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Balduíno I de Jerusalém

Balduíno I (c. Década de 1060 – Alarixe, 2 de Abril de 1118) foi um dos líderes da Primeira Cruzada, tendo-se tornado no

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Balduíno I (c. Década de 1060 – Alarixe, 2 de Abril de 1118) foi um dos líderes da Primeira Cruzada, tendo-se tornado no primeiro Conde de Edessa (1098-1100) e no segundo governante de Jerusalém, sucessor do seu irmão Godofredo de Bulhão, e o primeiro com o título de rei da Cidade Santa.

O cronista Fulquério de Chartres descreveu-o como um novo Josué, "o braço direito do seu povo, o terror e adversário dos seus inimigos". Apesar de não o ter conhecido pessoalmente como Fulquério, Guilherme de Tiro comentou que era semelhante ao rei Saúl. Numa tradução livre deste último:

Balduíno foi o terceiro filho do conde bolonhês Eustácio II (do condado que no século XIII esteve nas mãos de D. Afonso III de Portugal) com Ida de Lorena (filha de Godofredo, duque da Lorena). Estava originalmente destinado que a herança do seu pai passasse para o primogénito Eustácio III de Bolonha, e a herança materna, na Lorena, para o segundo filho Godofredo de Bulhão. Sendo o irmão mais novo, Balduíno foi encaminhado para a carreira eclesiástica, no que podia auxiliar as pretensões dos irmãos, mas que abandonou a c.1080.

De acordo com o cronista das cruzadas Guilherme de Tiro, que escreveu depois da morte deste cruzado e não o conheceu pessoalmente: "na sua juventude, Balduíno foi bem acolhido nos estudos liberais. Diz-se que se tornou clérigo e, devido à sua linhagem ilustre, foram-lhe concedidas honrarias e rendimentos nas igrejas de Reims, Cambraia e Liège".

Depois viveu na Normandia, onde se casou com Godeilda de Tosny, filha de Raul de Conches, de uma nobre família anglo-normanda, e anteriormente noiva de Roberto de Beaumont, 1.º Conde de Leicester. Balduíno voltou à Lorena para tomar controlo do Condado de Verdun, anteriormente propriedade de Godofredo.

Em 1096, Balduíno tomou a cruz, com a sua esposa Godeilda os seus irmãos Godofredo e Eustácio, vendendo a maioria das suas propriedades à Igreja para poder pagar as despesas da empresa. Este foi o segundo movimento da Primeira Cruzada, ou a Cruzada dos Nobres, tendo ocorrido anteriormente a fracassada Cruzada Popular, que por onde passara na Europa causara muita destruição e fora aniquilada na Ásia Menor.

Quando Godofredo passou pela Hungria, o rei Colomano da Hungria exigiu um refém para garantir a conduta correcta dos cruzados, e Balduíno ficou em poder dos húngaros até os seus companheiros saírem deste território. Depois de entrar nos domínios do Império Bizantino, houve algumas escaramuças com os gregos, que também tinham sido vítimas da Cruzada Popular. Balduíno comandou um destacamento que capturou uma ponte nas proximidades de Constantinopla.

Depois de alcançar esta cidade, os líderes não conseguiram evitar que as suas forças pilhassem os territórios vizinhos, e o imperador Aleixo I Comneno foi forçado a ceder um refém aos cruzados para repôr a paz. O escolhido foi o seu filho e futuro imperador João II Comneno, que foi confiado a Balduíno. De acordo com Ana Comnena filha e historiadora de Aleixo, Balduíno repreendeu um dos seus soldados quando este ousou se sentar no trono de Aleixo em Constantinopla.

Balduíno acompanhou os irmãos até Heracleia Cibistra, na Ásia Menor, onde se separou do exército principal, acompanhado de Tancredo de Altavila, em direcção à Cilícia. Tancredo pretenderia tomar terras no Oriente para estabelecer um domínio seu, e Balduíno pode ter tido o mesmo objectivo. Durante a sua ausência, Godehilde (ou Godvera) adoeceu e morreu em Marach (actual Kahramanmaraş), o que significava que o agora viúvo não podia contar com o apoio dos domínios da falecida esposa. Alguns historiadores sugerem que toda a estratégia do cruzado se alterou a partir desse momento, outros que as suas intenções antecederam este momento.

Em Setembro de 1097, Balduíno tomou Tarso a Tancredo e instalou as suas forças na cidade, com o auxílio de uma frota de piratas comandada por Guynemer de Bolonha. Os exércitos de Tancredo e Balduíno estiveram em conflito durante algum tempo em Mamistra (a antiga Mopsuéstia), nos arredores de Adana), mas nunca chegaram a uma guerra aberta, tendo o primeiro continuado a sua marcha para Antioquia. Depois de se juntar ao exército principal em Marach, Balduíno recebeu o convite de um arménio chamado Pancrácio, e seguiu para leste, em direcção ao rio Eufrates, onde tomou a fortaleza de Turbessel (actual Tilbeşar).

Entretanto Balduíno recebeu outro convite, desta vez de Teodoro de Edessa. Nas últimas décadas Edessa passara das mãos do Império Bizantino para os arménios, depois para os turcos seljúcidas e por fim de volta aos arménios, liderados por Teodoro. Este resistia aos ataques seljúcidas com dificuldade e por isso decidiu procurar auxílio nos cruzados.

Chegado a Edessa, Balduíno impôs-se pouco a pouco, depois ameaçou partir para se juntar aos restantes cruzados e obrigou Teodoro de Edessa a adoptá-lo como filho e herdeiro. Teodoro professava a fé cristã ortodoxa grega, em conflito com a ortodoxia arménia dos seus súbditos.

Pouco depois, a 9 de Março de 1098, Teodoro foi assassinado, desconhecendo-se se Balduíno esteve envolvido no assunto. Seja como for sucedeu-o, depois de asfixiar uma conspiração de alguns súbditos arménios. Tomando o título de conde de Edessa, uma vez que já era conde de Verdun, prestou vassalagem ao seu irmão Godofredo de Bulhão, governante de Jerusalém.

Durante os dois anos em que esteve à frente do condado, o bolonhês funcionou como embaixador entre os cruzados e os arménios e tomou Samósata (actual Samessate, na Turquia) e Seruje (Sarórgia) aos muçulmanos. Durante o cerco de Antioquia enviou dinheiro e mantimentos ao exército cruzado, apesar de não participar pessoalmente na acção militar.

Querboga, o governador de Moçul, avançava para auxiliar essa cidade, mas antes parou em Edessa, que cercou durante três semanas, não conseguindo tomar a cidade. Mais tarde seria derrotado em Antioquia, onde Boemundo de Taranto estabeleceria o seu principado. Ainda no mesmo ano Balduíno conseguiu consolidar o seu poder para se juntar ao seu irmão Godofredo no cerco a Azaz (na actual Síria), onde derrotaram as forças do governante de Alepo.

Balduíno visitou Jerusalém no final do ano de 1099, juntamente com Boemundo I de Antioquia, mas voltou para Edessa em Janeiro de 1100. Auxiliou os cristãos cercados em Melitene (actual Malátia, capital da província homónima da Turquia), onde Boemundo foi capturado pelos turcos danismêndidas, e recebeu a vassalagem do governante arménio da cidade, Gabriel de Melitene.

Em Edessa os francos criaram boas relações com os seus súditos arménios, e houve vários casamentos entre os dois grupos — os três primeiros condes casar-se-iam com mulheres arménias. Balduíno I casou-se com Arda, filha de Teodoro de Marache, um nobre local. Para as boas relações com os arménios, Balduíno ainda teve o mérito de repelir os turcos com eficácia, o que lhe permitiu aumentar os seus domínios até ao rio Eufrates. Tencionava estender o condado até Diarbaquir e depois Moçul, mas no ano 1100 chegou a notícia da morte de Godofredo de Jerusalém.

Depois da morte de Godofredo de Bulhão em Julho de 1100, Balduíno foi convidado para suceder ao irmão em uma monarquia secular, concedendo o Condado de Edessa ao seu primo Balduíno de Bourcq. A caminho da Cidade Santa foi emboscado por forças seljúcidas de Damasco nas proximidades de Beirute. Vencida essa batalha, chegou a Jerusalém no início de Novembro do mesmo ano.

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