Batatais é um município brasileiro no interior do estado de São Paulo. Pertencente a Região Metropolitana de Ribeirão Preto (RMRP) e é um dos vinte e seis municípios que integram a Região Imediata de Ribeirão Preto, distando 355 km a noroeste da capital estadual. Localiza-se a uma latitude 20º53'28" sul e a uma longitude 47º35'06" oeste, estando a uma altitude de 862 metros. Possui uma área de 851 km² e abriga uma população de 59 873 habitantes, sendo assim o 124º mais populoso do estado de São Paulo. Está a 750 quilômetros de Brasília, capital federal. Sua área representa 0,3427 % do estado de São Paulo, 0,092 % da região Sudeste e 0,01 % de todo o território brasileiro. Desse total 7,5068 km² estão em perímetro urbano. A temperatura média anual é de 21 °C. e na vegetação do município predomina o cerrado.
Batatais é um dos 29 municípios paulistas considerados estâncias turísticas pelo Estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do Estado para a promoção do turismo regional. Com isso, o município adquire o direito de agregar junto a seu nome o título de estância turística, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais. Recebeu esse título em 23 de dezembro de 1994 através da Lei Estadual 8.993.
Primeiros povoamentos e presença Kayapó
Os testemunhos arqueológicos mais antigos já identificados na região de Batatais datam de cerca de 3.400 anos atrás, sendo oriundos do sítio Corredeira (município de Serra Azul). Contudo, de acordo com as pesquisas arqueológicas mais recentes, o nordeste paulista vem sendo ocupado por grupos ameríndios há pelo menos 8.000 anos. De todo modo, é consenso entre os pesquisadores que os vales dos rios Sapucaí, Pardo e Grande, bem como os topos e vertentes dos morros da região, forneciam alimento e matéria-prima em abundância para estes primeiros habitantes, os quais produziam uma grande variedade de ferramentas líticas lascadas e polidas. Esses objetos, produzidos a partir de rochas como o silexito e o quartzo, são frequentemente associados às tradições tecnológicas Umbu e Humaitá, o que indicaria um conhecimento técnico compartilhado com outros grupos de regiões geográficas mais afastadas.
Por outro lado, os primeiros grupos indígenas produtores de cerâmica só teriam alcançado a região nordeste paulista no primeiro século da era Cristã. Embora geralmente associados à Tradição Aratu, no vale do rio Pardo também foram identificados evidências de cerâmica Tupiguarani. A aparição desses grupos na região, os quais já praticavam o cultivo do milho e da mandioca através do método da coivara, bem como sua relação com os grupos anteriores, ainda é objeto de estudo. Mais numerosos do que os grupos pré-ceramistas, mudavam a localização dos assentamentos conforme a fertilidade das terras se esgotava. De acordo com a maior parte dos pesquisadores, provavelmente deles descendem os atuais indígenas falantes de línguas filiadas aos troncos Macro- Jê e Tupi-Guarani. Em Batatais há dois sítios arqueológicos (Batatais I e Batatais II) associados a estes grupos indígenas ceramistas, ambos a menos de um quilômetro das margens do rio Sapucaí-Mirim e com abundante presença de artefatos líticos e cerâmicos.
Apesar da relativa escassez de documentos a respeito dos grupos indígenas que habitavam a região quando da chegada dos primeiros europeus, diversas fontes apontam para a presença dos Kaiapós no chamado “Sertão do rio Pardo”. Os primeiros contatos teriam ocorrido no âmbito das expedições bandeiristas que atravessavam a região, ainda entre os séculos XVI e XVII, em busca de jazidas de metais preciosos e indígenas para escravização nas plantações das vilas do planalto e litoral paulista. Ainda que constem relatos de que os Kayapó apresentavam grande resistência às investidas europeias no século XVIII, sendo considerados guerreiros temidos tanto pelos portugueses quanto por outras tribos indígenas, os mesmos foram paulatinamente escravizados, mortos ou expulsos para áreas mais interioranas do território brasileiro.
Colonização Portuguesa: parada de viajantes e surgimento das primeiras fazendas
A primeira menção escrita à região onde fica a atual Batatais data da última década do século XVI. Entre 1594 e 1599, uma expedição bandeirista liderada por Afonso Sardinha teria alcançado as margens do Rio Jeticaí, atual Rio Grande. Ao se deslocarem pelo interior do continente, as já mencionadas expedições bandeiristas fizeram uso de rotas fluviais e terrestres conhecidas há séculos pelos indígenas locais, o que demonstra a dimensão das interações entre europeus e ameríndios durante os primeiros séculos de colonização. Essas rotas que cruzavam o nordeste paulista em direção ao interior dos atuais estados de Minas Gerais e Goiás ficaram conhecidas na época como Caminho do Anhanguera, Estrada dos Goyases ou mesmo Caminho de Goiás. A descoberta de minas auríferas nessas regiões entre as décadas de 1690 e 1720 contribuiu para a formação de diversos povoados, fazendas de gado e pousos ao longo desse caminho, visto que era do interesse da administração colonial assegurar a posse dessas terras. Atuando principalmente como pontos de paragem de tropas e viajantes em direção às minas de ouro, esses primeiros núcleos deram origem a diversos municípios atualmente existentes no nordeste paulista, como Batatais e Franca.
Como parte dessa política de povoamento das terras marginais do trecho paulista do Caminho do Anhanguera, o governo da Capitania de São Paulo – instituído em 1720, após a Coroa Portuguesa decidir pela cisão da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro – concedeu diversas sesmarias e direitos de passagens nas margens dos rios que cortavam a região. Uma destas doações de sesmarias, datada de 4 de agosto de 1728, é considerada por alguns historiadores como uma espécie de “certidão de nascimento” de Batatais. Através deste documento, o governador da Capitania de São Paulo concedeu uma sesmaria com extensão de uma légua em quadra a Pedro da Rocha Pimentel, situada nos “Campos dos Batataes passando o mato no primeiro ribeiro entre o rio Pardo e Sapucai, Caminho dos Goiases”. Por conseguinte, a localidade consta tanto no “Mappa da Capitania de São Paulo” (meados do século XVIII) quanto na “Carta Corographica da Capitania de S. Paulo”(1766), ficando clara sua relação com a rota que seguia em direção ao interior da América Portuguesa. De acordo com a Lista Nominativa de 1779, o pouso chamado de Batatais ainda era pouco habitado, contando com apenas quatro pessoas. Contudo, se somados os outros pousos existentes entre os rios Pardo e Sapucaí, a região já contava com quase setenta habitantes.
Paralelamente, o significado do nome do atual município de Batatais ainda é objeto de bastante discussão entre historiadores. Uma das versões argumenta que o nome da cidade teria origem portuguesa, sendo derivada das plantações de batatas dos caiapós. Uma segunda hipótese afirma que o nome teria origem etimológica tupi, oriunda de “MBOITATA” ou “IMBOITATÁ” (ou Boi-atá ou Boitatá), que representaria uma cobra de fogo, que segundo as crenças indígenas protegia os campos contra os incêndios. Outras versões argumentam que o termo na verdade significaria “rio cascateante entre pedras”, que poderia ser uma referência aos locais onde se achava ouro em superfície, semelhantes às folhas das batateiras.
A decadência das minas auríferas goianas e mineiras, em fins do século XVIII, inicialmente gerou estagnação econômica dos pousos e vilas do nordeste paulista, uma vez que estas dependiam do tráfego contínuo de pessoas em direção àquelas áreas. Por outro lado, essa decadência posteriormente causou uma migração oriunda principalmente das Minas Gerais, ocasionando um aumento populacional e um crescimento de atividades agropecuárias nos povoados entre os rios Sapucaí e Pardo. Com efeito, essas terras eram vistas como adequadas para a criação de bois, com seu clima considerado ameno e pastagens naturais de Cerrado. Ao mesmo tempo, a localização desses pousos em relação a já citada Estrada dos Goyazes fazia com que o escoamento da produção fosse facilitado. Esses novos moradores, chamados nos documentos oficiais de “entrantes”, expandiram as fronteiras agrícolas até então existentes, geralmente próximas das margens da rota para as minas. Por outro lado, visto que muitos destes já eram donos de terras nas Minas Gerais, fazendo com que tivessem mais recursos econômicos dos que já habitavam esses pousos, também cresceu o número de africanos escravizados na região.