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Barbacena (Minas Gerais)

Município brasileiro do estado de Minas Gerais

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Barbacena é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. É a maior cidade e o principal polo econômico, comercial e de serviços da região do Campo das Vertentes , ocupando uma área de cerca de 760 km², sendo que 28,6 km² estão em perímetro urbano. Sua população foi estimada em 125 317 habitantes em 2022.

Barbacena é conhecida em todo o Brasil e também no exterior como a "cidade das rosas", em função da grande produção local desta flor. O município também é conhecido como a "cidade dos loucos", pelo grande número de hospitais psiquiátricos instalados no local.

A atual cidade de Barbacena nasceu na cabeceira do Rio das Mortes. Era habitado originalmente pelos povos indígenas puris. A região começou a ser colonizada a partir do século XVII por bandeirantes oriundos de São Paulo à procura de ouro, pedras preciosas e mão de obra compulsoria indígena. Os bandeirantes se estabeleceram no local chamado Borda do Campo, também denominado Campolide, onde erigiram a capela de Nossa Senhora da Piedade.[carece de fontes?]

Era a Fazenda da Borda do Campo, de propriedade, desde o fim do século XVII, dos bandeirantes capitão-mor Garcia Rodrigues Pais e coronel Domingos Rodrigues da Fonseca Leme (seu cunhado), posse oficializada por uma carta de sesmaria, de 1703. Ficava às margens do Caminho Novo da Estrada Real para o Rio de Janeiro, empreendimento iniciado às expensas do capitão-mor Garcia Rodrigues Pais em 1698 e que Domingos Leme ajudou a concluir. Garcia Rodrigues Pais também recebeu carta de sesmaria das suas posses antigas na Borda do Campo em 1727. A propriedade, tempos depois, passou às mãos do inconfidente José Ayres Gomes.[carece de fontes?]

Em 1711, a localidade participou de um feito épico: hospedou, às custas de Domingos Rodrigues da Fonseca Leme, o governador da capitania, Antônio de Albuquerque, acompanhado de um exército de 6 000 homens, que ali acampou em marcha de socorro à cidade do Rio de Janeiro, então invadida pelos franceses da esquadra de René Duguay-Trouin. Domingos Leme integrou, ainda, este exército com duzentos de seus homens.[carece de fontes?]

Em 1725, o quarto bispo do Rio de Janeiro, o frei Dom Antônio de Guadalupe, criou a Freguesia de Nossa Senhora da Piedade, que teve a antiga capela como sede provisória até 1730, foi o primeiro vigário o Pe. Luiz Pereira da Silva, passando depois a sede, para a Capela de N. S. do Pilar do Registro Velho (atual Sá Fortes) capela esta que caiu em ruínas e desapareceu por completo em meados do século XIX.

Em 19 de agosto de 1728 na primeira visita pastoral de D. Frei Antônio de Guadalupe, foi escolhido o "sítio da Igreja Nova" - a atual Matriz - sendo a 9 de dezembro de 1743, demarcado o local pelo Pe. Manoel da Silva Lagoinha, com uma Cruz de madeira e iniciada na mesma data a edificação do templo com as licenças do bispo D. Frei João da Cruz.

Em 27 de novembro de 1748, a freguesia foi transferida para a Igreja Nova de Nossa Senhora da Piedade (atual matriz), arquitetada pelo mestre Alpoim. Em torno da igreja, erigiu-se o "Arraial da Igreja Nova de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo", chamado também de Arraial ou freguesia da Borda do Campo ou ainda de Arraial da Igreja Nova do Campolide e o templo entregue ao culto pelo Pe. Antônio Pereira Henriques, então vigário, autorizado pelo primeiro bispo de Mariana Dom Frei Manoel da Cruz, por provisão de 15 de novembro de 1748. As obras, entretanto, prosseguiriam até 1764, ano de sua conclusão.

Pertenciam ao arraial e depois Vila de Barbacena cinco dos inconfidentes:

Domingos Vidal Barbosa Lage, irmão do brigadeiro José Vidal; obteve comutação da pena de morte, foi exilado para a Ilha de S. Tiago do Cabo Verde, onde faleceu oito meses após a sua chegada, no Convento de S. Francisco da Cidade de Ribeira Grande.

Coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes, morreu no degredo, em Bié na África.

Padre José Lopes de Oliveira, falecido no cárcere na fortaleza de São Julião da Barra, em Lisboa.

Padre Manuel Rodrigues da Costa, proprietário da Fazenda e Capela do Registro Velho, depois de preso e degredado para Portugal retornou ao Brasil e tomou parte ativa nos acontecimentos do "Fico", da Independência, foi eleito para as Cortes em 1820 e participante da Revolução Liberal de 1842.

José Aires Gomes, Coronel de milícias, um dos subscritores da petição ao Visconde de Barbacena para a criação da Vila, proprietário da Fazenda da Borda do Campo, onde hospedou Tiradentes e foi local de "conventículos" da Inconfidência, morreu no exílio no presídio de Inhambane em Moçambique.

Também morava na Freguesia da Borda do Campo o inconfidente-delator Joaquim Silvério dos Reis, e segundo Joaquim Norberto de Souza e Silva, autor do primeiro livro brasileiro sobre a Inconfidência Mineira, "não esqueceu o Governador (Visconde de Barbacena) a circunstância de nascer a denúncia da Conjuração na bela povoação da Borda do Campo e elevou-a à Vila com o seu nome".

Após a morte de Tiradentes, a vila de Barbacena recebeu um dos seus braços, que teria sido erguido numa "picota" no adro da Igreja de Nossa Senhora do Rosário em cujo adro teria sido sepultado. A bandeira e as armas e brasão da cidade, que contém um braço estendido, memorizam este fato.

Em 14 de agosto de 1791, foi criada a Vila de Barbacena e erigido o respectivo pelourinho e Câmara pelo Visconde de Barbacena, D. Luís Antônio Furtado de Mendonça, então governador e capitão-general da capitania, que deu à vila o seu próprio título (originalmente, de Barbacena, em Portugal).

Barbacena, por meio de sua Câmara, foi a primeira vila de Minas Gerais a enviar representação a D. Pedro I, então príncipe regente, em favor do "Fico" (ocorrido em 9 de janeiro de 1822). Em 11 de fevereiro de 1822, a Câmara de Barbacena dirigiu ao príncipe regente numa representação demonstrando franco apoio, e afirmando que, caso fosse preciso, os cidadãos da Vila estavam preparados para descer "em massa" ao Rio de Janeiro tomando armas em defesa do Príncipe. Estes atos lhe valeram o título de nobre e muito leal, conferido por decreto, de 24 de fevereiro de 1823 e alvará de 17 de março do mesmo ano.

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