William Jefferson "Bill" Clinton (nascido como William Jefferson Blythe III; Hope, 19 de agosto de 1946) é um político dos Estados Unidos que serviu como o 42.º presidente do país por dois mandatos, entre 1993 e 2001. Antes de servir como presidente, Clinton foi governador do estado do Arkansas por dois mandatos. Foi empossado aos 46 anos, sendo o terceiro presidente mais jovem na data em que tomou posse e o primeiro da geração baby boomer.
É um ex-aluno da Universidade de Georgetown, onde foi membro das sociedades Kappa Kappa Psi e Phi Beta Kappa e ganhou uma bolsa de estudos Rhodes para estudar na Universidade de Oxford. É casado com Hillary Rodham Clinton, que foi secretária de Estado entre de 2009 a 2013 e foi senadora por Nova Iorque de 2001 a 2009. Ambos os Clintons receberam diplomas de direito da Universidade Yale, onde se conheceram.
Clinton tem sido descrito como um novo democrata. Algumas das suas políticas, como o Acordo de Livre Comércio Norte Americano e a reforma do bem-estar, têm sido atribuídas a uma terceira via centrista de filosofia de governação, enquanto em outras questões a sua posição foi de centro-esquerda. Clinton presidiu o período mais longo de expansão econômica em tempos de paz da história americana. O Escritório de Orçamento do Congresso informou um superávit orçamentário entre os anos de 1998 e 2000, durante os últimos três anos da presidência de Clinton. Após uma tentativa fracassada de reforma dos cuidados de saúde, os republicanos ganharam o controle da Câmara dos Representantes em 1994, pela primeira vez em 40 anos. Dois anos depois, em 1996, Clinton foi reeleito e se tornou o primeiro membro do Partido Democrata desde Franklin D. Roosevelt a ganhar um segundo mandato como presidente. Mais tarde ele foi acusado de perjúrio e obstrução da justiça em um escândalo envolvendo uma estagiária da Casa Branca, mas foi absolvido pelo Senado dos Estados Unidos e serviu o seu mandato completo.
Bill Clinton deixou o cargo com o melhor índice de aprovação de qualquer presidente dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial. Desde então, ele esteve envolvido em palestras e trabalhos humanitários. Baseado em sua visão de mundo, Clinton criou o William J. Clinton Foundation para promover e tratar as causas internacionais, tais como tratamento e prevenção de HIV/AIDS e do aquecimento global. Em 2004, lançou sua autobiografia Minha Vida, e esteve envolvido na campanha presidencial de 2008 de sua esposa Hillary e, posteriormente, na do presidente Barack Obama. Em 2009, foi nomeado pelas Nações Unidas enviado especial para Haiti. No rescaldo do terramoto do Haiti em 2010, Clinton se uniu com George W. Bush para formar o Fundo Clinton-Bush.
William Jefferson Blythe III nasceu em 19 de agosto de 1946, no Hospital Julia Chester, na cidade de Hope, Arkansas. Seu pai, o texano William Jefferson Blythe Jr. (1918–1946), era um vendedor e morreu em um acidente de carro três meses antes dele nascer. Pelo lado paterno, ele é descendente de escoceses, irlandeses e ingleses, que teriam se estabelecido no país antes mesmo da independência. Logo após ele ter nascido, sua mãe, Virginia Dell (1923–1994), se mudou para Nova Orleães para estudar enfermagem. Ela deixou o seu filho em Hope com os avós, Eldridge e Edith Cassidy, que tinham uma mercearia. Naquele período, o sul dos Estados Unidos era muito segregado racialmente. Mesmo assim, os avós de Bill atendiam todas as pessoas, independente de cor. Em 1950, a sua mãe voltou e se casou com Roger Clinton, Sr., que era dono de uma revendedora de carros em Hot Springs, Arkansas, com seu irmão e com seu amigo Earl T. Ricks.
Embora ele tenha assumido quase imediatamente o uso do sobrenome de seu padrasto, foi só quando Billy (como era chamado) chegou aos 15 anos que ele adotou formalmente o nome Clinton. Ele disse certa vez que se lembra do seu padrasto como um apostador e alcoólatra, que abusava de sua mãe e de seu meio-irmão, Roger Clinton, Jr., ao ponto que o próprio Bill teve que intervir para pará-lo.
Na cidade de Hot Springs, Bill estudou nas escolas St. John's Catholic Elementary, Ramble Elementary e Hot Springs High School. Por lá ele se demonstrou um aluno astuto, eleito líder da classe, um ávido leitor e um músico talentoso. Clinton fazia parte do coral e aprendeu a tocar o saxofone tenor, que lhe deu reconhecimento local. Nessa época ele considerou seguir uma carreira como músico, mas, como ele afirmou em sua autobiografia My Life: "Aos dezesseis anos, eu decidi que queria entrar para a vida pública e ser eleito para um cargo. Eu amava música e achava que era bom, mas eu sabia que não seria um John Coltrane ou Stan Getz. Eu tinha um interesse em medicina e pensei que podia ser um bom médico, mas eu sabia que não seria um Michael DeBakey. Mas eu sabia que poderia ser um bom servidor público". Com a idade de 10 anos, ele foi batizado na Igreja Batista de Park Place em Hot Springs e permaneceu como batista por toda sua vida.
O interesse de Clinton por direito começou ainda em Hot Springs durante um trabalho escolar, onde ele mostrou uma boa retórica e habilidades políticas.
Clinton disse que dois momentos da sua vida foram decisivos para ele decidir estudar direito, ambos em 1963. Um deles foi sua visita a Casa Branca para se encontrar com o presidente John F. Kennedy. O outro foi quando ele ouviu o discurso "Eu Tenho um Sonho" (I Have a Dream), do reverendo Martin Luther King Jr..
Com o benefício de várias bolsas de estudo, Clinton foi estudar na Universidade de Georgetown, em Washington, D.C., onde recebeu um bacharelado (B.S.) em 1968. Entre 1964 e 1965 ele foi eleito presidente de classe. De 1964 a 1967 ele estagiou para o senador democrata J. William Fulbright. Bill então se juntou a fraternidade Alpha Phi Omega e foi também eleito Phi Beta Kappa logo em seguida. Clinton também foi membro da Ordem DeMolay, um grupo associado a maçonaria, mas ele nunca foi um maçom. Ele ainda foi membro honorário da fraternidade Kappa Kappa Psi.
Após se formar, ele ganhou uma bolsa de estudos de Rhodes para cursar na University College de Oxford, onde estudou filosofia, política e economia, mas não chegou a se formar, preferindo estudar direito em Yale. Enquanto na Inglaterra, ele desenvolveu um gosto por rugby, chegando a jogar no seu período livre em Oxford e mais tarde no Arkansas.
Oposição a Guerra do Vietnã e controvérsia do recrutamento
Enquanto estava em Oxford, ele participou do movimento de oposição à Guerra do Vietnã e participou da organização de protestos contra este conflito em 1969.
Clinton, como milhões de outros americanos, recebeu, entre 1968 e 1969, seus papéis para se apresentar ao exército e servir, possivelmente para ser mandado ao Vietnã. Pretendendo cursar direito, ele tentou, de forma malsucedida, se juntar a Guarda Nacional e a Força Aérea, e então decidiu que iria tentar se juntar ao Corpo de Oficiais da Reserva.
Ele acabou não se juntando a reserva, dizendo em uma carta ao oficial responsável pelo programa de recrutamento que ele se opunha a guerra, mas não achava honrado usar a sua entrada na reserva ou na guarda nacional para escapar do serviço no Vietnã. Ele disse que se apresentaria ao draft, mas não serviria nas forçar armadas. Clinton se apresentou, mas não foi convocado. Muitos acreditam que ele usou seus contatos políticos para escapar de ter que servir na guerra e seus oponentes o criticaram por isso. O coronel Eugene Holmes, oficial responsável pelas aplicações para a academia de oficiais da reserva, suspeita que Clinton tentou manipular a situação para evitar ter que servir no exército. Ele disse que Clinton teria usado de sua influência com o senador Fulbright, a quem ele havia servido como estagiário, para se livrar de ser convocado.
Durante a campanha eleitoral de 1992, foi revelado que o tio de Clinton tentou fazer com que ele fosse alistado na reserva da marinha, o que o ajudaria a evitar servir no Vietnã. Bill não sabia que seu parente tentara fazer isso por ele. Apesar de legal, as ações de Clinton para evitar servir no exército foram criticadas por conservadores e veteranos da Guerra do Vietnã durante sua primeira corrida a presidência. O gerente da campanha de Clinton em 1992, James Carville, afirmou que as ações do presidente eram justificadas pois ele, assim como vários outros americanos, se opunha a guerra por uma questão de princípio e que eles, o eleitorado, entenderiam.