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Benito di Paula

Cantor, compositor e pianista brasileiro

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Benito di Paula, nome artístico de Uday Vellozo (Nova Friburgo, 28 de novembro de 1941 – São Paulo, 18 de outubro de 2026), foi um cantor, compositor e pianista brasileiro. Ao piano, reuniu o samba a boleros e ritmos latino-americanos, em canções como "Retalhos de cetim" e "Charlie Brown".

Começou a cantar em hotéis e boates, passou pelo Rio de Janeiro e por Santos e se estabeleceu em São Paulo. Na década de 1970, alcançou o público dos discos e da televisão, com sucessos como "Mulher brasileira" e "Do jeito que a vida quer", e apresentou o programa Brasil Som 75, da TV Tupi. Suas composições receberam gravações de cantores brasileiros e de músicos de outros países. Ao longo da carreira, vendeu mais de 50 milhões de discos. O piano, os arranjos românticos e as letras de amor foram reunidos sob o rótulo de samba-joia, que Benito rejeitava.

Depois de um intervalo de 13 anos sem novas gravações, durante o qual continuou fazendo shows, lançou um CD e um DVD ao vivo em 2009. Voltou ao estúdio com Essa felicidade é nossa e trabalhou com o filho Rodrigo Vellozo em discos e apresentações. Os dois lançaram O infalível zen em 2021, quando Benito completou 80 anos.

Filho do ferroviário José Vellozo e de Maria Schwenck, Benito cresceu em Nova Friburgo numa família de 12 irmãos em que se cantava e tocava em casa. O pai tocava piano, bandolim e violão, e foi com ele que teve os primeiros contatos com a música. Tinha ascendência cigana por parte do pai e aprendeu a tocar de forma autodidata. Já sua mãe era trineta de Johann Carl Schwenck, imigrante alemão do Eleitorado do Palatinado que chegou ao Brasil junto com outros para participar como mercenários da Guerra da Cisplatina.

Aos 17 anos, foi servir ao Exército Brasileiro no Rio de Janeiro e morou no Morro da Formiga, na Tijuca. Tocava violão antes de trabalhar com o piano e chegou a dar aulas do instrumento para iniciantes. Seus irmãos Ney e Jota Vellozo também seguiram a música, e Ney o acompanhou em apresentações.

Benito se estabeleceu em São Paulo, onde formou família, e teve três filhos. Rodrigo Vellozo, que tornou-se cantor e pianista e trabalhou com o pai em discos e shows, Thiago Vellozo, nascido em 1984, profissional de marketing e André Vellozo, filho que faleceu aos 36 anos.

A casa em que morava no Morumbi havia sido comprada em 1979, com a renda de seus discos. Em 2014, foi desapropriada para obras do Metrô de São Paulo. Com a indenização, comprou um apartamento nos Jardins. A mudança foi acompanhada de um período de depressão. Em entrevista de 2018, afirmou que nunca havia votado e se definiu como anarquista.

Benito morreu em 18 de outubro de 2026, aos 84 anos, em um hospital particular de São Paulo. A causa da morte foi um câncer que o cantor enfrentava há cerca de um ano.

Hotéis, boates e primeiras gravações

Ainda adolescente, cantou no Hotel Avenida, no centro de Nova Friburgo, a convite de Alfredo Motta. Os dois escolheram o nome artístico Benito, ao qual o cantor acrescentou "di Paula" para lhe dar uma sonoridade italiana.

Em 1956, gravou a composição "Final" com Portinho e sua Orquestra. A canção foi reunida a "Bem feito" num compacto da Continental, lançado na década seguinte. Na década de 1960, trabalhou como crooner em boates cariocas, entre elas a Balalaika, em Copacabana. Tocava com orquestra e apresentava os vencedores de desfiles de fantasia. Passou a cantar e tocar piano em Santos e na capital paulista, onde se apresentou na Catedral do Samba, no Bixiga. Participou também da montagem de casas noturnas, entre elas a Igrejinha. No Teleco-Teco, apresentou "Retalhos de cetim" ao público.

Em 1968, gravou outro compacto com a composição "Canção para o nosso amor" e "Andança", de Edmundo Souto, Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós, popularizada por Beth Carvalho. Também participou do disco coletivo Para você, com "Mocidade é alegria", "Mestre", "Natal no Brasil" e "Espera", esta de J. M. Ferreira e Mariza Saboya.

Em 1969, "Canção para o nosso amor" entrou na trilha da novela Nino, o Italianinho, da TV Tupi, e Benito gravou o tema "Nino" para a mesma novela. "Nino" saiu num compacto daquele ano com "Este teu sorriso é lindo de morrer" no outro lado. Ronnie Von gravou "Foi bom", de Benito, em A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre contra o Império de Nuncamais.

O compacto "Hei John" e "Faça de mim uma ilha" saiu em 1970. A segunda era uma versão de "Make Me an Island", de Albert Hammond e Mike Hazlewood, com letra em português de George Freedman. Com essa gravação, Benito recebeu o prêmio Chico Viola, da TV Record.

Em 1971, a Copacabana lançou seu primeiro LP, Benito di Paula, com composições próprias e interpretações de "Jesus Cristo", de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, "Azul da Cor do Mar", de Tim Maia, e "Apesar de Você", de Chico Buarque. As quatro composições próprias eram "Você vai ser alguém", "Eu gosto dela", "Preciso encontrar você" e "Longe de você", esta em parceria com Carlos de Carvalho. A inclusão de "Apesar de Você" levou ao recolhimento do disco durante a ditadura militar brasileira.

Samba e televisão na década de 1970

O segundo LP, Ela, de 1972, trouxe "Violão não se empresta a ninguém". A produção foi de Alfredo Borba, com arranjos de Léo Peracchi, Portinho e José Briamonte. Das doze faixas, quatro eram composições de Benito, entre elas "Quem vem lá" e "Frevo gingado". O repertório tinha também "Antonico", de Ismael Silva, e três canções de Carlos Magno, "O bom é o Juca", "Formiga desunida" e "Paraíba", esta em parceria com João Rodrigues.

"Retalhos de cetim" foi lançada em compacto em 1973 e entrou em Um Novo Samba, do mesmo ano. A canção ganhou gravações de Jair Rodrigues, da orquestra de Paul Mauriat e do guitarrista Charlie Byrd. Nas pesquisas de vendas do NOPEM, o compacto ficou em nono lugar em 1974. Benito voltou à nona posição com "Se não for amor", em 1975, e chegou à quinta com "Vai ficar na saudade", em 1976.

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Benito di Paula | World in Stories