Bamaco (em francês: Bamako, nome também usado em português) é a capital e maior cidade do Mali. Localiza-se nas margens do rio Níger, junto as corredeiras que dividem os vales do Alto e Médio Níger, no sudoeste do país.
É o centro administrativo do país, com um porto fluvial localizado na vizinha Kulikoro, e um importante centro regional de comércio e conferências. Foi um centro muçulmano importante na Idade Média, sendo ocupado pelos franceses em 1883. Tornou-se capital do Sudão Francês em 1908.
Com uma população de 4 227 569 habitantes. É o 7º maior centro urbano da África Ocidental, após Lagos, Abidjã, Cano, Ibadã, Dacar e Acra.
A produção da cidade inclui têxteis, carnes transformadas e bens de metal. Existe comércio piscatório no rio Níger. As coordenadas de Bamaco são 12°38'45" N e 7°59'32" O. O nome Bamako vem da palavra bambara que significa "rio crocodilo".
A área onde encontra-se a cidade foi continuamente habitada desde a era paleolítica pos mais de 150 mil anos. As terras férteis do vale do Rio Níger proporcionava à população um abundante suprimento de alimento e os primeiros reinos da região se desenvolveram estabelecendo rotas comerciais com toda a África Ocidental, Saara, chegando ao norte da África e Europa. Os primeiros habitantes comercializavam ouro, marfim, noz-de-cola e sal. No século XI, o Império do Gana tornou-se o primeiro reino a dominar a região. Bamaco tinha se tornado uma grande cidade-mercado e um centro para os estudiosos islâmicos, com o estabelecimento de duas universidades e numerosas mesquitas dos tempos medievais.
O Império do Mali cresceu durante o início da Idade Média e substituiu o de Gana como reino dominante na África Ocidental, dominando Senegal, Gâmbia, Guiné e Mauritânia. No século XIV, o Império do Mali tornou-se cada vez mais rico devido ao comércio de algodão e sal. Este acabou sendo sucedido pelo Império Songai e, no século XVI, invasores berberes do Marrocos destruíram o que restava dos reinos no Mali e o comércio transaariano passou a ser controlado por marinheiros.
No final do século XIX, os franceses dominaram grande parte da África Ocidental, e, em 1883, a atual Mali tornou-se parte da colônia do Sudão Francês, com Bamaco tornando-se sua capital em 1908. O cultivo do algodão e arroz foi estimulado através de grandes projetos de irrigação e de uma nova ferrovia ligando Mali ao Dacar, na costa atlântica. Mali foi anexada em seguida à África Ocidental Francesa, uma federação que durou de 1895 a 1959.
Mali conquistou a independência da França em abril de 1960, sendo posteriormente estabelecida a República do Mali. Nesta época, Bamaco tinha uma população de aproximadamente 160 000. Durante a década de 1960, o país tornou-se socialista e Bamaco foi objeto de investimentos e influência soviética. No entanto, a economia declinou quando as empresas estatais entraram em colapso e a agitação foi generalizada. Finalmente, Moussa Traoré liderou um golpe bem-sucedido e governou Mali por 23 anos. No entanto, seu governo foi caracterizado por secas severas, má gestão e problemas de escassez de alimentos.
Na década de 1980, o povo de Bamaco e do Mali fizeram campanha por uma economia de livre mercado e democracia multipartidária. Em 1990, o Congresso Nacional de Iniciativa Democrática (Congrès National d'démocratique Initiative, CNID) foi criado pelo advogado Mountaga Tall e a Aliança pela Democracia no Mali (Alliance pour la démocratie au Mali, ADEMA) por Abdramane Baba e pelo historiador Alpha Oumar Konaré. Estes, junto com a Association des élèves et étudiants du Mali (AEEM) e com a Associação Maliana dos Direitos Humanos (Association Malienne des Droits de l'Homme, AMDH), tinham como objetivo a expulsão de Moussa Traoré. Nos termos da antiga constituição, todos os sindicatos tinham que pertencer a uma confederação, a União Nacional dos Trabalhadores do Mali (UNTM). Quando a liderança do UNTM se desligou do governo em 1990, a oposição cresceu. Grupos foram acionados por cortes de pagamentos e demissões no setor do governo, e pela pressão dos doadores internacionais para o governo privatizar grandes áreas da economia, que haviam permanecido em mãos públicas, mesmo após a derrubada do governo socialista em 1968. Os estudantes, até mesmo as crianças, desempenharam um papel crescente nas marchas de protesto em Bamaco, e as residências e empresas dos associados com o regime foram saqueadas pela multidão.
Em 22 de março de 1991, uma marcha de protesto em grande escala em Bamaco central foi violentamente reprimida, com estimativa de 300 mortos. Quatro dias depois, um golpe militar depôs Traoré. O Comitê de Transition pour le Salut du Peuple foi criado, chefiado pelo general Amadou Toumani Touré. Alpha Oumar Konari tornou-se oficialmente presidente em 26 de abril de 1992.
Bamaco está situada na várzea do rio Níger, o que dificulta o desenvolvimento ao longo da margem do rio e do seus afluentes. Bamaco é relativamente plana, exceto ao norte onde há uma escarpa, o que restou de um vulcão extinto. O Palácio Presidencial e o principal hospital estão localizados nesta área.
Originalmente, a cidade desenvolveu-se no lado norte do rio, mas a medida que ela crescia, pontes foram sendo construídas para conectar o norte ao sul.
Bamaco tem um clima saheliano quente e úmido, na média, é muito quente durante todo o ano. Na classificação do clima de Köppen, Bamaco possui um clima tropical úmido e seco. A temperatura máxima média ultrapassa os 30 °C todos os meses, sendo os meses mais quentes março, abril e maio, onde a temperatura máxima alcança uma média de 35 °C. A temperatura máxima registrada, 46º, ocorreu no mês de maio. Os meses mais frios são novembro, dezembro e janeiro com temperatura mínima média de 16 a 19 °C, porém, a temperatura pode variar muito com picos de 36 °C. Durante o inverno, as chuvas são muito escassas, com pouca chuva de outubro a abril, que pode levar à seca entre dezembro e fevereiro. A estação chuvosa ocorre no verão com o pico de precipitação entre julho e setembro.
O Distrito de Bamaco é dividido em seis comunas desde a Portaria n º 78-34/CNLM de 18 agosto de 1978, e alterada por uma lei em fevereiro de 1982 que estabeleceu novos limites das comunas III e IV. Cada comuna é administrada por um conselho municipal e um prefeito eleito entre os seus membros. As últimas eleições foram realizadas em 26 de abril de 2009 e a Aliança para a Democracia no Mali obteve a maioria dos representantes das comunas. Em 2007 Adama Sangaré, torna-se o prefeito da cidade.
Comuna I: possui uma população de 335 407 habitantes (censo preliminar de 1 de abril de 2009) e cobre uma área de 34,26 km². Faz limite a norte com a comuna rural de Djalakorodji (Cercle de Kati), a oeste pela Comuna II, a nordeste pela comuna rural de Sangarébougou (Cercle de Kati), a leste pela comuna rural de Gabakourou e ao sul pelo rio Níger. Nove bairros compõem esta comuna: Banconi, Boulkassombougou, Djélibougou, Doumanzana, Fadjiguila, Sotuba, Korofina Nord, Korofina Sud e Sikoroni.
Comuna II: possui uma população de 159 805 habitantes (censo preliminar de 1 de abril de 2009) e cobre uma área de 16,81 km². Faz limite a leste pelo remanso do Korofina, a oeste pelo sopé da colina Point G, a norte pelo limite norte do distrito e ao sul pelo rio Níger. A comuna possui onze bairros: Niaréla (o mais antigo), Bagadadji, Médina-Coura, Bozola, Missira, Hippodrome (Hipódromo), Quinzambougou, Bakaribougou, TSF, Zone industrielle (Zona Industrial) e Bougouba. Esta é a área mais importante no setor industrial em Bamaco.
Comuna III: possui uma população de 128 872 habitantes (censo preliminar de 1 de abril de 2009) e cobre uma área de 23 km². Faz limite a norte pelo Cercle de Kati, a leste pelo Boulevard du Peuple, que a separa da Comuna II, a sul pela parte do rio Níger, entre a Pont des Martyrs e o Motel de Bamaco, e a oeste pela Comuna IV. A Comuna III é o centro administrativo e comercial de Bamaco. Ela acomoda em especial os dois maiores mercados da capital, o Grande Mercado (Dabanani) e o Didida. Vinte bairros compõem a comuna e as aldeias de Koulouninko e Sirakorodounfing foram anexadas à Comuna III.