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Balduíno IV de Jerusalém

Rei de Jerusalém de 1174 a 1185

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Balduíno IV (1161 – 1185), conhecido como o Rei Leproso, foi o rei de Jerusalém de 1174 até sua morte em 1185. Ele foi admirado por seus contemporâneos e por historiadores posteriores por sua força de vontade e dedicação ao Reino Latino, mesmo enfrentando a debilitante lepra. Escolhendo conselheiros competentes, Balduíno governou um próspero Estado cruzado e conseguiu protegê-lo do governante muçulmano Saladino.

Balduíno apresentou os primeiros sintomas de lepra ainda criança, mas foi diagnosticado apenas após suceder seu pai, o rei Amalrico (r. 1163–1174). Depois disso, suas mãos e rosto tornaram-se progressivamente desfigurados. O conde Raimundo III de Trípoli governou o reino em nome de Balduíno até que ele atingisse a maioridade em 1176. Assim que assumiu o governo, Balduíno planejou uma invasão ao Egito, que não se concretizou devido à falta de cooperação de seus vassalos. Saladino, por sua vez, atacou o reino de Balduíno em 1177, mas o rei e o nobre Reinaldo de Châtillon o repeliram em Montgisard, garantindo fama a Balduíno. Apesar de perder gradualmente a sensibilidade nas extremidades, o jovem rei dominou a equitação e conseguiu lutar em batalhas até seus últimos anos.

A lepra impediu Balduíno de se casar. Ele esperava abdicar quando sua irmã, Sibila, casou-se com Guilherme de Monferrato em 1176, mas Guilherme morreu no ano seguinte. Em 1180, para evitar um golpe liderado pelo conde Raimundo III de Trípoli e pelo príncipe Boemundo III de Antioquia, o rei Balduíno fez Sibila se casar com Guido de Lusignan. Guido foi rejeitado por uma grande parte da nobreza e logo prejudicou permanentemente sua relação com Balduíno. A discórdia interna que se seguiu forçou Balduíno a permanecer como rei, pois apenas ele era capaz de unir a nobreza em conflito. Balduíno repeliu Saladino novamente em 1182, mas a lepra o deixou cego e incapaz de andar ou usar as mãos em 1183. Ele deserdou Guido e coroou o filho de Sibila, Balduíno V, como co-rei antes de ser levado em uma liteira para encerrar o cerco de Saladino a Kerak. Balduíno não conseguiu anular o casamento de Sibila com Guido nem confiscar o feudo de Ascalão de Guido. No início de 1185, ele organizou para que Raimundo governasse como regente do filho de Sibila e morreu antes de 16 de maio.

Apesar de o seu nascimento não ser mencionado em qualquer documento ou história contemporânea, as crónicas permitem estimar a data do seu nascimento em meados de 1161. Aquando do seu nascimento, o seu pai, então conde de Jafa e Ascalão, pediu ao irmão, o rei Balduíno III de Jerusalém, para ser o padrinho do seu filho. Uma vez que este aceitou, a criança foi baptizada com o prenome de Balduíno.

Balduíno III morreu no ano seguinte, sendo sucedido por Amalrico. Para subir ao trono, este foi forçado pela nobreza cruzada a anular o seu casamento com Inês de Courtenay, julgada de personalidade demasiado volátil e propensa a intrigas para se tornar rainha da Cidade Santa.

Inês manteve o título de condessa de Jafa e Ascalão (posteriormente seria também senhora de Sidom) e continuou a receber uma pensão pelo rendimento desse feudo; e a Igreja declarou Balduíno IV e Sibila filhos legítimos do rei, preservando o seu lugar na ordem de sucessão. Amalrico voltaria a casar-se em 1167 com Maria Comnena, de quem nasceria Isabel I de Jerusalém.

Enquanto Sibila foi enviada para ser educada com a sua tia-avó Ioveta, abadessa do convento de Betânia, Amalrico manteve o seu filho na corte de Jerusalém, tendo pouco contacto com a mãe. Aos nove anos de idade, a educação do herdeiro foi confiada ao historiador Guilherme de Tiro. Na sua Historia não poupou elogios ao falar da educação do seu jovem pupilo e, apesar do viés natural do autor, este rei ficaria na história com uma imagem de inteligência e cultura.

Foi também Guilherme quem descobriu que o jovem sofria de lepra, apesar de o diagnóstico só ter sido confirmado quando atingiu a puberdade: ao observar o seu pupilo a brincar com jovens da sua idade, tentando magoar-se uns aos outros com beliscões nos braços, o cronista reparou que Balduíno não parecia sentir dor, ao contrário das restantes crianças.

Esta condição foi imediatamente reconhecida como indício de uma doença grave, que seria identificada conclusivamente como lepra com a chegada da puberdade, quando os sintomas se agravaram. Amalrico procurou a ajuda de vários médicos, inclusivamente muçulmanos, e recorreu a imersões no rio Jordão, uma cura realizada pelo profeta Eliseu de acordo com o Segundo Livro dos Reis da Bíblia, mas nenhum método seria eficaz.

Amalrico morreu a 11 de Julho de 1174, depois de tentar impedir o domínio dos zênguidas sobre o califado egípcio, mas sem sucesso. Mas este domínio não seria completo porque, com a morte em 1171 do conquistador Xircu, o território passou para o controlo do seu sobrinho Saladino, que adoptou uma política dúbia, não totalmente submissa a Noradine. Os estados cruzados tinham agora de enfrentar a sul o poder emergente dos aiúbidas, em vez do poder decadente dos fatímidas.

Balduíno IV foi imediatamente coroado, pelo patriarca latino de Jerusalém Amalrico de Nesle a 15 de Julho, com a idade de treze anos. Uma vez que a maioridade estava definida para o quinze anos, o reino foi colocado sob regência, inicialmente exercida informalmente pelo senescal Milão de Plancy, guerreiro de renome mas que se revelaria um falho político.

Duas semanas depois da coroação, a 28 de Julho, o rei Guilherme II da Sicília desembarcou em Alexandria e pôs cerco à cidade, mas seria derrotado por Saladino a 31 de Julho. Se Milão de Plancy tivesse lançado um ataque simultâneo, é provável que Saladino, ainda em situação precária no poder do Egito, tivesse ficado em uma posição muito desfavorável.

Por ser leproso, não se esperava que Balduíno reinasse por muito tempo ou produzisse um herdeiro, pelo que os nobres do reino posicionaram-se de modo a influenciar os herdeiros de Balduíno: a sua irmã Sibila, na companhia da tia-avó Ioveta no convento de Betânia; e a sua meia-irmã Isabel, na corte da sua mãe Maria Comnena em Nablus (actual Cisjordânia) e na companhia da poderosa família Ibelin.

Entretanto Raimundo III de Trípoli chegou a Jerusalém, exigindo a sua nomeação como bailio e regente, uma vez que era o parente varão mais próximo (primo direito) de Amalrico. Foi apoiado pela maioria da nobreza do reino, incluindo Onofre II de Toron, Balião de Ibelin e Reginaldo de Sidom.

Regência de Raimundo III de Trípoli

Milão de Plancy foi acusado de abusar da sua posição de regente, pelo que os nobres do reino exigiram a sua renúncia. Perante a sua recusa, foi assassinado no final do ano durante uma viagem de inspecção a São João de Acre e Raimundo foi nomeado bailio pela Haute Cour (corte de Jerusalém).

A sul, Saladino planeava tomar as cidades-estado de Alepo, Homs e Damasco, na posse dos herdeiros de Noradine, para dominar a Síria e cercar os estados cruzados, objectivo principal da jiade. Em resposta, Raimundo III apoiou os zênguidas contra o sultão do Egito.

Em 1175 Balduíno acompanhou o seu regente a Homs, em uma operação que forçou Saladino a levantar o cerco a Alepo. Em agradecimento, o emir desta cidade libertou os seus prisioneiros cristãos, entre os quais Reinaldo de Châtillon e Joscelino III de Edessa, apesar de também ser relatado que o segundo só foi libertado quando a sua irmã pagou um resgate de 50 000 dinares, provavelmente com uma ajuda do tesouro real. Depois, Raimundo iniciou várias incursões a territórios muçulmanos com o objectivo de enfraquecer o aiúbida.

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