Bernardino António Gomes, filho ComTE • ComC • ComSE (Santa Marinha, Lisboa, 22 de Setembro de 1806 - São José, Lisboa, 8 de Abril de 1877) foi um médico e botânico português. Tinha o mesmo nome do pai, o botânico Bernardino António Gomes, pai (1768-1823).
Formou-se em Medicina na Universidade de Paris e em Matemática na Universidade de Coimbra, destacando-se por ter sido o primeiro médico português a utilizar o clorofórmio e um aparelho de inalação de éter, revolucionando as técnicas da anestesia.
Lente da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa;
Director do Hospital da Marinha;
Presidente do Conselho de Saúde Naval;
Presidente da Sociedade de Ciências Médicas;
Presidente da Sociedade de Farmacêutica Lusitana;
Vice-presidente da Comissão Central Permanente de Geografia
Foi um dos mentores da "Comissão Portuguesa de Socorros a Feridos e Doentes em Tempo de Guerra", aprovada por El Rei D. Luiz, por Carta de Lei de 9 de Agosto de 1866, em que Portugal adere à Convenção de Genebra de 22 de Agosto de 1864. Bernardino António Gomes presidiu à Reunião de 11 de Fevereiro de 1865, em que foi decidida a organização provisória do que viria a ser a Cruz Vermelha Portuguesa.
Foi um dos fundadores da Gazeta Médica de Lisboa; do Jornal da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa e Sócio emérito da Academia Real das Ciências de Lisboa.
Foi nomeado 1.º Médico da Real Câmara em Janeiro de 1864. Presidiu à Comissão encarregada de redigir a Farmacopeia Portuguesa.
Foi nomeado pelo rei D. Luís I para dirigir a Comissão Criadora e Instaladora do Hospital de Dona Estefânia, comissão presidida pelo monarca e da qual faziam parte outras personalidades. A selecção do projecto e sua execução foi monitorizada por esta comissão, a qual não mediu esforços para tornar este hospital num dos mais inovadores da época. O Hospital de Dona Estefânia foi o primeiro hospital português construído de raiz para o efeito.
Foi a personalidade médica que mais contribuiu para a progressão da higiene em Portugal. Na conferência sanitária internacional de Constantinopla reivindicou para Garcia de Orta a primazia no estudo da Cólera Morbo.
Foram-lhe realizadas duas homenagens e erguidos dois bustos sob pedestal em Lisboa, ambos trabalhos do escultor António Augusto da Costa Motta (sobrinho). Um encontra-se localizado no Jardim Botânico de Lisboa, e o outro inaugurado pelo Presidente da República Óscar Carmona, em 1930, no Largo Dr. Bernardino António Gomes (Pai), em São Vicente de Fora, junto ao Hospital da Marinha, ao Campo de Santa Clara.
Formatura em Matemática e Medicina
Formou-se em Matemática em Coimbra tendo obtido prémios no 1.º e 3.º anos; no final do curso foi-lhe atribuída formatura gratuita e oferecido o capelo que não aceitou por querer seguir os estudos de Medicina.
Nos dois primeiros anos do curso de Medicina obteve classificações distintas mas interrompeu os estudos, as suas convicções liberais leva-no a ingressar no Batalhão Académico de Coimbra, reorganizado em 1828.
A derrota das forças liberais obriga-o a emigrar para França, fixando-se em Paris, onde retomou os estudos de Medicina e concluiu o curso em 1831, com tese de doutoramento.