Barbara Joan "Barbra" Streisand (Brooklyn, Nova Iorque, 24 de abril de 1942) é uma cantora, atriz e diretora estadunidense de origem judaica. Com uma carreira de mais de seis décadas, alcançou sucesso em vários campos do entretenimento e está entre os poucos artistas premiados com Emmy, Grammy, Óscar e Tony (EGOT). Começou sua carreira se apresentando em casas noturnas e teatros da Broadway, no início dos anos de 1960. Após suas participações em vários programas de televisão, assinou contrato com a Columbia Records, que conseguiu contratá-la após ceder total controle sobre suas produções, sendo esse tipo de exigência notória ao longo de sua carreira. O primeiro disco, The Barbra Streisand Album, foi lançado em 1963, e premiou-a com dois prêmios Grammy. Ao longo de sua carreira musical, atingiu a posição de #1 na parada da Billboard 200, dos Estados Unidos, com 11 álbuns - um recorde para uma mulher - incluindo os álbuns People (1964), The Way We Were (1974), Guilty (1980) e The Broadway Album (1985). Também possui cinco singles em primeiro lugar na Billboard Hot 100, dos Estados Unidos - "The Way We Were", "Evergreen", "You Don't Bring Me Flowers", "No More Tears (Enough Is Enough)" e "Woman in Love".
Seguindo o sucesso na música, estabelecido na década de 1960, se aventurou no cinema no final daquela década. Estrelou o filme aclamado pela crítica Funny Girl (1968), pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Atriz. A notoriedade de seu trabalho seguiu com filmes que incluem: o musical Hello, Dolly! (1969), a comédia What's Up, Doc? (1972), e o drama romântico The Way We Were (1973). Ganhou um segundo Óscar por escrever a música tema de A Star Is Born (1976), tornando-se a primeira mulher a ser premiada como compositora. Com o lançamento de Yentl (1983), tornou-se a primeira mulher a escrever, produzir, dirigir e estrelar um filme para um grande estúdio. O filme ganhou um Oscar de Melhor Trilha Sonora e um Globo de Ouro de Melhor Filme Musical. Recebeu o Globo de Ouro de Melhor Diretor, tornando-se a primeira (e por 37 anos, a única) mulher a ganhar esse prêmio. Posteriormente, dirigiu The Prince of Tides (1991) e The Mirror Has Two Faces (1996).
Com vendas estimadas que variam entre 150 e 200 milhões de discos em todo o mundo, Streisand é um dos artistas mais vendidos de todos os tempos. De acordo com a Recording Industry Association of America (RIAA), é a artista feminina com mais álbuns com certificados nos Estados Unidos, 68,5 milhões de unidades, junto com a cantora Mariah Carey. A Billboard a classificou como a maior artista feminina na parada Billboard 200 e a maior artista feminina nas charts de Adult Contemporary de todos os tempos. Seus prêmios incluem dois prêmios da Academia, dez prêmios Grammy, incluindo o Grammy Lifetime Achievement Award e o Grammy Legend Award, cinco prêmios Emmy, quatro Prêmio Peabody, a Medalha Presidencial da Liberdade e nove Globos de Ouro. Após uma polêmica em 2003, envolvendo a divulgação de fotos da sua residência, Barbra causou um efeito social que atualmente leva o nome de efeito Streisand em homenagem ao caso. Em 2023, a artista lançou sua autobiografia, intitulada My Name Is Barbra.
Nasceu em 24 de abril de 1942, no Brooklyn, em Nova Iorque, filha de Diana (nascida Ida Rosen) e Emanuel Streisand. Sua mãe tinha sido soprano na juventude e considerou uma carreira na música, mas mais tarde se tornou uma secretária escolar. Seu pai era professor de segundo grau na mesma escola de sua mãe, e foi lá onde os dois se conheceram. A família era judia. Seus avós paternos emigraram da Galícia (Polônia-Ucrânia) e seus avós maternos da Rússia, onde seu avô tinha sido cantor.
Em agosto de 1943, alguns meses após o primeiro aniversário, seu pai morreu, aos 34 anos, de complicações de uma crise epiléptica, possivelmente resultante de um ferimento na cabeça que ocorrera anos antes. A família passou dificuldades financeiras e sua mãe passou a trabalhar como contadora, recebendo um salário de valor baixo. Já adulta, lembrou-se dessa época e disse lembrar-se de como sempre se sentia um "pária", explicando: "O pai de todo mundo voltava do trabalho no final do dia. O meu não". Sua mãe tentou, pagava suas contas, mas não podia dar à filha a atenção que ansiava: "Quando eu queria o amor de minha mãe, ela me dava comida", disse.
Sua mãe tinha uma "grande voz" e cantava semi-profissionalmente na ocasião. Durante uma visita a Catskills, quando tinha 13 anos, ela e sua mãe gravaram algumas canções, aquela sessão foi a primeira vez em que se afirmou como artista e também seu "primeiro momento de inspiração".
Streisand tem um irmão mais velho, Sheldon, e uma meia-irmã, a cantora Roslyn Kind, do casamento de sua mãe com Louis Kind, que ocorreu em 1949.
Começou sua educação na Judaica Ortodoxa Yeshivá, do Brooklyn, quando tinha cinco anos. Era considerada inteligente e curiosa sobre tudo; no entanto, tinha pouca disciplina e costumava gritar com as pessoas na escola. Em seguida, entrou na Public School 89, no Brooklyn, e durante os primeiros anos escolares começou a assistir televisão e a ir ao cinema. "Eu sempre quis ser alguém, ser famoso... Você sabe, sair do Brooklyn".
Ficou conhecida em sua vizinhança por sua voz, e lembra-se de sentar na varanda em frente ao prédio e cantar: "Eu era considerada a garota com a boa voz". Esse talento tornou-se uma forma de chamar a atenção. Costumava praticar seu canto no corredor de seu prédio, que possuía grande quantidade de eco.
A estreia como cantora ocorreu em uma assembleia do PTA, onde se tornou uma revelação para todos, exceto para sua mãe, que era bastante crítica. Foi convidada para cantar em casamentos e acampamentos de verão, além de ter uma audição malsucedida na MGM Records quando tinha nove anos. Quando tinha 13 anos, sua mãe começou a acreditar no seu talento, ajudando-a a fazer uma fita demo de quatro músicas, incluindo "Zing! Went the Strings of My Heart" e "You'll Never Know".
Tornar-se atriz era seu principal objetivo. Esse desejo se tornou mais forte quando viu sua primeira peça na Broadway, The Diary of Anne Frank, quando tinha 14 anos. A estrela da peça era Susan Strasberg, cuja atuação queria imitar. Começou a passar seu tempo livre na biblioteca, estudando as biografias de várias atrizes de palco, como Eleanora Duse e Sarah Bernhardt. Além disso, começou a ler romances e peças de teatro e estudar as teorias de atuação de Konstantin Stanislavski e Michael Chekhov.
Frequentou a Erasmus Hall High School, no Brooklyn, em 1956, onde se tornou uma estudante honorária em história moderna, inglês e espanhol e se juntou ao Freshman Chorus and Choral Club, onde cantou com outro membro do coral e colega de classe, Neil Diamond. Diamond relembra: "Éramos duas crianças pobres no Brooklyn. Saíamos na frente da Erasmus High e fumávamos cigarros". A escola ficava perto de um cinema de arte, e ele lembra que sempre estava atenta aos filmes que eles exibiam. Também em sua classe no Erasmus Hall estava Bobby Fischer, que foi campeão americano de xadrez em 1957.
Durante o verão de 1957, teve sua primeira experiência de palco no Playhouse em Malden Bridge, Nova Iorque. Essa pequena aparição foi seguida por um papel como a irmã mais nova em Picnic e um como uma vampira em Desk Set. Em seu segundo ano, conseguiu um emprego noturno no Cherry Lane Theatre, no Greenwich Village, ajudando nos bastidores. Quando estava no último ano, ensaiou para um pequeno papel em Driftwood, uma peça encenada em um sótão no centro da cidade.
Em janeiro de 1959, aos 16 anos, formou-se no Erasmus Hall e, e apesar dos apelos de sua mãe para que ficasse fora do show business, começou a tentar conseguir papéis no palco da cidade de Nova Iorque. Depois de alugar um pequeno apartamento na rua 48, no coração do distrito dos teatros, aceitava qualquer trabalho que pudesse envolvendo o palco, e em todas as oportunidades "circulava" pelos escritórios de elenco.
Com 16 anos e morando sozinha, teve vários empregos braçais para ter alguma renda. Durante um certo período, não teve um endereço permanente e se viu dormindo na casa de amigos ou em qualquer outro lugar onde pudesse montar o berço do exército que carregava. Quando muito necessitada, voltava ao apartamento da mãe, no Brooklyn, para uma refeição caseira. Sua mãe ficou horrorizada com o "estilo de vida cigano" da filha, escreveu a biógrafa Karen Swenson, e novamente implorou que desistisse de tentar entrar no show business, mas considerou os apelos de sua mãe um motivo a mais para continuar tentando: "Meus desejos foram fortalecidos por querer provar para minha mãe que eu poderia ser uma estrela".