobreposição entre psicopatia e transtorno sádico de personalidade: dos assassinos com psicopatia, 93% também apresentaram transtorno sádico. Metade dos psicopatas era esquizoide. Quase a metade apresentou critérios para os três tipos de transtorno: psicopático, esquizóide e sádico.

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