Milton "Bill" Finger (Nova Iorque, 8 de fevereiro de 1914 – Manhattan, 18 de janeiro de 1974) foi um escritor estadunidense de tiras de quadrinhos e de revistas em quadrinhos, o nem tanto conhecido criador do personagem Batman da DC Comics, em conjunto com seu amigo Bob Kane e o arquiteto do desenvolvimento da série. Embora ele nunca tenha sido creditado ao longo dos anos pelo desenvolvimento do mesmo, Kane nunca admitiu quem foi o real criador dos heróis mais conhecidos do mundo (no caso Bill Finger)
Finger também escreveu as primeiras histórias do Lanterna Verde na década de 40, sendo creditado como co-criador do Lanterna Verde (Alan Scott) original, e tendo contribuído para o desenvolvimento de inúmeras outras séries de quadrinhos.
Ele foi postumamente introduzido no Jack Kirby Hall of Fame da indústria de quadrinhos em 1994 e o Will Eisner Comic Book Hall of Fame em 1999. Seu nome serviu como base para o Bill Finger Award ["Prêmio Bill Finger"], fundado por Jerry Robinson e concedido anualmente na San Diego Comic-Con a duas pessoas – uma em vida e póstumo – a pessoas que “têm produzido um conjunto significativo de trabalhos na área de quadrinhos."
Bill Finger nasceu em Denver, Colorado, em uma família judaica. Seu pai, Louis Finger (n. de 1890, Áustria), emigrou para os EUA em 1907. Sua mãe, Tessie (n. cerca de 1893, Cidade de Nova Iorque) também deu à luz as irmãs de Bill Finger, Emily e Gilda. A família mudou-se para o Bronx, cidade de Nova Iorque, onde durante a Grande Depressão, Louis Finger foi forçado a fechar sua alfaiataria. Finger formou-se na DeWitt Clinton High School no Bronx em 1933.
Um escritor aspirante e um vendedor de calçados em meio período, Finger juntou-se ao nascente estúdio de Bob Kane em 1938 depois de ter encontrado Kane, um colega da DeWitt Clinton, em uma festa. Kane, mais tarde, ofereceu-lhe um trabalho de "escritor-fantasma" das tiras Rusty e Clip Carson.
No início do ano seguinte, o sucesso da National Comics com o super-herói Superman na Action Comics levou os editores a uma busca por heróis semelhantes. Em resposta, Kane concebeu "o Bat-Man". Bill Finger recordou que Kane: ... teve uma ideia para um personagem chamado 'Bat-Man', e gostaria que eu visse seus desenhos. Fui até Kane e ele tinha desenhado um personagem que parecia muito com o Superman... calças justas vermelhas, creio, com botas ... sem luvas, sem manoplas ... com uma pequena máscara de carnaval, balançando em uma corda. Ele tinha duas asas rígidas que pareciam asas de morcego. E sob ele um grande sinal... BATMAN."
Finger sugeriu mudanças para o personagem: um capuz ao invés de uma máscara de carnaval, uma capa em vez de asas e trocar as partes vermelhas pelos tons cinza e preto. Ele disse mais tarde que as sugestões foram influenciadas pelo famoso O Fantasma de Lee Falk, um personagem de tiras de jornal , desenvolveu o contexto, o clima e a personalidade do nosso herói. Também criou o nome de Bruce Wayne para a identidade secreta do personagem. Como Finger descreveu, "O primeiro nome de Bruce Wayne veio de Robert Bruce, o patriota escocês. Wayne, sendo um playboy, deveria ter uma ascendência nobre. Busquei por um nome que sugerisse a colonialismo. Tentei Adams, Hancock ... então pensei em Mad Anthony Wayne." Kane, décadas depois, em sua autobiografia descreveu Finger como "uma força que contribuiu com o Batman desde o início... Eu fiz o Batman um justiceiro super-herói quando o criei. Bill o transformou em um detetive científico." O biógrafo de Finger, Marc Tyler Nobleman descreveu, "Bob [Kane] mostrou Bat-Man ao [editor] Vin [Sullivan] — sem Bill. Vin imediatamente dispôs-se a publicar Bat-Man, e Bob negociou um acordo — sem incluir Bill."
Finger escreveu o roteiro inicial para a estreia do Batman na Detective Comics #27 (maio de 1939) e a segunda aparição do personagem, enquanto Kane fazia a arte. O desenhista foi o único a receber os créditos pela criação do personagem, pois apresentou sozinho a proposta para os editores da DC Comics. Batman mostrou-se um sucesso, e Finger passou a escrever a maioria das primeiras histórias do Batman, inclusive fazendo grandes contribuições para o personagem O Joker (português europeu) ou Coringa (português brasileiro) e vários outros vilões. O letrista (e artista que fazia os fundos das histórias, como cenários) do Batman, George Roussos ressalta:O que era bom sobre Bill é que, o que quer que ele escrevesse em uma trama, fazia um monte de pesquisa para aquilo. Quer se passasse em uma estação de trem ou em uma fábrica, ele sempre tinha uma foto de referência, normalmente da National Geographic, e dava a Bob [Kane] toda a pesquisa para desenhar a partir daquilo. Ele era muito organizado e metódico. Seu único problema era que não conseguia manter o ritmo de trabalho… não podia produzir material com regularidade o suficiente.
Robin foi apesentado como sidekick ["parceiro-mirim"] do Batman na Detective Comics #38 (abril de 1940). Bob Kane gostaria que a origem do personagem fosse idêntica ao Batman, para se fazer um paralelo de suas tragédias pessoais. Foi Bill Finger quem desenvolveu a ideia de seus pais, que seriam assassinados, serem artistas circenses. Finger comentou:"Robin foi uma conseqüência de uma conversa que tive com Bob. O Batman era uma mistura de Douglas Fairbanks e Sherlock Holmes. Holmes tinha seu Watson. O que me incomodava era que o Batman não tinha ninguém com quem trocar ideias, e ficou um pouco cansativo sempre mostrá-lo pensando. Conforme eu escrevia, vi que o Batman precisava de um Watson para conversar. Foi assim que o Robin nasceu. Bob me ligou e disse que iria colocar um garoto na tira para se identificar com o Batman. Eu pensei que era uma ótima ideia".
O historiador de quadrinhos, Jim Steranko, escreveu em 1970 que a lentidão de Finger como escritor levou o editor de Batman, Whitney Ellsworth [que substituiu Vin Sullivan], a sugerir que Kane o substituísse. Durante a ausência de Finger, Gardner Fox mandou com os scripts que foram introduzidos no início de Batman, como o "Bat-" arsenal (o cinto de utilidades, o Bat-Giro/plano e o Batarangue). Após seu retorno, Finger criou e co-criou itens como o Batmóvel e a Batcaverna, e é creditado pelo fornecimento do nome "Gotham City". Finger escreveu a edição de estreia da série de revistas em quadrinhos auto-intitulada de Batman, que introduziu o Coringa (Joker) e a Mulher-Gato (Catwoman). Entre as coisas que fizeram suas histórias particularmente distintas era a utilização de adereços de tamanhos gigantes: centavos ampliados, máquinas de costura ou máquinas de escrever. Dois dos troféus mais apresentados na Batcaverna do Batman, um animatrônico Tyrannosaurus Rex em tamanho real e uma réplica gigante da moeda de um centavo de Lincoln, foram ambos, introduzidos em histórias escritas por Finger (mas não creditada a ele). Ele foi um dos escritores da tira de quadrinhos Batman de 1943 a 1946.
Por fim, Finger deixou o estúdio de Kane para trabalhar diretamente para a DC Comics, onde fornecia scripts para personagens, inclusive Batman e Superman. Uma parte do mito do Superman que se originou no programa de rádio deu sua cara nos quadrinhos, no momento em que a kryptonita apareceu em uma história de Finger e Al Plastino em Superman #61 (novembro de 1949). Como escritor da série Superboy, Finger criou Lana Lang, um interesse amoroso para o super-herói adolescente. Continuando seu trabalho com o Batman, ele e o artista Sheldon Moldoff introduziram Ace o Bat-Cão em Batman #92 (junho de 1955), Bat-Mirim em Detective Comics #267 (maio de 1959), Cara-de-Barro em Detective Comics #298 (dezembro de 1961), e Betty Kane, a Bat-Girl original em Batman #139 (abril de 1961). Finger escreveu para outras empresas, entre elas, a Fawcett Comics, Quality Comics e a antecessora da Marvel Comics, Timely Comics.[carece de fontes?] Finger criou o Esquadrão Vitorioso em All Winners Comics #19 (outono [americano] de 1946) para a Timely.
Em 1994, Kane deu o crédito a Finger como co-criador do arqui-inimigo do Batman, o Coringa, apesar das reivindicações sobre o personagem do artista Jerry Robinson:Finger e eu criamos o Coringa. Bill era o escritor. Jerry Robinson chegou com uma carta de baralho do Coringa. Esta é a história resumida. O Coringa se parece com o Conrad Veidt – o ator de O Homem Que Ri (The Man Who Laughs), [filme de 1928 baseado no romance] de Victor Hugo. […] Bill Finger tinha um livro com uma foto de Conrad Veidt, me mostrou e disse, ‘Eis o Coringa’. Jerry Robinson não teve nada a ver com isso. Ele vai defender que teve participação até morrer. Ele trouxe uma carta de baralho, que usamos em algumas edições para que o Coringa utilizasse como cartão.