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Babur

Babur (em persa: ببر, bɑː.βuɾ; 14 de fevereiro de 1483 – 26 de dezembro de 1530; nascido como Zahīr ud-Dīn Muhammad) foi

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Babur (em persa: ببر, bɑː.βuɾ; 14 de fevereiro de 1483 – 26 de dezembro de 1530; nascido como Zahīr ud-Dīn Muhammad) foi o fundador do Império Mogol no subcontinente indiano. Ele era um descendente de Tamerlão e de Gêngis Cã por parte de pai e por parte de mãe, respectivamente. Ele também recebeu o nome póstumo de Firdaws Makani ('Morador do Paraíso').

Nascido em Andijã no Vale de Fergana (no atual Uzbequistão), Babur era o filho mais velho de Umar Xaique Mirza (1456–1494, governante timúrida de Fergana de 1469 até 1494) e um descendente de Tamerlão (1336–1405). Babur ascendeu ao trono de Fergana na capital de Axsikat em 1494 aos doze anos e enfrentou rebelião. Ele conquistou Samarcanda dois anos depois, e no processo perdeu o controle de Fergana. Em sua falha tentativa de reconquistar Fergana, ele perdeu Samarcanda. Em 1501, mais uma tentativa de recapturar ambas as regiões falhou, quando o príncipe uzbeque Xaibani Cã derrotou-o e fundou o Canato de Bucara.

Em 1504, ele conquistou Cabul, que estava sob o domínio putativo de Abdur Razaque Mirza, o herdeiro infante de Ulugue Begue II. Babur formou uma parceria com o imperador safávida Ismail I e reconquistou partes do Turquestão, incluindo Samarcanda, e logo em seguida perdeu os ditos territórios novamente para os xaibânidas.

Após sua terceira perda de Samarcanda, Babur virou sua atenção para a Índia e empregou a assistência do Império Safávida e do Império Otomano. Ele derrotou Ibraim Lodi, o sultão de Deli, na Primeira batalha de Panipate em 1526 e fundou o Império Mogol. Antes da derrota de Lodi em Deli, o Sultanato de Deli já era uma potência em declínio.

O governante do Reino de Mewar, Rana Sanga, avançou em Babur com uma grande coalizão de senhores da guerra afegãos e rajaputes. Eles entraram em combate na Batalha de Khanwa. Babur conquistou uma vitória decisiva devido ao seu posicionamento minucioso das tropas e de seu uso de pólvora. Esta batalha foi um dos momentos mais decisivos da história indiana e um evento crucial para o estabelecimento do Império Mogol.

Religiosamente, Babur começou a vida como um muçulmano sunita convicto, mas ele passou por evolução significativa. Babur tornou-se mais tolerante a outras religiões a medida em que conquistava territórios e ao passar das idades. Ele permitia que adeptos de várias religiões participassem de sua corte. Ele também demonstrava ter uma inclinação para teologia, poesia, geografia, história, e biologia—disciplinas que ele promovia em sua corte—de modo a torná-lo um associado dos representantes do Renascimento Timúrida. Suas posições filosóficas e religiosas são comumente associadas ao humanismo.

Babur casou-se várias vezes. Seus filhos mais notáveis são seu sucessor Humaium e a autora Gulbadã Begum. Babur morreu em 1530 em Agra e deixou o trono ao seu filho mais velho Humaium. Ele foi inicialmente enterrado em Agra, mas foi depois levado até Cabul e reenterrado lá, como assim desejava. Ele é considerado um herói nacional do Uzbequistão e do Quirguistão. Muitos dos seus poemas tornaram-se músicas folclóricas populares. Ele escreveu o Baburnama na língua chagatai; foi mais tarde traduzido em persa no reinado (1556–1605) de seu neto, o imperador Aquebar.

As memórias de Babur formam a fonte principal de detalhes sobre a sua vida. Elas são conhecidas como Baburnama e foram escritas na língua chagatai, sua língua materna. De acordo com Dale, "sua prosa em turco é altamente persianizada em sua estrutura de frase, morfologia e na formação de palavras e de vocabulário." O Baburnama foi traduzido em persa durante o reinado do neto de Babur, Aquebar.

Babur nasceu em 14 de fevereiro de 1483 na cidade de Andijã, no Vale de Fergana, no atual Uzbequistão. Ele era o filho mais velho de Umar Xaique Mirza II, governante do Vale de Fergana, o filho de Abuçaíde Mirza (que era neto de Mirã Xá, um filho de Tamerlão) e sua esposa Cutluque Nigar Canum, filha de Iunus Cã, governante do Mogulistão e um descendente direto de Gêngis Cã.

Babur veio do clã túrquico dos Barlas, que eram de origem mongol e tinham abraçado a tradição turco-persa. Eles também se converteram ao Islã séculos antes e moravam no Turquestão e em Coração.

Além do turco chagatai, Babur também era fluente em persa clássico, que era a lingua franca da elite timúrida.

Alguns dos parentes de Babur, como seu tio Mamude Cã e Amade Cã, continuaram a identificar-se como mongóis, e permitiram a Babur que ele usasse suas tropas mongóis para ajudar a recuperar suas posses nos anos turbulentos de sua juventude.

Babur obteve muito de seu apoio do povo iraniano e túrquico da Ásia Central, e seu exército era diverso em questão de etnia. Havia sartes, tajiques, pastós, árabes, bem como pessoas do clã barlas e turco-mongóis da Ásia Central.

Como regente timúrida de Fergana

Em 1494, Babur tornou-se o governante timúrida de Fergana, no atual Uzbequistão, depois que seu pai Umar Xaique Mirza morreu "enquanto criava pombos em um pombal mal-construído que desmoronou para baixo da ravina abaixo do palácio". Nesta época, dois de seus tios dos reinos vizinhos, que eram hostis ao seu pai, e um grupo de nobres que queriam que seu irmão mais novo Jaanguir reinasse, ameaçavam a sucessão de Babur ao trono. Seus tios foram impiedosos em suas tentativas de destroná-lo e de eventualmente impedi-lo de tomar outras posses territoriais mais tarde. Babur foi capaz de assegurar o seu trono graças a ajuda de sua avó, Aisã Daulate Begum, apesar de que a sorte também estava envolvida.

A maioria dos territórios ao seu redor eram reinados por seus parentes, sejam eles descendentes de Tamerlão ou de Gêngis Cã. O conflito era constante e comum. Naquele momento, príncipes rivais combatiam entre si pela posse da cidade de Samarcanda, que estava sob o domínio de seu primo paterno. Babur tinha um grande desejo pela captura da cidade. Em 1497, ele realizou um cerco à Samarcanda que durou por sete meses antes de finalmente tomar o controle da cidade. Ele tinha quinze anos e para ele esta campanha foi uma grande conquista. Babur foi capaz de assegurar a cidade apesar de vários de seus soldados desertarem de seu exército, mas depois ele ficou seriamente doente. Enquanto isso, uma rebelião em Fergana entre nobres que favoreciam seu irmão lhe tomaram a cidade. Enquanto ele marchou para recuperá-la, ele deixou Samarcanda com o Sultão Mamude Mirza, e acabou completamente despossuído de ambos os territórios. Ele tinha detido Samarcanda por 100 dias, e considerava esta derrota sua maior perda, lamentando ela até mesmo décadas depois durante sua conquista da Índia.

Por três anos, Babur concentrava-se na formação de um grande exército, recrutando em sua maioria os tajiques de Badaquexão. Em 1500-1501, ele novamente fez um cerco pela cidade de Samarcanda, e ele de fato tomou a cidade, mas logo depois ele tomou um cerco de seu rival mais formidável, Maomé Xaibani, cã dos uzbeques. A situação se tornou tão drástica que Babur foi forçado a dar sua irmã mais velha a Xaibani em casamento como parte do tratado de paz. Só depois disso que Babur e suas tropas foram permitidas a deixar a cidade em segurança. Samarcanda, sua obsessão pela vida toda, foi então novamente perdida. Ele tentou tomar Fergana novamente, mas perdeu a batalha lá também e, escapando com um pequeno grupo de seguidores, vagou pelas montanhas da Ásia Central e tomou refúgio com as tribos nas montanhas. Em 1502, ele já tinha perdido as esperanças de recuperar Fergana; ele não foi deixado com nada e foi forçado a tentar a sorte em outro lugar. Ele finalmente foi para Tasquente, que era governada por seu tio materno, mas ele não foi bem-vindo lá. Babur escreveu, "durante minha pousada em Tasquente, eu passei por muita miséria e humilhação. Sem território, ou esperança de algum dia ter!" Então, durante os dez anos desde que se tornou o governante de Fergana, Babur passou por muitas vitórias breves e se encontrava com frequência sem abrigo e em exílio, recebendo ajuda de amigos e de camponeses.

Cabul era governada pelo tio paterno de Babur, Ulugue Begue II, que morreu deixando como herdeiro apenas uma criança. A cidade foi tomada por Muquim Begue, que era considerado um usurpador e recebia oposição da população local. Em outubro de 1504, Babur foi capaz de cruzar as montanhas nevadas do Indocuche e capturar Cabul de seus adversários, que recuaram para Candaar. Com isto, ele ganhou um novo reino, reestabeleceu suas fortunas e continuou a reinar o território até 1526. Em 1505, devido a baixa remuneração gerada por seu novo reino nas montanhas, Babur começou sua primeira expedição a Índia; em suas memórias, ele escreveu, "Meu desejo pelo Hindustão tem sido constante. Foi no mês de Xabã, com o Sol em Aquário, que nós saímos de Cabul para o Hindustão".

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