Bananal, oficialmente Estância Turística de Bananal, é o município no extremo leste do estado de São Paulo e fica na divisa com a cidade de Barra Mansa, no estado vizinho do Rio de Janeiro, na Região Geográfica Imediata de Cruzeiro, Vale do Paraíba. De acordo com o Censo 2022, sua população é de 9 969 habitantes e a área é de 616,429 km², o que resulta numa densidade demográfica de 16,17 hab./km². O município é formado pela sede e pelo distrito de Rancho Grande.
Umas cidades mais ricas durante o ciclo do Café, conserva muitos edifícios históricos dos séculos XVIII e XIX, tais quais fazendas, igrejas e palacetes urbanos com seus azulejos portugueses, cristais belgas e móveis importados. Devido à sua riqueza histórica, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT) promoveu o tombamento do núcleo urbano da cidade por seu "valor histórico e arquitetônico", sendo um importante destino turístico do Vale do Paraíba e Vale Histórico. Atrai turistas do Brasil inteiro, principalmente nos setores do turismo histórico, cultural e arquitetônico, além do ecoturismo, uma vez que o município conta com piscinas naturais de águas claras e fundo de areia branca, e o turismo de aventura, por ser cercado pelas montanhas das serras da Bocaína e da Mantiqueira.
Bananal é um dos 29 municípios paulistas considerados estâncias turísticas pelo estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do Estado para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar junto a seu nome o título de Estância Turística, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.
O nome Bananal é derivado do rio homônimo que corta a cidade, cujo nome é uma corruptela do nome que os indígenas puris, primeiros habitantes da região, davam ao curso da água: Banani, que significa “rio sinuoso”.
A região do município de Bananal, originalmente habitada pelos indígenas puris, começou a ser povoada no final do século XVII e início do século XVIII, por estar situada na rota dos viajantes e tropeiros que se dirigiam a Minas Gerais.
Em 1770, foi edificado um novo caminho entre São Paulo e Rio de Janeiro e, para povoá-lo, em 1783, o capitão-mor Manuel da Silva Reis foi incumbido de distribuir 13 sesmarias criadas na região, como a de João Barbosa de Camargo, que, naquele ano, junto com sua esposa Maria Ribeiro de Jesus, edificaram uma capela em louvor ao Bom Jesus do Livramento, com escritura lavrada em 10 de fevereiro de 1785 em Guaratinguetá. Ao redor do templo, formou-se a povoação de Bom Jesus de Bananal, elevada à categoria de freguesia, subordinada à vila de Lorena, por alvará de 26 de janeiro de 1811. Em 1816, Bananal passou a pertencer à nova vila de Areias.
Por meio de Decreto-lei, de 10 de julho de 1832, foi desmembrada de Areias a vila de Bom Jesus do Bananal, a qual foi instalada em 17 de março de 1833.
Em 18 de junho de 1842, pelo Decreto nº 180, devido às revoltas liberais daquele ano na Província de São Paulo, a vila de Bom Jesus de Bananal foi anexada à Província do Rio de Janeiro, retornando à província paulista pelo Decreto nº 215, de agosto do mesmo ano. Posteriormente, foi proposto anexar Bananal ao Rio de Janeiro, o que foi negado, devido à sua importância econômica para São Paulo. Em 1860, havia no município (imprensa, tribuna parlamentar e câmara municipal) um desejo de pertencer ao Rio de Janeiro, por sua posição topográfica, relações comerciais, cultura e índole da população, conveniências administrativas e econômicas. Bananal se encontrava isolada e deslocada em limites territoriais desfavoráveis para sua marcha industrial e agrícola.
Por meio da Lei nº 17, de 3 de abril de 1849, a vila de Bom Jesus de Bananal foi elevada à categoria de cidade, com o nome de Bananal, e, pela Lei Provincial nº, 16 de março de 1858, foi elevada à categoria de sede de comarca.
No início do século XIX, o café chegou a Bananal, vindo do estado vizinho do Rio de Janeiro, e logo prosperou ali, devido aos solos férteis e ao clima. Formaram-se, na região, fazendas de plantation de monocultura e uso da mão-de-obra africana escravizada. Em 1836, a vila era a segunda maior produtora do grão em São Paulo. O cultivo cafeeiro trouxe crescimento à sede municipal e, em 1854, o município era o maior produtor paulista de café e um dos mais ricos da província.
No período de acelerado crescimento da cultura cafeeira na região do Vale do Paraíba, mais especificamente entre 1836 e 1837, a então vila de Bananal produziu 64.822 arrobas de café (quase 1 tonelada); 11% do total da produção da Província de São Paulo. Em Bananal, estavam estabelecidas 82 fazendas com 8 engenhos de açúcar e 12 destilarias de aguardente. Cada uma delas teve seu local de implantação cuidadosamente analisado:A escolha do sítio; a forma do assentamento; o condidonamento à presença da água para o aproveitamento da energia hidráulica; a adequação das edificações destinadas ao beneficiamento, armazenamento, habitação e atividades subsidiárias [...].Em 1860, pelos relatos de Augusto Emílio Zaluar, Bananal ficava em um terreno baixo, escondida em suas próprias construções, onde nem os edifícios nem o horizonte podiam ser vistos. As ruas eram planas e alinhadas, e seus nomes seguiam os de outras tantas povoações: variantes da rua do Rosário, Direita, Lavapés etc. "o aspecto geral da cidade é risonho".
Alguns edifícios importantes que se sobressaíam eram a matriz, a câmara e cadeia, e o cemitério. Zaluar, que descreveu a cidade, fez uma crítica:são pobres, feios, mal construídos, e, relêvem-nos a franqueza, indignos de um município onde há tantos elementos de riqueza, fazendeiros tão abastados e de bom gosto, e finalmente de uma povoação onde se ostentam muitos prédios particulares que pela sua magnificência e riqueza mais amesquinham obras que se deviam construir com a solidez conveniente, e de acordo com os preceitos da arte, de que parecem inteiramente deserdadas.À época, as obras da Santa Casa de Misericórdia estavam paradas por conta do falecimento de seu benfeitor e a falta de uma segunda pessoa (ou instituição) que arcasse com sua conclusão. A Matriz receberia renovação interna, que seria realizada por José María Villaronga. Havia duas escolas particulares para 20 meninos e uma pública para duas meninas. Não havia barbeiro. Dos prédios particulares que eram dignos de nota em 1860, estavam as casas do Comendador Manuel de Aguiar Valim, de Manuel Venâncio Campos da Paz, de Dona Maria Joaquina de Almeida e de Luís Ribeiro de Sousa.
Em 1887, Bananal era o segundo maior município escravista do estado de São Paulo, com 4.182 habitantes. Sendo menor apenas que Campinas, que possuía 9.986 habitantes. Ocupava também a segunda posição em termos de valor dos escravizados que ali viviam: 2.604 contos de réis (em Campinas eram 6.851 contos de réis). Podendo Bananal ser considerado como um dos municípios "da maior importância cafeeira".
No final do século XIX, o ciclo do café em Bananal e no do Vale do Paraíba entrou em decadência. Décadas mais tarde, a pecuária leiteira e, em menor escala, o cultivo de algodão, passaram a ser a base da economia local.
Em 1991, o distrito de Arapeí se desmembrou de Bananal, tornando-se um novo município.
Dentre as fazendas do ciclo do café no município, destacam-se
O município de Bananal está localizado no extremo leste do estado de São Paulo, na região do Vale do Paraíba, na divisa com o estado do Rio de Janeiro.
Faz divisa com os municípios fluminenses de Barra Mansa a norte, Rio Claro a leste e Angra dos Reis a sul, assim como os paulistas de São José do Barreiro e Arapeí a oeste.[carece de fontes?]