Belém, também chamada de Belém do Pará, é um município brasileiro e capital do estado do Pará. Localizada na Região Norte do país, às margens da baía do Guajará e a cerca de 2 120 quilômetros de Brasília, sua população é de 1 303 403 habitantes, segundo o Censo 2022, sendo o município mais populoso do estado, o segundo da Região Norte e o décimo segundo do país. Com uma área total de 1 059,458 quilômetros quadrados, a cidade abrange quarenta e duas ilhas que representam 65% de seu território, e apresenta clima equatorial quente e úmido, sendo a capital mais chuvosa do Brasil. Classificada entre os municípios com melhor qualidade de vida da Região Norte, possui um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,746 (alto), ocupando a 22.ª posição entre as capitais brasileiras.
Fundada em 1616 por Francisco Caldeira Castelo Branco como o povoado colonial Feliz Lusitânia, Belém foi erguida sobre o antigo território indígena dos Tupinambás, estruturando-se em torno do Forte do Presépio, construído para assegurar o domínio português na Amazônia durante a União Ibérica. Ao longo de sua história, destacou-se como entreposto comercial no século XVII e, posteriormente, como importante centro urbano e econômico durante o ciclo da borracha no século XIX. A partir da década de 1940, iniciou-se um processo de verticalização urbana, concentrado sobretudo ao longo da Avenida Presidente Vargas.
Classificada como metrópole regional, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2018, Belém exerce influência sobre o Pará, o Amapá e parte do Maranhão e Tocantins, com uma população de 9,3 milhões de habitantes sob sua área de influência. Seu produto interno bruto (PIB) é de 40 536 061 mil, com o setor de serviços dominando a economia municipal, responsável por 86,6% do total. Entretanto, a capital enfrenta sérios problemas sociais e ambientais, tais como 57,1% da população vivendo em favelas, apenas 19% possui acesso à coleta de esgoto e apenas 44% da cidade possui arborização, o que torna Belém uma das capitais mais quentes do Brasil. Além de ter um dos menores índices de progresso social do Brasil.
A cidade conta com importantes pontos históricos e culturais como o Forte do Presépio, Theatro da Paz, Estação das Docas, Mercado Ver-o-Peso, Museu de Arte Sacra, Museu Paraense Emílio Goeldi, Praça do Relógio e Praça da República. Predominantemente católica, realiza anualmente o Círio de Nazaré, a maior procissão dessa religião do mundo, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Palco de grandes eventos, Belém sediou o Fórum Social Mundial em 2009, o Global Citizen Festival em 2025 e sediou a 30.ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) no mesmo ano, na qual tornou-se capital federal temporária do Brasil entre os dias 11 e 21 de novembro, em transferência simbólica de Brasília para a capital paraense.
O topônimo Belém tem origem no hebraico Beit Lehem, que significa "Casa do Pão". Inicialmente, a cidade foi denominada "Santa Maria de Belém do Pará" ou "Nossa Senhora de Belém do Grão-Pará" (posteriormente abreviado para Belém do Pará), por ordem do rei Filipe III de Espanha, em referência ao Natal — período em que Francisco Caldeira Castelo Branco, então capitão-mor da Capitania do Rio Grande, partiu de São Luís, em 1615, com suas tropas, para conquistar as terras do Pará.
Primórdios e colonização europeia
A região onde atualmente se encontra Belém do Pará, era, originalmente, o território indígena de Mairi, habitado pelos tupinambás e Pacajás, sob o comando do cacique Guaimiaba, durante o período do Brasil Colônia (ou América Portuguesa).
O local funcionava como um entreposto comercial do cacicado marajoara, quando, em 1580, os portugueses chegaram à região por meio da expedição militar "Feliz Lusitânia", comandada pelo capitão Francisco Caldeira Castelo Branco.
Em 12 de janeiro de 1616, na foz do igarapé Piry (também conhecido como Bixios do Pirizal), foi fundado o povoado colonial português denominado Feliz Lusitânia, por ordem do rei da União Ibérica (Dinastia Filipina), Manuel I. Na ocasião, construiu-se um fortim de madeira, o Forte do Presépio, com uma capela dedicada à padroeira Santa Maria de Belém — atual Catedral Metropolitana.
O objetivo era consolidar o domínio português sobre a então chamada Conquista do Pará (ou Império das Amazonas) e assegurar o controle da Amazônia Oriental e das drogas do sertão, frente à ameaça de potências estrangeiras.
A fundação da Feliz Lusitânia marcou o início de um período de batalhas entre portugueses e potências estrangeiras (holandeses, ingleses e franceses) pelo controle da região, além de conflitos com os povos originários, em um processo forçado de colonização e escravização. Implantou-se um modelo econômico baseado na exploração do trabalho indígena e na extração de recursos primários da floresta.
Esse cenário levou à Revolta Tupinambá, que, em janeiro de 1619, resultou na tomada do Forte do Presépio. No entanto, a morte do cacique Guaimiaba levou à suspensão dos ataques para a realização de seu funeral.
Outras revoltas indígenas ocorreram até julho de 1621. Em 1639, Bento Maciel Parente (sargento-mor da capitania do Cabo Norte) atacou a aldeia dos Tapajós, dizimando seus habitantes e consolidando o domínio português sobre a Conquista do Pará. Com a vitória, foi nomeado capitão-mor do Grão-Pará.
Esse feito resultou na elevação da região à condição de Capitania do Grão-Pará e na criação do estado do Maranhão, com sede estabelecida em São Luís. O povoado foi elevado à categoria de município com a denominação de "Santa Maria de Belém do Pará" ou "Nossa Senhora de Belém do Grão Pará" (posteriormente "Santa Maria de Belém do Grão Pará", até chegar à forma atual, Belém).
Nessa fase, foram abertas as primeiras ruas da região, originando o histórico bairro da Cidade Velha. Durante seu governo, Bento Maciel fortificou o Forte do Presépio, adicionando um baluarte e um torreão, rebatizando-o como "Forte Castelo do Senhor Santo Cristo". Posteriormente, liderou novas investidas contra os invasores holandeses, expulsando-os da colônia.
Em 1625, devido à posição estratégica de "Santa Maria de Belém do Pará" — protegida pelas baías do Marajó e do Guajará, na foz do rio Pará — os portugueses instalaram o entreposto comercial Casa de Haver-o-Peso (atual Mercado Ver-o-Peso), como parte do sistema de expansão do império português na América e de sua política econômica mercantilista. O local passou a arrecadar tributos sobre produtos europeus trazidos para Belém e mercadorias extraídas da Amazônia, destinadas aos mercados internacionais, como a carne bovina da Ilha de Marajó.
Em 1627, a importância do entreposto aumentou com a criação da primeira légua patrimonial, por ordem do governador do Estado, Francisco Coelho. Tratava-se de uma faixa de terra em forma de arco, com 41 100 metros quadrados, que partia das margens do rios Pará e Guamá em direção ao interior, dando origem ao bairro do Marco da Légua,
e impulsionando o crescimento populacional.