A Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) é uma instituição pública que tem à sua guarda o património bibliográfico português. Sedeada na Cidade Universitária de Lisboa, constitui-se como um serviço central da administração direta do Estado Português, integrado no Ministério da Cultura.
A Biblioteca Nacional de Portugal tem a missão de recolher, tratar e conservar o património documental português, em língua portuguesa e sobre Portugal, nos vários tipos de suporte em que se apresente. Também assegura o estudo, a divulgação e as condições para a fruição daquele património, bem como garante a classificação e a inventariação do património bibliográfico nacional de Portugal.
No âmbito da sua missão, a BNP prossegue as seguintes atribuições:
Receber, processar, conservar e facultar ao público a documentação obtida por depósito legal, bem como outra documentação considerada de interesse para a língua portuguesa, para a cultura e para o conhecimento científico;
Assegurar as funções de agência bibliográfica nacional, registando e difundindo a bibliografia nacional corrente e retrospetiva, bem como assegurar a gestão do catálogo coletivo nacional, consubstanciado no PORBASE (Base Nacional de Dados Bibliográficos);
Funcionar como organismo de normalização sectorial no domínio da informação e documentação em Portugal, mantendo uma atualização e uma relação permanente com as organizações desse âmbito a nível internacional;
Definir estratégias e desenvolver atividades de preservação e conservação dos acervos à sua guarda, incluindo uma ativa política de transferência de suportes;
Promover e participar em projetos de cooperação nacionais e internacionais, visando o desenvolvimento de novos serviços comuns e partilhados, nomeadamente no âmbito da informação digital,
Propor a classificação de bens culturais do património bibliográfico como de interesse público ou de interesse nacional
Exercer, em representação do Estado Português, o direito de preferência em caso de alienação, designadamente, em hasta pública ou leilão, de espécies e coleções bibliográficas, fundos bibliográficos e espólios documentais,
Assegurar, nos termos da lei e do direito europeu, os procedimentos relativos à exportação, expedição e circulação de bens do património bibliográfico.
Sendo considerada centro nacional de informação bibliográfica, coopera com instituições congéneres portuguesas e estrangeiras através da PORBASE, com a sua rede de informação possibilitando a cada utilizador o acesso aos serviços desta biblioteca sem limite de espaço e tempo. A BNP é uma das entidades fundadoras do serviço The European Library, que visa a disponibilizar via internet o acesso ao espólio cultural europeu.
O projeto do que viria a ser a atual Biblioteca Nacional de Portugal terá sido idealizado por frei Manuel do Cenáculo, que, como presidente da Real Mesa Censória, pretendia transformar os depósitos de livros daquela instituição numa biblioteca pública, para a qual projetou a construção de um edifício próprio, com salas para leitura e catálogo, além de condições especiais para conservação de livros preciosos. A biblioteca foi confiada a António Ribeiro dos Santos, mas já não se tornaria uma realidade dentro do âmbito da Real Mesa Censória, dada a extinção desta em 1794.
O projeto de um biblioteca pública viria a ser finalmente concretizado com a criação da Real Biblioteca Pública da Corte, pelo Alvará de 29 de fevereiro de 1796, assinado pelo príncipe D. João, em nome da rainha D. Maria I. A Real Biblioteca Pública tinha como objetivo disponibilizar o seu acervo ao público geral, desta forma contrariando a tendência europeia, da época, de disponibilizar apenas para sábios e eruditos os tesouros manuscritos e impressos das várias bibliotecas régias. A Real Biblioteca Pública seria financiada a partir do Cofre do Subsídio Literário e funcionaria na dependência da Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda. Seria administrada por um bibliotecário maior, subordinado ao ministro e secretário de Estado da Fazenda, como inspetor-geral da mesma. A Real Biblioteca Pública herdou o acervo da biblioteca da extinta Real Mesa Censória e o bibliotecário desta, António Ribeiro dos Santos, tornou-se o primeiro bibliotecário maior da nova instituição.
Pelo Decreto de 7 de dezembro de 1836, que estabelecia o seu novo regulamento, passou a denominar-se Biblioteca Nacional de Lisboa (BNL).
Em 1952, estabelece-se que, nas capitais dos diversos territórios ultramarinos portugueses, deveriam passar também a funcionar bibliotecas nacionais, com estatutos análogos à da BNL e, como tal, sendo-lhes concedido também o privilégio de depósito legal de todos os livros publicados em Portugal. Ainda em 1952, recebem este estatuto a Biblioteca Nacional de Goa (fundada em 1832) e a Biblioteca Nacional de Macau (fundada em 1895). Posteriormente, são estabelecidas a Biblioteca Nacional de Moçambique (1961), em Lourenço Marques, a Biblioteca Nacional de Angola (1969) em Luanda e a Biblioteca Nacional da Guiné (1970) em Bissau. Estas bibliotecas ainda hoje existem, constituindo as bibliotecas nacionais dos respetivos países e territórios.
Através do Decreto-lei n.º 332/80 de 29 de agosto de 1980, a BNL foi reestruturada e passou a designar-se simplesmente Biblioteca Nacional (BN).
Pelos decretos-lei n.ºs 106-A/92 e 106-E/92, ambos de 1 de julho de 1992, a Biblioteca Nacional é extinta como organismo separado e fundida com o Instituto Português do Livro e da Leitura, dando origem ao Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro.