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Augusto Pestana

Augusto Pestana (Rio de Janeiro, 22 de maio de 1868 – Rio de Janeiro, 29 de maio de 1934) foi um engenheiro e político b

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Augusto Pestana (Rio de Janeiro, 22 de maio de 1868 – Rio de Janeiro, 29 de maio de 1934) foi um engenheiro e político brasileiro. Radicou-se em fins da década de 1880 no Rio Grande do Sul, onde se notabilizou como líder republicano, administrador público e especialista em transportes ferroviários. Pestana conduziu a cidade de Ijuí à emancipação política em 1912, integrou a bancada gaúcha na Câmara dos Deputados em quatro legislaturas e fundou a hoje extinta Viação Férrea do Rio Grande do Sul (VFRGS).

Augusto Pestana nasceu no bairro de São Cristóvão, na então capital imperial, em uma família de servidores públicos de origem portuguesa. Seu pai, Manuel José Pestana (c.1832-1883), era funcionário da Casa Imperial. Sua mãe, Januária de Abreu Pestana (1844-1893), era filha de um agente portuário do Ministério da Fazenda. O avô paterno, Antônio José Pestana (1790-1859), natural de Figueira da Foz, Portugal, foi juiz de paz no segundo distrito do Engenho Velho (São Cristóvão) nas décadas de 1830 e 1840, e era parente do padre e procurador eclesiástico português Antônio Pestana Coimbra (1684-1751), primeiro visitador apostólico no Rio Grande do Sul.

Órfão de pai aos quinze anos de idade, Augusto Pestana recusou a bolsa de estudos oferecida pela Princesa Isabel no Colégio Pedro II e, em seguida, na Faculdade de Direito de São Paulo. Na resposta que fez chegar à princesa, disse não poder aceitar favores da Coroa por ser "republicano convicto". Ávido leitor dos enciclopedistas e de Auguste Comte, passou a lecionar Português, Matemática, História e Geografia para ajudar a família e custear seus próprios estudos no Pedro II e, a partir de 1884, na Escola Politécnica do Rio de Janeiro.

Formou-se engenheiro geógrafo em 1886 e civil em 1888, o mais jovem de sua turma. Em paralelo aos estudos universitários, Pestana lecionou gratuitamente para alunos carentes na Associação Protetora da Instrução, fundada pelo senador e ex-chanceler Manuel Francisco Correia.

Engenheiro no Rio Grande do Sul

Em 1888, pouco depois da conclusão de seus estudos na Escola Politécnica, Augusto Pestana aceitou convite para trabalhar como engenheiro da Comissão de Estudos e Construção da Estrada de Ferro Porto Alegre-Uruguaiana, função que lhe permitiria conhecer em profundidade o interior do Rio Grande do Sul, assim como acompanhar o desenrolar da Revolução Federalista (1893-1895) e a posterior consolidação no Estado da ditadura de Júlio de Castilhos, inspirada pela doutrina positivista de Auguste Comte, com a qual estava ideologicamente alinhado. Suas atividades incluíam deslocamentos constantes entre Porto Alegre, Cachoeira do Sul, Santa Maria e Saicã, à época um distrito de Rosário do Sul, onde chegou a residir.

Com a virtual paralisação das obras ferroviárias gaúchas por problemas orçamentários, Pestana aceitou em 1897 o convite de Júlio de Castilhos para chefiar a Comissão de Estudos do Rio Jacuí, em Porto Alegre, mas partiu em seguida para o Ceará a fim de trabalhar na Estrada de Ferro de Baturité. Sua estada no Nordeste foi curta e, em agosto de 1898, retornou ao Rio Grande do Sul como engenheiro das linhas telegráficas, função onde permaneceria por menos de quatro meses.

Em 6 de dezembro de 1898, Augusto Pestana foi nomeado pelo governo estadual para o duplo comando da Colônia de Ijuí, que havia sido fundada em 19 de outubro de 1890, e da Comissão Discriminadora de Terras Devolutas e Verificadora de Posses nos Municípios de Cruz Alta, Palmeira das Missões, Santo Ângelo e Passo Fundo, responsável pela regularização fundiária do noroeste do Rio Grande do Sul.

Primeira colônia gaúcha criada no regime republicano, Ijuí vivia grave crise resultante de problemas de gestão e dos constantes desentendimentos entre colonos de quase vinte diferentes nacionalidades (a colônia foi descrita por seu primeiro padre católico, o polonês Antoni Cuber, como a "Babel do Novo Mundo"). Logo após sua chegada a Ijuí, em meados de 1899, Pestana promoveu reunião entre os líderes das comunidades de imigrantes no local hoje conhecido como Alto da União, e obteve sua conciliação. Racionalizou a política de assentamentos rurais, privilegiando famílias com experiência agrícola na distribuição de terras e reservando oportunidades no núcleo urbano aos imigrantes com vocação industrial ou comercial. Deu prioridade a investimentos em infraestrutura e educação, o que contribuiu para a diversificação da economia da colônia. Em 1901, determinou a demarcação e colonização da região conhecida como Cadeado, entre os rios Conceição e Ijuizinho, no atual município de Augusto Pestana.

Nos quase treze anos e meio da gestão de Augusto Pestana em Ijuí, a população da colônia passou de 6 mil para 28 mil habitantes. A rede de transportes ganhou cerca de 300 quilômetros de estradas e pontes nos principais rios e arroios. Na educação, 16 escolas públicas e 16 particulares foram abertas, com quase 2 mil crianças matriculadas. A colônia, que mal conseguia manter agricultura de subsistência ao final do século XIX, ostentava em 1912 mais de 100 fábricas de alimentos, 70 casas comerciais, 32 moinhos de cereais, 42 engenhos de cana-de-açúcar, 17 serrarias, uma tipografia e quatro hotéis. Mais da metade da produção local era exportada para o restante do Rio Grande do Sul e do Brasil, com destaque na pauta para madeiras, móveis, fumo, milho e banha.

O rápido crescimento econômico e populacional permitiu a elevação de Ijuí a município em 31 de janeiro de 1912, emancipado de Cruz Alta. Augusto Pestana foi o primeiro intendente (o equivalente hoje a prefeito) da cidade. Exerceu o cargo entre 31 de janeiro e 11 de julho daquele ano.

Deputado federal e fundador da VFRGS

Depois de um período complementar em Ijuí e outro em Porto Alegre como diretor dos Telégrafos, Pestana foi nomeado diretor-presidente da Estrada de Ferro Oeste de Minas pelo presidente Hermes da Fonseca em setembro de 1913. Retornou ao Rio Grande do Sul em dezembro do ano seguinte para ingressar na vida político-partidária. Elegeu-se deputado federal pelo Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) em 30 de janeiro de 1915 e 30 de janeiro de 1918.

Na Câmara dos Deputados, foi membro das Comissões de Educação e de Finanças e relator do orçamento de viação e obras públicas, destacando-se como defensor da ampliação e modernização da infraestrutura brasileira. Em 1918, chegou a ser cotado para assumir o Ministério de Viação e Obras Públicas, convite que não se concretizaria pela morte do presidente eleito Rodrigues Alves. Crítico do modelo de concessões a grupos privados estrangeiros então vigente no País, Pestana moveu campanha contra a Compagnie Auxiliaire de Chemins de Fer au Brésil, empresa sediada em Bruxelas, Bélgica, e controlada pelo megaempresário norte-americano Percival Farquhar, que explorava as ferrovias gaúchas desde 1905. Prejudicado pela falta de investimentos de Farquhar e pela má gestão da Auxiliaire, o transporte ferroviário no Rio Grande do Sul encontrava-se à beira do colapso ao final da década de 1910. Em articulação envolvendo o presidente Epitácio Pessoa, o governador Borges de Medeiros e os demais membros da bancada gaúcha no Congresso, Pestana conseguiu que a União aprovasse em 18 de junho de 1920 a estatização da Auxiliaire e a criação da Viação Férrea do Rio Grande do Sul (VFRGS), sob controle do governo gaúcho. Em agosto de 1920, Pestana foi convidado por Borges de Medeiros a assumir a prefeitura de Porto Alegre em substituição a José Montaury, mas preferiu seguir à frente do processo de implantação da nova companhia ferroviária.

Diretor-presidente da VFRGS de 1920 a 1926 (com uma breve interrupção em 1924 para representar a empresa no Rio de Janeiro) e secretário estadual de Viação e Obras Públicas entre 1926 e 1928, Pestana recuperou as linhas ferroviárias gaúchas e adquiriu novas composições, incluindo locomotivas alemãs 2-8-2 preparadas para o uso de carvão nacional como combustível. Preocupado com a dependência do transporte ferroviário brasileiro por carvão mineral importado, estimulou a realização de estudos técnicos para demonstrar o potencial de utilização do carvão nacional. Em 1922, determinou a aquisição do primeiro motor a gasogênio no Brasil, movido exclusivamente com combustível produzido no Rio Grande do Sul.

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