Neste Dia

Baccio Bandinelli

Bartholomeo Giovanni di Michelagnolo di Viviano, mais conhecido como Baccio Bandinelli (Florença, 12 de novembro de 1493

Anúncio

Bartholomeo Giovanni di Michelagnolo di Viviano, mais conhecido como Baccio Bandinelli (Florença, 12 de novembro de 1493 - Florença, 7 de fevereiro de 1560) foi um pintor, desenhista e escultor da Itália.

Na sua juventude foi elogiado por Leonardo da Vinci e Michelangelo, e patrocinado pela família Médici, foi contratado para diversas obras importantes, algumas monumentais, atuando principalmente em Florença e Roma, mas grande parte dos seus projetos ficou inacabada ou nem foi iniciada. Absorveu influências diversificadas, formando um estilo eclético, em que predominam elementos clássicos interpretados pelo viés maneirista. Relatos da época afirmam que tinha um temperamento difícil, e teve rivais que denegriram implacavelmente sua imagem, influenciando negativamente a historiografia crítica, mas fez considerável fama enquanto viveu, sendo particularmente louvada sua habilidade no desenho. Nas últimas décadas diversas obras têm sido redescobertas e uma massa de documentos antes inacessíveis tem vindo à luz, levando a uma revisão dos estudos anteriores e consolidando para ele um lugar de destaque entre artistas do Maneirismo italiano.

Filho do ourives florentino Michelagnolo Bernardino di Viviano di Meo, Bandinelli nasceu em Florença em 12 de novembro de 1493, sendo batizado como Bartholomeo Giovanni di Michelagnolo di Viviano. Teve os irmãos Giannozzo Taddeo e Bartholomeo Domenico e a irmã Lucrezia, que foi monja com o nome de Piera no Mosteiro de São Vicente em Prato.

Com o pai foi iniciado na arte, fazendo cópias de obras de Donatello, Masaccio, Verrocchio, Michelangelo e outros mestres. Frequentou esporadicamente o atelier de um pintor menor, Girolamo del Buda, e com 15 anos foi admitido como discípulo no atelier do escultor Giovanni Rustici, onde conheceu Leonardo da Vinci, que admirou as qualidades do seu desenho, considerando-o uma grande promessa e aconselhando-o a abandonar a pintura e se concentrar na escultura. Sua primeira atividade profissional é documentada em 1 de março de 1512, recebendo o pagamento de 10,10 liras por uma pintura para o Convento da Santíssima Anunciada, mas em 6 de março de 1513 o Convento abriu uma queixa contra ele na Guilda dos Pintores por motivo não muito claro, aparentemente por não cumprir o contrato. No documento aparece pela primeira vez com o apelido Baccino. No ano seguinte é dito Baccio quando Juliano de Médici paga 6 ducados a ele e dois familiares, sendo citado como escultor.

Bandinelli foi desde jovem protegido por Michelangelo, que também apreciava seus desenhos, e cujo estilo muito influenciou o seu, e depois tornou-se um artista favorito da poderosa família Médici, em particular os papas Leão X e Clemente VII e o duque Cosme I, permanecendo longos anos ligado a eles por relações de trabalho, e através deles ganhou fama, riqueza e respeitabilidade para sua família, que tinha origens humildes; seu avô Viviano era um ferrador de cavalos. O primeiro resultado artístico importante dessa associação foi uma estátua de São Pedro para a Catedral de Florença, encomendada em 1515 pelo cardeal Júlio de Médici. Pouco depois esculpiu um Orfeu para o Palácio Médici, inspirado no Apolo Belvedere, que foi muito louvado e é a principal criação da fase inicial de sua carreira.

Em torno de 1518 participou da decoração da Santa Casa de Loreto, sob a supervisão de Sansovino, criando um relevo do Nascimento da Virgem Maria, para o qual pode ter recebido ajuda de outros artistas, e que foi deixado incompleto. Depois elaborou dois Gigantes em estuque para a Villa Madama dos Médici, mais tarde destruídos, e em Roma começou uma cópia do Grupo de Laocoonte para ser oferecida ao rei Francisco I da França, que foi interrompida com a morte de Leão X em dezembro de 1521. Sua família até então não tinha um sobrenome estável, e nesta época adotou o sobrenome Brandini. Durante o pontificado de Adriano VI realizou um grande desenho sobre o Massacre dos Inocentes, copiado em gravura alguns anos depois por Agostino Veneziano e Marco Dente, uma das composições gráficas mais ambiciosas de seu tempo, que recebeu aclamação geral e foi importante para a consolidação de seu prestígio.

Depois que Júlio de Médici foi eleito papa em 1523 com o nome de Clemente VII, Bandinelli terminou a cópia do Laocoonte, muito apreciada pelo papa e nunca remetida para a França, sendo instalada no Palácio Médici de Florença. Clemente VII lhe confiou outras encomendas de vulto, entre elas dois grandes afrescos para o coro da Igreja de São Lourenço de Florença, que nunca foram realizados, mas cujos projetos lhe valeram a outorga do título de cavaleiro de São Pedro (Espora de Ouro). Em torno de 1524, na sua biografia de Michelangelo, Paolo Giovio cita Bandinelli como um dos principais escultores de seu tempo. De Clemente também recebeu em 1524 a encomenda do grupo monumental de Hércules e Caco para a Praça da Signoria de Florença, para fazer um par com o celebrado Davi de Michelangelo. A encomenda enfrentou a oposição das autoridades locais, que desejavam atribuí-la a Michelangelo, e o trabalho foi interrompido por problemas técnicos e turbulências políticas. Enquanto isso, em 1525 realizou projetos para pinturas, uma delas da Anunciação, executada e exposta no Mercado Novo de Florença, e projetou um grupo de esculturas para o Castelo de Santo Ângelo de Roma, que não foram terminadas.

Em 1527 ele aparece pela primeira vez com o sobrenome Bandinelli, e em 1529 aparece pela última vez com o sobrenome Brandini, que vinha usando inconsistentemente desde alguns anos antes. Em 1529 criou um relevo de bronze que ofereceu ao imperador Carlos V. Por este trabalho, o imperador se dispôs a outorgar-lhe o título de cavaleiro da Ordem de Santiago, mas a admissão à Ordem exigia comprovação de nobreza. Como Bandinelli era plebeu, forjou um parentesco com os nobres Bandinelli de Siena. A documentação falsa foi aceita e ele foi investido. Essa pretensão de nobreza logo foi denunciada por seus rivais, que lançaram intensos ataques e críticas contra ele, mas foi essencial para as tentativas de ascensão social de seus descendentes nos séculos XVI e XVII.

Em 1530 retomou o trabalho no Hércules e Caco, instalado na praça de Florença em 1534 em meio a muitos protestos, pois a obra se tornara um símbolo do partido dos Médici. Neste meio tempo, ainda em 1530 aceitou uma encomenda da família Doria para uma estátua de Andrea Doria como Netuno, mas jamais a realizou e passaria anos em conflito com a família. Em 1531 fundou uma academia para artistas em Roma, e em 1536 foi contratado para criar tumbas para os papas Leão X e Clemente VII, a serem instaladas na Igreja de Santa Maria sobre Minerva. O projeto previu dois monumentos arquiteturais com estátuas dos papas, oito estátuas de santos, dois relevos grandes em mármore e quatro relevos menores em bronze, ficando responsável também por providenciar a extração do mármore nas minas de Carrara, mas o contrato foi alterado pelos executores testamentários e atribuído a Antonio da Sangallo, o Jovem, e a participação de Bandinelli foi limitada. Não chegou a terminar as obras. Em 1539 foi incumbido de procurar antiguidades para o duque Cosme I de Médici, e partiu para Florença em 1540 para criar a tumba de outro Médici, Giovanni dalle Bande Nere. Teve de interromper também este trabalho ao ser obrigado a voltar a Roma em 1541 para terminar sua parte nas tumbas papais, mas a criação das estátuas dos papas foi delegada para outros artistas e Bandinelli só chegou a concluir as estátuas dos santos João Batista e João Evangelista para a tumba de Clemente, e os santos Pedro e Paulo para a tumba de Leão, junto com três relevos para cada uma.

A partir da década de 1540 seu interesse se voltou para a tentativa de controlar a direção artística das obras florentinas durante o governo de Cosme I de Médici, mas o descompasso entre suas ambições e as suas possibilidades se revela na grandiosidade dos projetos concebidos contra os resultados fragmentários obtidos. A tumba Giovanni dalle Bande Nere nunca foi realizada conforme seu projeto, e sua participação direta se resumiu à estátua do morto e um relevo para a base. Projetou uma vasta reforma na Sala do Cinquecento do Palácio Velho, que incluía uma tribuna monumental, uma escadaria e uma parede com nichos, um conjunto repleto de relevos e esculturas, mas pouco depois Bandinelli perdeu o interesse e abandonou o trabalho. Seus projetos para uma nova fachada para o Palácio Velho, um coro para a Basílica da Santa Cruz, uma grande estátua de mármore de Cosme I para a Catedral, uma fonte para o jardim do Palácio Pitti e um novo Palácio Médici em Pisa nunca foram executados. Entretanto, criou algumas estátuas de bronze, incluindo um grande busto de Cosme I, diversas estatuetas de bronze, e projetou estátuas para uma gruta nos jardins do Palácio Pitti, realizadas por seu assistente Nanni di Stocco. Em 1545 foi recebido na Academia Florentina, criada por Cosme I, voltada para o estudo de literatura, línguas e filosofia, e em 1546 começou o grupo de Cristo morto apoiado por Nicodemos para sua própria tumba, só terminado em 1558.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Baccio Bandinelli | World in Stories