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Batalha de Saipan

Batalha da campanha do Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial

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A batalha de Saipan, ou de Saipã, foi um assalto anfíbio lançado pelos Estados Unidos contra o Império do Japão durante a Campanha do Pacífico na Segunda Guerra Mundial, travado entre 15 de junho e 9 de julho de 1944. A invasão inicial desencadeou a Batalha do Mar das Filipinas, que destruiu efetivamente o poder aéreo baseado em porta-aviões japonês, e a batalha resultou na captura americana da ilha. Sua ocupação colocou as principais cidades das ilhas japonesas dentro do alcance dos bombardeiros B-29 Superfortress, tornando-as vulneráveis ao bombardeio estratégico pelas Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos. Também precipitou a renúncia de Hideki Tōjō, o primeiro-ministro do Japão.

Saipan foi o primeiro objetivo da Operação Forager, a campanha para ocupar as Ilhas Marianas que começou ao mesmo tempo em que os Aliados invadiam a França na Operação Overlord. Após dois dias de bombardeio naval, a 2ª Divisão e a 4ª Divisões de Fuzileiros Navais e a 27ª Divisão de Infantaria do Exército dos Estados Unidos, comandadas pelo Tenente-General Holland Smith, desembarcaram na ilha e derrotaram a 43ª Divisão de Infantaria do Exército Imperial Japonês, comandada pelo Tenente-General Yoshitsugu Saitō. A resistência organizada terminou quando pelo menos 3 000 soldados japoneses morreram em um ataque massivo gyokusai (ataque suicida), e depois disso cerca de 1 000 civis cometeram suicídio.

A captura de Saipan perfurou o perímetro interno de defesa dos territórios ultramarinos do Japão e forçou o governo japonês a informar seus cidadãos, pela primeira vez, que a guerra não estava indo bem. A batalha causou mais de 46 000 baixas militares e pelo menos 8 000 mortes civis. A alta porcentagem de baixas sofridas durante a batalha influenciou o planejamento americano para assaltos futuros, incluindo a projetada invasão do Japão.

Objetivos estratégicos americanos

Até o início de 1944, as operações aliadas contra as forças militares japonesas no Pacífico concentravam-se em garantir as linhas de comunicação entre a Austrália e os Estados Unidos. Essas operações haviam retomado as Ilhas Salomão, o leste da Nova Guiné, o oeste da Nova Bretanha, as Ilhas do Almirantado e as Ilhas Gilbert e Marshall.

Para derrotar o Japão, o Almirante Ernest J. King, Comandante-em-Chefe da Frota dos Estados Unidos, buscou executar o Plano de Guerra Laranja, que o Colégio de Guerra Naval vinha desenvolvendo há quatro décadas para o caso de uma guerra. O plano previa uma ofensiva através do Pacífico Central que se originava no Havaí, avançava por saltos de ilha através da Micronésia e das Filipinas, forçava uma batalha decisiva com a Marinha Japonesa e provocava um colapso econômico do Japão.

Já na Conferência de Casablanca, em janeiro de 1943, o almirante King apresentou aos Chefes de Estado-Maior Combinados o caso para uma ofensiva anfíbia no Pacífico Central – incluindo as Ilhas Marshall e Truk – que capturasse as Ilhas Marianas. Ele afirmou que a ocupação das Marianas – especificamente Saipan, Tinian e Guam – cortaria a rota marítima e aérea das ilhas japonesas para o Pacífico ocidental, mas os Chefes de Estado-Maior Combinados não se comprometeram na época. O General Douglas MacArthur, Comandante Supremo das Forças Aliadas na Área do Sudoeste do Pacífico, opôs-se à ofensiva no Pacífico Central proposta por King. Ele argumentou que seria custosa e demorada e desviaria recursos de sua campanha no Sudoeste do Pacífico em direção às Filipinas.

Na Conferência de Quebec, em agosto de 1943, King continuou a defender a inclusão das Marianas em uma ofensiva do Pacífico Central. Ele sugeriu que a importância estratégica das Marianas poderia atrair a frota principal japonesa para uma grande batalha naval. A defesa de King ganhou o apoio do General Henry H. Arnold, Chefe das Forças Aéreas do Exército, que queria usar o recém-desenvolvido bombardeiro B-29. As Marianas poderiam fornecer bases aéreas seguras para sustentar uma ofensiva de bombardeio estratégico, já que as ilhas colocavam muitos dos centros populacionais e áreas industriais do Japão dentro do raio de combate de 1,600 milhas (2,600 km) do B-29. Na Conferência do Cairo, em novembro de 1943, os Chefes de Estado-Maior Combinados apoiaram tanto a ofensiva de MacArthur no Sudoeste do Pacífico quanto a de King no Pacífico Central, adicionando as Marianas como um objetivo para a ofensiva do Pacífico Central e estabelecendo 1º de outubro de 1944 como a data para sua invasão.

O Almirante Chester Nimitz, Comandante-em-Chefe das Áreas do Oceano Pacífico, liderou a ofensiva do Pacífico Central. Em janeiro-fevereiro de 1944, as Ilhas Marshall foram rapidamente capturadas e um massivo ataque aéreo americano baseado em porta-aviões em Truk demonstrou que ela poderia ser neutralizada e contornada. Em 12 de março de 1944, o Estado-Maior Conjunto antecipou a data da invasão para 15 de junho, com o objetivo de criar bases aéreas para os B-29 e desenvolver bases navais secundárias. Nimitz atualizou os planos para a ofensiva do Pacífico Central, codinome Granite II, e estabeleceu a invasão das Marianas, codinome Forager, como seu objetivo inicial. Saipan seria o primeiro assalto.

Saipan, parte das Ilhas Marianas, foi inicialmente reivindicada pela Espanha em 1565, depois vendida à Alemanha em 1899 após a derrota espanhola na Guerra Hispano-Americana e posteriormente ocupada pelo Japão em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial. Sob domínio japonês, Saipan tornou-se o centro administrativo das Marianas. A ilha, de origem vulcânica, possui cerca de 122 km² e apresenta um terreno acidentado, com cavernas e ravinas que a tornavam estrategicamente defensável. Seu clima é tropical, com alta pluviosidade a partir de julho, e o ponto mais alto é o Monte Tapotchau, que chega a 474 metros.

A parte sul de Saipan abrigava o Campo Aéreo de Aslito, um importante ponto de apoio para aviões japoneses durante a Guerra do Pacífico. Essa região, mais plana e coberta por plantações de cana-de-açúcar, refletia a economia local, voltada para a produção de açúcar desde a ocupação japonesa. Durante a Segunda Guerra Mundial, Saipan foi a primeira ilha onde as forças dos Estados Unidos encontraram uma grande população civil japonesa — entre 26 000 e 28 000 pessoas, em sua maioria trabalhadores de Okinawa e da Coreia e uma minoria do povo Chamorro. As principais cidades — Garapan, Charan Kanoa e Tanapag — localizavam-se na costa oeste, perto das melhores praias para invasão, tornando-se pontos estratégicos durante o ataque americano.

Chester Nimitz, o comandante da Frota do Pacífico, designou o Almirante Raymond Spruance, comandante da Quinta Frota, para supervisionar a operação. O Vice-Almirante Richmond K. Turner, Comandante das Forças Anfíbias Conjuntas (Força-Tarefa 51), supervisionou a organização geral dos desembarques anfíbios nas Ilhas Marianas; ele também supervisionou o comando tático do desembarque em Saipan como Comandante da Força de Ataque Norte (TF 52). Uma vez que os desembarques anfíbios foram concluídos, o Tenente-General Holland M. Smith, Comandante Geral das Tropas Expedicionárias (Força-Tarefa 56), supervisionaria as forças terrestres de toda a Operação Forager; ele também supervisionaria o combate terrestre em Saipan como Comandante das Tropas e Força de Desembarque do Norte.

A Força de Desembarque e Tropas do Norte foi constituída em torno do V Corpo Anfíbio, que consistia na 2ª Divisão de Fuzileiros Navais, comandada pelo Major-General Thomas E. Watson, e na 4ª Divisão de Fuzileiros Navais, comandada pelo Major-General Harry Schmidt. A 27ª Divisão de Infantaria, comandada pelo Major-General Ralph C. Smith, foi mantida como reserva das Tropas Expedicionárias para uso em qualquer lugar das Marianas. Mais de 60 000 soldados foram designados para o assalto. Aproximadamente 22 000 estavam em cada divisão de fuzileiros navais e 16 500 na 27ª Divisão de Infantaria do exército. A frota de invasão, composta por mais de 500 navios e 300 000 homens, partiu dias antes que as forças aliadas na Europa invadissem a França na Operação Overlord, em 6 de junho de 1944. Ela foi lançada do Havaí, parando brevemente em Eniwetok e Kwajalein antes de rumar para Saipan. As divisões de Fuzileiros Navais deixaram Pearl Harbor entre 19 e 31 de maio e se encontraram em Eniwetok em 7–8 de junho; a 27ª Divisão de Infantaria deixou Pearl Harbor em 25 de maio e chegou a Kwajalein em 9 de junho. Os quinze porta-aviões da Força-Tarefa de Porta-Aviões Rápidos (Força-Tarefa 58), comandados pelo Vice-Almirante Marc A. Mitscher, que forneceria apoio para a invasão, deixaram Majuro rumo a Saipan em 6 de junho.

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