Azauade ou Azawagh (em árabe: أزواد, translit. Azawad; em berbere: ⴰⵣⴰⵓⴷ, transl. Azawaɣ; em francês: Azaouad) foi um estado não reconhecido existente entre 2012 e 2013.
Azawaɣ, em sentido amplo, é o nome berbere para as áreas amazigues do Sahel, habitadas por tuaregues auelimiden do leste (chamados Kel Dinnik; autodenominados Kel Azawaɣ), especialmente a metade norte do Mali e o norte e oeste do Níger, começando ao norte dos últimos contrafortes do planalto do Ader Duchi (Níger), para além das comunas rurais nigerinas de Kao e Tabalak. Algumas fontes o definem como correspondente às regiões do Mali situadas em volta das cidades de Tombuctu, Kidal e Gao, bem como parte da região malinesa de Mopti, o norte do Níger e o sul da Argélia, enquanto, segundo outras, apenas compreenderia o norte do Mali. Azawaɣ é, antes de tudo, um grande vale fóssil entre o Air e o Adrar dos Ifogas. É também, em sentido mais amplo, toda a área nômade que começa ao norte da zona de cultivo alimentada pela chuva, do paralelo 15° de latitude para o norte, e continua até o Saara. A independência de Azauade foi declarada unilateralmente pelo Movimento Nacional para a Libertação de Azauade (MNLA) em 6 de abril de 2012, depois que uma rebelião tuaregue expulsou o exército maliano da região.
O Azauade reivindicado pelo MNLA compreendia as regiões malianas de Tombuctu, Kidal e Gao, além de uma parte da região de Mopti, abrangendo cerca de 60% da área total do Mali. O efêmero estado fazia fronteira com Burkina Faso, ao sul, Mauritânia, a oeste e noroeste, Argélia, ao norte e nordeste, e Níger, a leste e sudeste, e com a parte não disputada do Mali, a sudoeste, estendendo-se por uma parte do Saara e da zona do Sahel. Gao, a sua maior cidade, serviu como capital temporária, enquanto Tombuctu, a segunda maior cidade, foi planejada para ser a capital pelos independentistas.
A declaração de independência e a proclamação da República do Azauade provocou rejeição imediata por parte da União Africana, e a CEDEAO passou a discutir o envio de uma força conjunta de intervenção, para restabelecer a soberania do Mali sobre o território. Além disso, havia, no Azauade, o Ansar Dine, um grupo islamista composto por árabes, alegadamente ligado à Al-Qaeda. Ansar Dine era declaradamente hostil ao MNLA e ambos se confrontavam. Mas, em fins de maio de 2012, foi noticiado que os dois movimentos haviam estabelecido uma aliança e declarado o Estado Islâmico do Azauade, com base na xaria. Entretanto as autoridades do Azauade não confirmaram oficialmente a mudança de nome. Relatórios posteriores indicaram que o MNLA havia decidido se retirar do pacto com o Ansar Dine. Em uma nova declaração, datada de 9 de junho, o MNLA usou o nome Estado do Azauade (em francês: État de l'Azawad). O MNLA produziu uma lista com o nome dos 28 membros do Conselho de Transição do Estado de Azauade (em francês, Conseil de transition de l'État de l'Azawad, CTEA) que serviria como governo provisório, presidido por Bilal Ag Acherif, para administrar o novo Estado.
Mas, já em 14 de fevereiro de 2013, o MNLA renuncia à sua reivindicação de independência de Azauade, pedindo ao governo do Mali que iniciasse negociações sobre seu futuro status.
O MNLA encerrou o cessar-fogo em setembro do mesmo ano, depois que as forças do governo atiraram contra manifestantes desarmados.
Predefinição:História de Azauade
Depois que as potências europeias formalizaram a Partilha de África na Conferência de Berlim, os franceses assumiram o controle das terras entre o 14º meridiano e Miltou, no sudoeste do Chade, limitadas ao sul por uma linha que ia de Say, no Níger a Baroua. Embora a região de Azauade fosse francesa apenas no nome, o princípio da efetividade exigia que a França exercesse poder nas áreas atribuídas, por exemplo, assinando acordos com chefes locais, estabelecendo um governo e utilizando a área economicamente, antes que a reivindicação se tornasse definitiva. Em 15 de dezembro de 1893, Tombuctu, já há muito tempo passado o seu apogeu, foi anexada por um pequeno grupo de soldados franceses, liderados pelo tenente Gaston Boiteux. A região tornou-se parte do Sudão Francês (Soudan Français), uma colônia da França. A colônia foi reorganizada e o nome mudou várias vezes durante o período colonial francês. Em 1899, o Sudão Francês foi subdividido e Azauade tornou-se parte do Alto Senegal e Médio Níger (Haut-Sénégal et Moyen Niger). Em 1902, foi renomeada para Senegâmbia e Níger (Sénégambie et Niger), e em 1904 isso foi alterado novamente para Alto Senegal e Níger (Haut-Sénégal et Niger). Este nome foi usado até 1920, quando voltou a ser Sudão Francês.
O Sudão Francês tornou-se o estado autônomo do Mali dentro da Comunidade Francesa em 1958, e o Mali tornou-se independente da França em 1960. Quatro grandes rebeliões tuaregues ocorreram contra o domínio maliano: a Primeira Rebelião Tuaregue (1962–64), a rebelião de 1990–1995, a rebelião de 2007–2009 e uma rebelião em 2012.
No início do século XXI, a região tornou-se notória pelo banditismo e contrabando de drogas. A área foi relatada como contendo grande riqueza mineral potencial, incluindo petróleo e urânio.
Em 17 de janeiro de 2012, o MNLA anunciou o início de uma insurreição no norte do Mali contra o governo central, declarando que "continuará enquanto Bamako não reconhecer este território como uma entidade separada". Depois que o primeiro ataque ocorreu na cidade de Ménaka, mais combates foram relatados em diferentes partes do norte, incluindo Aguelhok, Tessalit, Léré e Niafunké. Relatórios contraditórios sobre ganhos e perdas militares dos militares malianos foram veementemente negados pelo governo maliano. Em 24 de janeiro, o MNLA ganhou o controle da cidade de Aguelhok, matando cerca de 160 soldados malianos e capturando dezenas de armas pesadas e veículos militares. Em março de 2012, o MNLA e o Ansar Dine assumiram o controle das capitais regionais de Kidal e Gao juntamente com suas bases militares. Em 1º de abril, Tombuctu foi capturada. Após a tomada de Tombuctu em 1º de abril, o MNLA ganhou controle efetivo da maior parte do território que reivindicam para um Azauade independente. Em uma declaração divulgada na ocasião, o MNLA convidou todos os tuaregues no exterior a retornarem para casa e se juntarem à construção de instituições no novo estado.
Declaração unilateral de independência
O Movimento Nacional de Libertação do Azauade (MNLA) declarou o norte do Mali um estado independente que eles chamaram de Azauade em 6 de abril de 2012 e comprometeu-se a redigir uma constituição estabelecendo-o como uma democracia. A declaração deles reconheceu a carta das Nações Unidas e disse que o novo estado defenderia seus princípios.
Em uma entrevista com a France 24, um porta-voz do MNLA declarou a independência de Azauade:
O Mali é um estado anárquico. Portanto, reunimos um movimento de libertação nacional para colocar um exército capaz de garantir a nossa terra e um executivo capaz de formar instituições democráticas. Declaramos a independência de Azauade a partir deste dia.
Na mesma entrevista, Assarid prometeu que eles respeitariam as fronteiras coloniais que separam a região de seus vizinhos; ele insistiu que a declaração de independência de Azauade tinha legalidade internacional.
Nenhuma entidade estrangeira reconheceu Azauade. A declaração do MNLA foi imediatamente rejeitada pela União Africana, que a declarou "nula e sem qualquer valor". O Ministério das Relações Exteriores francês disse que não reconheceria a partição unilateral do Mali, mas pediu negociações entre as duas entidades para atender "às demandas da população tuaregue do norte [que] são antigas e por muito tempo não receberam respostas adequadas e necessárias". Os Estados Unidos também rejeitaram a declaração de independência.Estimava-se que o MNLA tivesse até 3.000 soldados. A CEDEAO declarou Azauade "nulo e sem efeito", e disse que o Mali é "uma e [uma] entidade indivisível". A CEDEAO disse que usaria força, se necessário, para reprimir a rebelião. O governo francês indicou que poderia fornecer apoio logístico.