Augusta Vitória Frederica Luísa Feodora Jenny de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Augustemburgo (em alemão: Auguste Viktoria Friederike Luise Feodora Jenny von Schleswig-Holstein-Sonderburg-Augustenburg; Dolzig, 22 de outubro de 1858 – Doorn, 11 de abril de 1921) foi a primeira esposa do Imperador Guilherme II e a última Imperatriz Consorte da Alemanha e Rainha Consorte da Prússia de 1888 até a abolição da monarquia em 1918.
Augusta Vitória foi uma imperatriz profundamente conservadora e reacionária, embora mantivesse popularidade como mãe socialmente engajada do país. Ascendeu de princesa provincial a monarca que exerceu considerável influência sobre o Império por três décadas. Foi também uma das mulheres mais fotografadas de sua época, figurando frequentemente em cartões-postais.
Exerceu considerável influência sobre o marido, desempenhando papel decisivo, por exemplo, na queda do chanceler Bethmann-Hollweg e do chefe de gabinete Valenti. Durante a Revolução Alemã e em Doorn, mostrou grande força de caráter, recusando-se a considerar a rendição voluntária do imperador às potências inimigas. A presença de centenas de milhares de alemães, homens e mulheres, em seu funeral, realizado no Templo Antigo de Potsdam, em 1921, atestou a popularidade de que desfrutava junto ao povo.
Augusta Vitória nasceu no Castelo de Dolzig, em Brandemburgo (atual Polônia), sendo a filha primogênita do príncipe Frederico de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Augustemburgo, futuro Duque de Eslésvico-Holsácia, e de sua esposa, a princesa Adelaide de Hohenlohe-Langenburgo, sobrinha da rainha Vitória do Reino Unido por meio da meia-irmã desta, Feodora. Teve seis irmãos, dos quais apenas três atingiram a idade adulta: Carolina Matilde, Ernesto Gunther e Luísa Sofia.
Cresceu em Dolzig até o falecimento de seu avô, o duque Cristiano Augusto II de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Augustemburgo, em 1869. Posteriormente, a família transferiu-se para o Castelo de Primkenau, na Silésia, propriedade herdada por seu pai. Em família, era chamada de "Dona".
A princesa Augusta Vitória apaixonou-se pelo príncipe Ernesto Bernardo de Saxe-Meiningen, filho do duque Jorge II de Saxe-Meiningen. Contudo, em 1875, foi enviada à Inglaterra para visitar parentes. Nos círculos da corte inglesa, é provável que Augusta Vitória tenha conhecido o príncipe Guilherme da Prússia.
Em meados de 1880, a princesa herdeira Vitória da Alemanha, encontrava-se à procura de uma noiva para seu filho. A escolha recaiu sobre Augusta Vitória, o que provocou indignação nos círculos conservadores alemães e, inicialmente, no próprio imperador Guilherme I. Considerava-se a princesa inadequada, uma vez que sua família não era tida como de posição social equivalente. Ademais, temiam-se complicações políticas decorrentes da anexação dos ducados do pai da princesa pela Prússia em 1866, visto que o duque Frederico VIII jamais renunciara às suas reivindicações. O chanceler Otto von Bismarck, todavia, foi um firme defensor do casamento, acreditando que este poria fim à disputa entre o governo prussiano e o pai de Augusta.
Apesar da oposição inicial, Augusta Vitória e Guilherme da Prússia casaram-se em 27 de fevereiro de 1881, no Palácio de Sanssouci. A mãe de Guilherme, a imperatriz Vitória, acabou por se desapontar com a nora ao constatar que esta não possuía a personalidade liberal que dela esperava. Augusta Vitória levava uma vida simples e personificava, aos olhos do povo, o ideal de mãe. Contudo, era descrita como uma mulher sem imaginação, de interesses intelectuais limitados e sem talentos notáveis, o que entediava Guilherme e reforçava suas inclinações reacionárias. Ao contrário do marido, que viveu dividido entre amor e ódio ao longo de toda a existência, ela nutria profunda aversão pela Inglaterra.
O casal teve sete filhos, dos quais seis eram meninos e uma, menina. A família residia para o Palácio de Mármore, em Potsdam.
Guilherme II ascendeu ao trono em 15 de junho de 1888, ocasião em que Augusta Vitória passou a exercer os títulos de Imperatriz Consorte da Alemanha e Rainha Consorte da Prússia. Ela detinha considerável influência, tanto no âmbito pessoal, uma vez que Guilherme era propenso a estados depressivos e dependia do apoio psicológico da esposa, quanto no plano político, influência esta que, segundo a opinião predominante, teve efeitos prejudiciais. Ernesto Luís, Grão-Duque de Hesse, referiu-se a ela como a "eminência parda de Guilherme II".
Augusta Vitória era profundamente religiosa, defensora convicta da Igreja Protestante e representante de um estilo de vida moral rigoroso. Manifestava aversão a mulheres divorciadas e, por essa razão, em geral não as recebia na corte. Desenvolveu igualmente antipatia por sua cunhada Sofia, em virtude de sua conversão à Igreja Ortodoxa por ocasião de seu casamento. Em 1893, durante uma visita de Guilherme II a Roma, a imperatriz não conseguiu conciliar suas convicções pessoais com suas responsabilidades institucionais e mostrou-se relutante em visitar o Papa Leão XIII. O imperador e diversos ministros das Relações Exteriores precisaram persuadi-la a realizar a visita, a fim de evitar complicações internacionais. O forte compromisso da imperatriz com a construção de igrejas protestantes valeu-lhe o epíteto popular de Kirchenjuste. Por meio de seu engajamento em iniciativas de caridade e nas atividades da Igreja no Império Alemão, mantinha contato com os líderes religiosos von Bodelschwingh e Stoecker.
Augusta Vitória demonstrava também especial comprometimento com as questões sociais. Em decorrência disso, era mais popular e respeitada do que o marido, cujas ações públicas eram frequentemente alvo de críticas e ridicularização por parte da população. A imperatriz apoiou o movimento pelos direitos das mulheres e, influenciada pelas propostas da ativista Marie Martin, engajou-se na promoção de uma melhor educação para a juventude feminina.
Ao chegar aos Países Baixos, em novembro de 1918, ela já apresentava um estado de saúde debilitado. O ajudante de Guilherme, Sigurd von Ilsemann, assim como sua esposa, Elisabeth Bentinck, registravam com frequência sua preocupação com a condição da ex-imperatriz. Diante do agravamento de seu quadro de saúde, evitaram sobrecarregá-la com inquietações adicionais, como, por exemplo, aquelas relacionadas à iminente extradição do imperador.
Von Ilsemann e Elisabeth Bentinck descrevem-na como uma pessoa extremamente gentil, afável e sensível. Talvez até excessivamente complacente: no intuito de apoiar o marido de forma incondicional, Augusta Vitória nem sempre agia com total franqueza. Em determinadas ocasiões, corroborava os equívocos de Guilherme e também procurava ocultar dele o agravamento de seu estado de saúde.
A morte do filho mais novo da ex-imperatriz, Joaquim, que não conseguiu adaptar-se ao seu novo estatuto de plebeu e caiu em profunda depressão, teve um impacto severo sobre sua saúde, já fragilizada. Embora Guilherme tenha inicialmente tentado convencer a esposa de que o falecimento do filho fora resultado de um acidente, ela percebeu imediatamente o que de fato ocorrera e o interrompeu com a afirmação: "Ele atirou em si mesmo!". Apesar de desejar ardentemente acreditar que a morte tivesse sido acidental, sabia que essa não era a verdade.
Em 11 de abril 1921, ela faleceu aos 62 anos de idade, pouco tempo após ter se instalado na residência do imperador, Huis Doorn.
Embora Bentinck e Von Ilsemann por vezes manifestassem surpresa diante da falta de gentileza que o imperador podia demonstrar para com a esposa, após o falecimento dela ele se expressou nos seguintes termos: É um verdadeiro consolo que a imperatriz tenha morrido de forma tão serena; foi poupada de um sofrimento pesado e prolongado. Sim, haverá paz na casa agora que esta mulher de nobre nascimento não está mais entre nós. As pessoas perversas, cuja culpa é o fato de a imperatriz ter sido obrigada a morrer em um país estrangeiro, em vez de em sua terra natal, não ficarão impunes. Que pessoa maravilhosa ela era! (...)