José Roberto Gama de Oliveira, mais conhecido como Bebeto (Salvador, 16 de fevereiro de 1964), é um ex-futebolista brasileiro que atuava como atacante. Trabalhou também como treinador, e atualmente é político. Foi membro do Conselho de Administração do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014.
Pela Seleção Brasileira de Futebol, Bebeto oconquistou como jogador a Copa do Mundo de 1994 e foi vice-campeão na de 1998. É também medalhista múltiplo Olímpico, tendo conquistado medalha de prata na Seul 1988 e medalha de bronze na Atlanta 1996, além de um título de Copa das Confederações, na França 1997 e um título de Copa América na Brasil 1989 Uma de suas marcas registradas era o gol de voleio onde rebatia a bola num salto de lado, geralmente caindo no chão, e mandando direto pro gol. Quando defendia o Flamengo, também tinha o costume de marcar vários gols de cabeça.
Conseguiu ser ídolo nos rivais Flamengo e Vasco da Gama. Passou brevemente também por outro rival, o Botafogo, conseguindo também deixar sua marca. Mas foi no Deportivo La Coruña que ele foi ídolo máximo de uma torcida, integrando o SúperDepor da década de 1990.
Começo no futebol: Bahia, Vitória e ida para o Flamengo
Nascido e criado no bairro da Ribeira, na região da Cidade Baixa em Salvador, Bebeto começou a jogar em torneios de várzea no bairro do Barbalho. Descoberto por olheiros, foi convidado a fazer testes em equipes profissionais e foi aprovado no Bahia, onde permaneceu apenas um mês antes de se transferir para o maior rival, o Vitória, clube para o qual torcia na infância. Estreou no profissional em 1982, destacando-se e de lá transferiu-se para o Flamengo no ano seguinte. Zico havia acabado de ir embora para a Itália, logo seguido por Júnior, e o jovem e franzino baiano chegou como candidato a príncipe para a órfã torcida rubro-negra.
O início não foi fácil: apesar de já se destacar no elenco de estrelas do Flamengo que seria tricampeão brasileiro em 1983, Bebeto disputou um só jogo, justamente os minutos finais de decisão contra o Santos (Flamengo 3—0). No Campeonato Carioca de 1983, ainda na reserva, ele chegou a disputar alguns jogos mas sem qualquer destaque e o Flamengo acabaria amargando o vice-campeonato para o Fluminense. O Flamengo passou o ano de 1984, mesmo com um elenco recheado de craques, sem títulos: terminou em 3º lugar na Copa Libertadores (mesmo possuindo a melhor campanha na fase de classificação), perdeu a final do Carioca para o Fluminense e, no Brasileirão, a equipe foi eliminada nas quartas de final para o Corinthians em derrota por 4–1 em São Paulo após ter vencido por 2–0 no Maracanã. Para piorar, o título foi decidido entre os rivais Fluminense (eventual campeão) e Vasco. A maior tristeza, porém, esteve longe dos gramados: Bebeto perdeu o irmão em um acidente de avião que matou também um colega de Flamengo, o zagueiro Figueiredo.
O ano de 1985 também foi escasso em títulos. O Carioca ficou outra vez com o Fluminense e, no Brasileiro, o Flamengo caiu na segunda fase de um grupo cuja única vaga ficou surpreendentemente com o Brasil de Pelotas. A maior alegria rubro-negra naquele ano foi a volta de Zico, que, todavia, logo sofreria violenta contusão em jogo contra o Bangu. Bebeto só foi conquistar seu primeiro título em 1986, um Carioca sobre o Vasco. No Brasileirão, o time acabou eliminado nas oitavas-de-final pelo Atlético Mineiro. Vale destacar que o clube disputou este campeonato com muitos desfalques, entre eles Zico, Sócrates, Adalberto, Adílio e o próprio Bebeto, que havia se contundido em partida contra o Atlético Goianiense, em Goiânia.
Em 1987, finalmente ganharia de vez o coração da torcida. O Flamengo perdeu o Carioca para o Vasco, mas na Copa União (um dos módulos do Campeonato Brasileiro daquele ano, mas considerado pelos participantes como o próprio campeonato), o jovem marcou um gol por jogo, inclusive o solitário tento do título na final, contra o Internacional. O título do torneio, todavia, não foi considerado oficial pela CBF e até hoje é motivo de polêmica e brigas judiciais entre Flamengo e o Sport Club. Ainda assim, Bebeto integrou uma das últimas grandes equipes do Flamengo, que reunia os veteranos Zico, Andrade, Leandro e Edinho e os jovens Leonardo, Jorginho, Zinho, Renato Gaúcho, Aílton e Zé Carlos. Além de Bebeto, outros três atletas daquele time — Leonardo, Jorginho e Zinho — integrariam o elenco da Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo de 1994.
Após o título nacional, o Flamengo enfrentou certa escassez de troféus. Com Bebeto, o clube foi trivice estadual, perdendo os Cariocas de 1988 para o Vasco e de 1989 para o Botafogo (já havia perdido o Carioca de 1987 para o Vasco), e, no Brasileirão de 1988, o Flamengo foi eliminado nas quartas de final pelo Grêmio. Ainda assim, foi geral a surpresa em 1989, quando divulgou-se que Bebeto trocaria o clube pelo arquirrival Vasco da Gama para a disputa do Brasileirão de 1989.
Apesar da controversa transferência, Bebeto saiu-se bem no novo clube: mesmo criticado, o elenco cruzmaltino conseguiu quebrar 15 anos de jejum e faturou o segundo título brasileiro da história do clube. Bebeto participou ativamente da conquista daquele time repleto de garotos que receberia o nome de SeleVasco: Luiz Carlos Winck, Marco Antônio Boiadeiro, William, Bismarck, Sorato — autor do gol do título na final contra o São Paulo — e Mazinho, além de Acácio e Quiñónez.
No ano de 1990, o clube voltou a contar com o ídolo Roberto Dinamite, que no Brasileirão anterior estivera emprestado à Portuguesa. Porém, o ano foi sem títulos: detentor do título, o Vasco não conseguiu se classificar às fases finais do Campeonato Brasileiro de 1990, e perdeu o Estadual daquele ano para o Botafogo. Na Taça Libertadores da América de 1990, a única disputada por Bebeto (Flamengo e Internacional ficaram de fora da de 1988 em razão do não-reconhecimento oficial do título da Copa União), os cruzmaltinos caíram nas quartas de final. A seca continuou no ano seguinte: o clube não faturou nenhum turno do Carioca e também não alcançou as fases finais do Brasileirão.
Em 1992, a situação voltou a melhorar: o Vasco vinha bem no Brasileiro, liderando a fase inicial, com Bebeto, em grande fase, fazendo dupla com o jovem Edmundo. Porém, na segunda fase de grupos, o clube perdeu a vaga na final para o arquirrival Flamengo, que se sagraria campeão. Restou a Bebeto a artilharia do campeonato e as primeiras e únicas Bolas de Prata da Placar, como um dos melhores atacantes e também como o artilheiro daquela edição do Brasileirão. Seu desempenho chamou a atenção de uma pequena equipe espanhola, o Deportivo La Coruña.
Bebeto deixou o Vasco como ídolo, despertando suposições contraditórias sobre qual dos dois rivais do Rio de Janeiro onde mais se destacou seria seu clube de coração. Em entrevista concedida a Léo Batista, no programa Esporte Espetacular, da Rede Globo (dia 28/10/2007), Bebeto confirmou ser torcedor do Flamengo. Porém, em outras ocasiões, também já disse ser vascaíno na sua infância e ainda jogando pelo Vasco, em homenagem ao avô chamado Vasco da Gama, mas dizendo que seu amor pelo Flamengo ninguém tiraria. Em 2009, reafirmou-se como flamenguista também à FourFourTwo, onde explicou também as razões da polêmica transferência de 1989:
Chegou com outro brasileiro ao clube galego, Mauro Silva. Bebeto logo demonstra seu faro de gol: termina a sua primeira temporada em La Liga, a de 1992/1993, artilheiro com 29 gols. O Depor termina em terceiro, atrás apenas da dupla Barcelona (campeão) e Real Madrid, e quatro pontos atrás do vencedor. Os prognósticos para a temporada seguinte foram mais promissores, com o clube disputando a Copa da UEFA pela primeira vez.
No torneio europeu, o Deportivo caiu nas oitavas-de-final, contra o Eintracht Frankfurt, e concentrou as forças na Liga Espanhola, onde vinha liderando com folga e rumando para um inédito título. A conquista seria perdida de forma dramática: o clube começou a perder pontos, enquanto o Barcelona reagia, somando 28 pontos nos últimos 30 que estiveram em disputa. Os clubes terminariam a última rodada empatados em pontos, mas o título foi para a Catalunha pelo melhor saldo de gols.