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Baden Powell (músico)

Compositor e violonista brasileiro

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Baden Powell de Aquino (Varre-Sai, 6 de agosto de 1937 – Rio de Janeiro, 26 de setembro de 2000) foi um violonista e compositor brasileiro.

É considerado um dos maiores músicos brasileiros de sua época e um dos maiores violonistas de todos os tempos. Foi incluído na lista 30 maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão (Categoria: "Mestres Acústicos") da revista Rolling Stone Brasil, em 2012.

Filho de Adelina Gonçalves de Aquino e do violinista, sapateiro e escoteiro Lilo de Aquino, nasceu no dia 6 de agosto de 1937 em Varre-Sai, Rio de Janeiro, se mudando para a cidade do Rio de Janeiro aos três meses de idade. Seu nome foi uma homenagem ao general britânico criador do escotismo Robert Stephenson Smyth Baden-Powell, de quem seu pai era fã. É irmão de Vera Gonçalves de Aquino, primo do violonista João de Aquino e pai do pianista e tecladista Philippe Baden Powell e do violonista Louis Marcel Powell (ambos nascidos na França).

Começou a tocar violão com sete anos, aprendendo com seu pai alguns acordes básicos. No ano seguinte, começou a ter aulas com Jayme Florence, o Meira, grande violonista integrante do Regional Benedito Lacerda. Aos 10, incentivado por seu mestre, se apresentou pela primeira vez no famoso programa de calouros da Rádio Nacional Papel Carbono, tocando "Magoado", de Dilermando Reis. Também por influência de seu professor Meira, conheceu os principais músicos de samba e choro da época, entre eles Donga, Ismael Silva e Pixinguinha. Posteriormente, se formou na Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro.[carece de fontes?]

Durante vários anos de sua adolescência, Baden se apresentou em bailes, casas noturnas e programas de rádio no Rio de Janeiro, tornando-se rapidamente um dos músicos mais requisitados em bandas e rodas de choro pela cidade.

Seu primeiro parceiro importante foi Billy Blanco, com quem compôs, por exemplo, a famosa música "Samba Triste", gravada pela primeira vez pela cantora Rosana Toledo. Mas sua parceria mais famosa foi a que construiu com Vinícius de Moraes. Juntos, eles compuseram dezenas de músicas, entre as quais, os aclamados afro-sambas. O Poetinha, além de diplomata, compositor-chave da bossa nova, Vinícius de Moraes (1913 - 1980) e Baden Powell (1937 - 2000) se conheceram em 1960, o jovem compositor em início de carreira artística e a experiência da celebridade consolidada no cenário cultural brasileiro resultou em parceria nas canções: Canção de Ninar Meu Bem, Sonho de Amor e Paz, Canto de Xangô e Canto de Ossanha.

Powell carregava consigo diversas influências musicais sem, no entanto, ficar marcado especialmente por nenhuma delas ao longo de sua carreira. Seu talento foi reconhecido internacionalmente. O violonista gravou parte de seus discos no exterior, em países como França, Alemanha e Japão.[carece de fontes?]

Foi internado, em 22 de agosto de 2000, na Clínica Sorocaba, vítima de uma pneumonia bacteriana grave. Morreu em 26 de setembro de 2000, aos 63 anos, devido a uma infecção generalizada. Seu corpo foi velado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e enterrado no Cemitério de São João Batista.

Interpretação e análise crítica

Baden Powell é apontado como um dos principais violonistas brasileiros do século XX, sendo celebrado pelo virtuosismo, pela originalidade técnica e pela capacidade de integrar elementos do samba, da bossa nova, do jazz e de matrizes afro-brasileiras em uma linguagem própria. Seu legado também inclui a sua atuação como compositor, em especial na parceria com Vinícius de Moraes n'Os Afro-sambas.

Um dos focos da literatura musicológica dedicada a Baden Powell é sua técnica violonística, onde pesquisas acadêmicas analisam sua mão direita, o uso de recursos harmônicos e os arranjos para violão solo, evidenciando inovações que ampliaram o repertório e o vocabulário do instrumento na música popular, chamando atenção para o impacto de sua obra na formação de violonistas e na consolidação do violão popular como área de estudo estruturada.

Outra vertente de investigação concentra-se no ritmo e na métrica. O pesquisador Stephen Guerra identifica o emprego de métricas expandidas, hemíolas e múltiplas linhas de tempo em suas composições e interpretações, aspectos frequentemente associados tanto ao samba tradicional quanto à práticas africanas de organização rítmica.

Do ponto de vista estilístico, a crítica musical situa Baden em um território híbrido, entre a estética da bossa nova (pela convivência e diálogo com a geração da canção intimista) e o universo do samba-jazz e do virtuosismo instrumental. Esta posição intermediária ajuda a explicar a amplitude de sua recepção, ora vinculada ao campo da canção popular, ora associada ao domínio técnico e erudito do violão solo.

Os Afro-Sambas (1966) ocupam um lugar central nas leituras críticas sobre sua obra, sendo apontado como síntese da exploração das matrizes africanas na música popular brasileira, tanto por suas escolhas rítmicas quanto pelas temáticas e sonoridades vinculadas à práticas religiosas e festivas afro-brasileiras. Por outro lado, pesquisas recentes discutem os limites entre revalorização e apropriação de referentes afro-religiosos, examinando como o álbum articula diálogos culturais, invenção e representação de tradições.

1937 — 6 de agosto, nascimento em Varre-Sai, à época distrito do município de Itaperuna, RJ.

1937 — Muda-se, aos três meses de idade, com a família para a cidade do Rio de Janeiro, morando no bairro de São Cristóvão.

1945 — Começa a ter aulas de violão com Jayme Florence, o Meira.

1947 — Participa do programa de calouros Papel Carbono, da Rádio Nacional.

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