O BRICS é uma aliança intergovernamental composto por dez países de mercado emergente e foro político em relação ao seu desenvolvimento econômico e político-social. Trata-se de um acrônimo da língua inglesa que é geralmente traduzido como "os BRICS" ou "países BRICS". O agrupamento começou com quatro países sob o nome BRIC, reunindo Brasil, Rússia, Índia e China, então em abril de 2011, o "S" foi acrescido com a admissão da África do Sul (do inglês: South Africa) ao grupo. Desde 2009, os países líderes realizam cúpulas anuais.
Em 1 de janeiro de 2024, o grupo foi oficialmente expandido quando Egito, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Etiópia e Irã aderiram ao bloco como membros plenos. Em 6 de janeiro de 2025, a Indonésia ingressou no BRICS como membro pleno.
O grupo constitui uma aliança de cooperação internacional, distinta dos blocos econômicos ou associações comerciais formais, como a União Europeia. Desde sua origem, os quatro países fundadores propuseram-se a formar uma associação de natureza política e aliança estratégica, com o intuito de transformar o expressivo crescimento de seu poder econômico em uma presença geopolítica cada vez mais influente e propositiva no contexto global.
Ao longo do tempo, a mídia tem classificado os BRICS como uma alternativa geopolítica em relação ao G7, visto que o grupo buscou criar alternativas em relação aos métodos utilizados por algumas nações ocidentais, a exemplo do Novo Banco de Desenvolvimento e do Acordo de Reserva Contingente dos BRICS. As relações bilaterais entre os países dos BRICS têm sido conduzidas principalmente com base nos princípios de não-interferência, igualdade e benefício mútuo.
Há controvérsia quanto ao responsável pela criação do acrônimo "BRIC": embora a invenção seja, em geral, atribuída ao chefe da Pesquisa Econômica Global do Goldman Sachs, Jim O'Neill, que assina o relatório "Building Better Global Economic BRICs", de 2001, é possível que o acrônimo tenha sido, na verdade, cunhado por uma jovem economista indiana-americana, Roopa Purushothaman. Aos 23 anos, ela aparece, nos créditos do relatório de O'Neill, apenas como assistente de pesquisa do grupo de Pesquisa Econômica do Goldman Sachs, em Londres; mas, pouco tempo depois, já será responsável, com Dominic Wilson, pelo relatório "Dreaming with BRIC’S: The Path to 2050", documento bem mais alentado que o anterior e que já se encontrava em elaboração desde 2000, embora só viesse a ser publicado em 2003. E foi então que o acrônimo efetivamente decolou.
Os ministros das Relações Exteriores dos quatro primeiros Membros plenos do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) reuniram-se em Nova York em setembro de 2006, durante os preparativos para Assembleia da ONU, dando início a uma série de conversas e reuniões paralelas ao evento. Em 16 de junho de 2009, em Ecaterimburgo, Rússia, foi realizada uma reunião diplomática em grande escala entre os quatro membros, dando assim início ao bloco.
A primeira cúpula do BRIC, também marcada para Ecaterimburgo, ocorreu em 16 de junho de 2009, com a presença de Luiz Inácio Lula da Silva, Dmitri Medvedev, Manmohan Singh e Hu Jintao, os respectivos líderes do Brasil, Rússia, Índia e China. O foco da cúpula estava em meios de aliviar situação econômica global e reformar a instituição financeira, além de discutir como os quatro países poderiam cooperar no futuro. Houve mais discussões e levantamentos sobre maneiras pelas quais países em desenvolvimento, como 3/4 dos membros do BRIC, poderiam se envolver e serem protagonistas nos assuntos globais.
Ficou destacado que durante a realização da reunião preparatória para a segunda cúpula do BRIC realizada no Rio de Janeiro em abril de 2011, autoridades da África do Sul estavam também presentes, já que ela aconteceu ao mesmo tempo de um encontro do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul, quando foram discutidos — pela primeira vez — oportunidades de negócios e investimentos para setores de energia, tecnologia da informação, infraestrutura e agronegócio.
Dada esta coincidência de datas, o então presidente da África do Sul, Jacob Zuma, participou como convidado da Segunda cúpula do BRIC realizada em Brasília, no dia 15 de abril de 2010. Logo em seguida, o país foi convidado pelos quatro membros fundadores para fazer parte do bloco como o quinto membro pleno, e as negociações foram iniciadas em agosto do mesmo ano. A África do Sul foi admitida oficialmente como uma nação do BRIC em abril de 2011, duranta a Terceira cúpula do BRIC, após a sua entrada no grupo ter sido ratificada oficialmente pela China e os outros três países do BRIC para participar do grupo. A letra "S" em BRICS representa o 'South' de 'South Africa' (África do Sul em inglês)
Em abril do ano seguinte ,o presidente Zuma foi novamente participar do encontro anual dos países membros que foi realizado em Pequim. Porém, agora com o status de membro pleno. De acordo com Jim O'Neill, do Goldman Sachs, que originalmente cunhou o termo, "o PIB atual combinado do continente africano é razoavelmente semelhante ao do Brasil e da Rússia e ligeiramente superior ao da Índia".Todavia, a África do Sul está em uma posição única e pode influenciar o crescimento econômico e os investimentos em toda a África. A África do Sul é um "portal" para o sul da África e também para o resto do continente já que é o país africano mais rico e desenvolvido. A China, que é já é o maior parceiro comercial da África do Sul e da Índia, quer ampliar os laços comerciais com a África. A África do Sul é também a maior economia da África. No entanto, ocupa o posto de 31º maior PIB do mundo, com uma economia muito abaixo de seus novos parceiros.
O'Neill, expressou surpresa quando a África do Sul se juntou ao BRIC, "já que a economia da África do Sul é um quarto do tamanho da economia da Rússia (a nação com o menor poder econômico do BRIC)". Ele acreditava que o potencial estava lá, mas não previa a inclusão da África do Sul já nesta fase. Martyn Davies, um perito no mercado emergente sul-africano, argumentou "que a decisão de convidar a África do Sul fazia pouco sentido comercial, mas foi politicamente astuta, dadas as tentativas da China em estabelecer uma presença na África. Além disso, a inclusão da África do Sul no BRICS pode traduzir-se a um maior apoio Sul-Africano para a China em fóruns globais."
As credenciais africanas são importantes geopoliticamente, pois dão aos BRICS a oportunidade de influenciar e comercializar em quatro continentes diferentes. A adição da África do Sul é uma hábil jogada política que reforça ainda mais o poder dos BRICS e de seu estatuto. Na redação original, que cunhou o termo, o Goldman Sachs não argumentava que os BRICS teriam se organizado em um bloco econômico, ou uma associação comercial formal que este movimento significa.
O Fórum BRICS, uma iniciativa internacional independente que incentiva a cooperação comercial, política e cultural entre as nações BRICS, foi formado em 2011. Em junho de 2012, as nações BRICS comprometeram-se a fornecer US$ 75 bilhões para aumentar o poder de empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI). No entanto, esse empréstimo estava condicionado a reformas no sistema de votação do FMI. No final de março de 2013, durante a quinta cúpula do BRICS em Durban, África do Sul, os países membros concordaram em criar uma instituição financeira global destinada a cooperar com o FMI e o Banco Mundial, dominados pelo Ocidente. Após a cúpula, o BRICS afirmou que planejava finalizar os acordos para este Novo Banco de Desenvolvimento até 2014. No entanto, disputas relacionadas à distribuição dos encargos e à localização retardaram os acordos.
Na reunião de líderes do BRICS em São Petersburgo em setembro de 2013, a China se comprometeu a contribuir com US$ 41 bilhões para o fundo; Brasil, Índia e Rússia contribuíram com US$ 18 bilhões cada; e a África do Sul com US$ 5 bilhões. Um oficial do BRICS afirmou que a China, que possui as maiores reservas internacionais em moeda estrangeira e contribui com a maior parte do fundo, deseja ter um papel de gestão mais significativo e também quer que a reserva seja sediada na China. "Brasil e Índia querem que o capital inicial seja compartilhado igualmente. Sabemos que a China quer mais", disse um oficial brasileiro. "No entanto, ainda estamos negociando, ainda não há tensões surgindo". Em 11 de outubro de 2013, o Ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, afirmou que a criação de um fundo de US$ 100 bilhões para estabilizar os mercados de moeda seria feita no início de 2014. O Ministro das Finanças do Brasil, Guido Mantega, afirmou que o fundo seria criado até março de 2014. No entanto, em abril de 2014, o fundo de reserva de moeda e o banco de desenvolvimento ainda não haviam sido estabelecidos e a data foi remarcada para 2015. Um dos motivadores para a criação do banco de desenvolvimento do BRICS é que as instituições existentes beneficiam principalmente as empresas de fora dos países BRICS e sua importância política é notável porque permite que os estados membros do BRICS "promovam seus interesses no exterior... e pode destacar as posições fortalecidas dos países cujas opiniões são frequentemente ignoradas por seus colegas desenvolvidos americanos e europeus".