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Basílica de Santa Maria Maior

Santa Maria Maggiore ou Basílica de Santa Maria Maior é uma das quatro basílicas maiores, uma das sete igrejas de peregr

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Santa Maria Maggiore ou Basílica de Santa Maria Maior é uma das quatro basílicas maiores, uma das sete igrejas de peregrinação e a maior igreja mariana de Roma — motivo pelo qual ela recebeu o epíteto de "Maior". Foi a primeira igreja do Ocidente dedicada a Maria em honra a Jesus Cristo, e tem uma celebração específica na liturgia católica rememorando o fato: a Dedicação de Basílica de Santa Maria Maior.

Depois do Tratado de Latrão de 1929, firmado entre a Santa Sé e o Reino da Itália, Santa Maria Maggiore permaneceu como parte do território italiano e não do Vaticano. Porém, a Santa Sé é proprietária do edifício e do terreno onde ele está e o governo italiano é obrigado, legalmente, a reconhecer este fato e a conceder a ela a imunidade concedida pelo Direito Internacional às embaixadas de agentes diplomáticos de estados estrangeiros.

Desde 4 de julho de 2025, o arcipreste protetor da basílica é Rolandas Makrickas,que é também cardeal-diácono da diaconia de Santo Eustáquio. Antigamente, o arcipreste era o patriarca latino de Antioquia, um título abolido em 1964.

A basílica é por vezes chamada de "Nossa Senhora das Neves", seu nome no Missal Romano entre 1568 e 1969 e uma referência à festa litúrgica da dedicação do edifício a Nossa Senhora em 5 de agosto, que, na mesma época, era chamada de "Dedicatio Sanctae Mariae ad Nives" em latim. Este nome tornou-se popular no século XIV e é, por sua vez, uma referência a uma tradição lendária que a Enciclopédia Católica (1911) descreve assim: "Durante o pontificado de Libério, o patrício romano João e sua esposa, que não tinham filhos, fizeram um voto de que doariam todas as suas posses à Virgem Maria. Eles rezaram para que Ela lhes indicasse como eles deveriam se desfazer de suas posses para homenageá-La. Em 5 de agosto, numa noite no auge do verão em Roma, nevou no alto do monte Esquilino. Obedecendo a uma visão da Virgem que tiveram na mesma noite, o casal construiu a basílica em homenagem a ela no local exato que estava coberto de neve. Baseado no fato de que não menção alguma a este suposto milagre até séculos depois, nem mesmo por Sisto III em sua inscrição dedicatória de oito linhas… é bastante provável que esta lenda não tenha nenhuma base histórica".A lenda só seria mencionada depois de 1000. O nome continuava a ser utilizado no século XV, como demonstra a pintura do "Milagre da Neve" de Masolino da Panicale.

A festa da dedicação da igreja era celebrada apenas em Roma até ser incluída pela primeira vez no Calendário Geral Romano, já com o título "ad Nives". Uma congregação nomeada pelo papa Bento XIV em 1741 propôs que o título lendário fosse removido e que a voltasse a ser conhecida pelo seu nome original, mas nada foi feito até 1969, quando foi finalmente removido e a festa passou a ser chamada de "In dedicatione Basilicae S. Mariae". Porém, a lenda ainda é comemorada com o lançamento de pétalas de rosas brancas do alto da cúpula durante a celebração da missa e na segunda véspera da festa.

A primeira igreja construída no local era conhecida como Basílica Liberiana ou Santa Maria Liberiana, uma homenagem ao papa Libério (r. 352–366). É provável que o nome tenha se originado na lenda do "Milagre da Neve", só que foi o papa e, não João e sua esposa, que teria sido avisado em sonho sobre uma vindoura queda de neve. Ele seguiu para o local em procissão e marcou o local onde a igreja seria construída. É possível inferir o nome implícito na descrição do "Liber Pontificalis" (século XIII) sobre o papa Libério: "Ele construiu a basílica que leva seu nome ["Basilica Liberiana"] perto do Macelo de Lívia. O título "Liberiana" ainda aparece em algumas versões do nome forma da basílica e "Basílica Liberiana" pode ser utilizado tanto como o nome atual quanto o histórico da basílica.

É possível, contudo, que o nome "Basílica Liberiana" não tenha relação alguma com a lenda, pois, segundo Pius Parsch, o papa Libério transformou um palácio da família Sicinini em uma igreja e ela passou a ser conhecida como "Basílica Sicinini". Este edifício foi depois substituído pelo Sisto III (r. 432–440) pelo edifício atual. Algumas fontes afirmam que esta transformação foi realizada na década de 420 pelo Celestino I, o antecessor de Sisto III.

Muito antes dos mais antigos vestígios da história do "Milagre da Neve", a basílica era conhecida como Santa Maria do Presépio (em latim: Sancta Maria ad Praesepe), uma referência às relíquias da "manjedoura de Jesus" abrigadas ali, quatro tábuas de sicômoro que, juntamente com uma quinta tábua, teriam sido levadas para lá na época do papa Teodoro I (r. 640–649). O nome aparece nas edições tridentinas do Missal Romano como o local ("estação") da missa do papa na noite do Natal enquanto que o nome "Maria Major" aparece como o nome da igreja onde está a estação da missa do Natal.

Basílica maior e basílica papal

Nenhuma igreja católica pode ser chamada de "basílica" sem autorização apostólica, exceto por tradição e costume imemorial. Santa Maria é uma das quatro que podem utilizar o título de "basílica maior". As outras são São Pedro, São Paulo Extramuros e São João de Latrão (no passado, o título era utilizado de maneira mais livre e outras igrejas o ostentavam, como a Basílica de Santa Maria dos Anjos em Assis. Junto com elas, Santa Maria é também uma basílica papal, um título que passou a existir em 2006, quando o papa Bento XVI renunciou ao título de "patriarca do ocidente" e as basílicas patriarcais (as quatro maiores e São Lourenço fora da Muralha) passaram a ser chamadas de "papais" para mitigar a relação que as cinco basílicas tinham com os antigos patriarcados latinos (veja Pentarquia). Santa Maria era até então a sede do Patriarcado Latino de Antioquia.

As cinco basílicas papais mais a Basílica de Santa Cruz em Jerusalém (que é propriedade de Roma) e San Sebastiano fuori le mura são as tradicionais igrejas de peregrinação em Roma, que são visitadas por peregrinos durante uma peregrinação a Roma, um itinerário de mais de 20 quilômetros criado por São Filipe Néri em 25 de fevereiro de 1552, especialmente pelos que buscam uma indulgência plena durante um jubileu. Para o Grande Jubileu de 2000, o papa Paulo II substituiu San Sebastiano pelo Santuario della Madonna del Divino Amore.

É consenso de que a igreja atual foi construída durante o pontificado de Sisto III (r. 432–440), como se atesta pela inscrição dedicatória no arco triunfal: "Sixtus Episcopus plebi Dei" ("Sisto bispo ao povo de Deus"). Além desta igreja, no topo do monte Esquilino, Sisto III realizou diversas obras por toda cidade e que foram continuadas por seu sucessor, Leão Magno.

O edifício atual ainda preserva a parte central de sua estrutura original, mesmo depois de diversas reformas e reconstruções e dos danos sofridos no terremoto de 1348.[carece de fontes?]

A construção de igrejas em Roma neste período era inspirada pela ideia de que Roma não era apenas o centro do mundo romano, como no passado, mas o centro do novo mundo cristão.

Santa Maria Maggiore, uma das primeiras igrejas dedicadas à Virgem Maria, foi erigida logo depois do Primeiro Concílio de Éfeso (431), que proclamou Maria como "Mãe de Deus". É certo que a atmosfera gerada pelo concílio também inspirou os mosaicos que adornam o interior da inscrição dedicatória: "..seja qual for a conexão precisa entre o concílio e igreja, é claro que os que projetaram a decoração pertencem a um período de concentrados debates sobre a natureza e o status da Virgem frente ao Cristo encarnado". A magnificência dos mosaicos da nave e do arco triunfal, vistos como "pedras angulares na representação da Virgem", mostram cenas da "Vida de Maria" e da "Vida de Cristo", além de cenas do Antigo Testamento, como Moisés abrindo o mar Vermelho e os egípcios se afogando.

Richard Krautheimer atribuiu este esplendor também às abundantes receitas disponíveis para o papa na época, oriundas de diversas propriedades adquiridas pela Igreja durante os séculos IV e V na península Itálica: "Algumas destas propriedades eram controladas localmente; a maioria, já no início do século V, eram administradas diretamente de Roma, com grande eficiência: um sistema de contabilidade centralizado foi desenvolvido na chancelaria papal, um orçamento aparentemente foi preparado, uma parte da receita indo para a administração papal, outra para sustentar as necessidades do clero, uma terceira para manutenção das igrejas e uma quarta para a caridade. Estas taxas deram condições para que o papado realizasse, durante todo século V, um ambicioso programa de obras, incluindo Santa Maria Maggiore".

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