William "Bill" Maher, Jr. (Nova York, 20 de Janeiro de 1956) é um comediante de stand up, apresentador de televisão, comentador político e escritor americano.
Antes da sua actual função de apresentador do programa Real Time With Bill Maher na HBO, este apresentou um programa similar, Politically Incorrect, originalmente na Comedy Central e, mais tarde, na ABC.
Maher é conhecido pela sua sátira política e comentários ácidos sobre a sociedade e a política. Os seus comentários têm como alvo uma grande variedade de tópicos, entre eles, a religião, a política, vários tipos de burocracia, correcção política, os meios de comunicação e pessoas em posições de grande poder político e social. Ele apoia a legalização da marijuana e do casamento homossexual e faz parte do grupo PETA – Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais. É um grande crítico da religião e faz parte dos quadros do The Reason Project. As suas visões críticas das religiões foram a base do documentário Religulous.
Em 2005, Maher foi ranqueado como o 38.º maior comediante de stand-up de todos os tempos pelo Comedy Central.
Maher nasceu em Nova York, filho de Julie, uma enfermeira, e William Maher, Sr., um editor de notícias e locutor. Maher foi criado sob a religião católica do pai, de origens irlandesas, e só descobriu que a sua mãe era judia durante a sua adolescência. A família de Maher deixou de frequentar a igreja quando este tinha 13 anos, porque o seu pai discordava da posição do Papa em relação aos métodos contraceptivos. Maher cresceu em River Vale, Nova Jérsia e formou-se no liceu Pascack Hills em Montvale. Ele recebeu o bacharelato de Artes em Inglês e História na Universidade de Cornell em 1978.
Maher iniciou a sua carreira como comediante de stand up e ator, e continua a representar e a fazer digressões ocasionalmente. Ele foi o anfitrião de Rising Star, no clube de comédia nova-iorquino Catch em 1979. Graças a Steve Allen, começou a aparecer nos programas de Johnny Carson e David Letterman em 1982. Ele fez aparições televisivas limitadas, incluindo duas aparições separadas no programa Murder She Wrote. Também apareceu em vários filmes, normalmente em papéis cómicos. Foi argumentista da sitcom dos finais dos anos 80, Roseanne. A sua estreia no grande ecrã, aconteceu no filme D.C. Cab de 1983. Também apareceu nos filmes Ratboy (1986), Cannibal Women in the Avocato Jungle of Death (1988) e Pizza Man (1991).
Maher ficou famoso como apresentador do programa Politically Incorrect, (1993-2002) que era transmitido na Comedy Central e, mais tarde, na ABC. O programa abria habitualmente com um monólogo de Maher precedendo a introdução de quatro convidados, geralmente um grupo diverso de indivíduos, como figuras do mundo do espectáculo, cultura popular, analistas políticos, consultores políticos, autores e jornalistas. O grupo discutia temas atuais selecionados por Maher, que também participava das discussões. Actualmente (Janeiro de 2019) apresenta o programa Real Time with Bill Maher na HBO.
A ABC decidiu não renovar o contrato de Maher em 2002, depois de este ter feito um comentário controverso a 17 de Setembro de 2001, quando concordou com o comentador político conservador Dinesh D'Souza em como os terroristas do 11 de Setembro não eram covardes. Continuou e disse, "Nós é que temos sido os covardes por lançar mísseis a milhares de quilómetros de distância. Isso é covardia. Permanecer no avião quando ele embate contra o edifício, digam o que disserem, não é covardia. Estúpido, talvez, mas não covarde". Mais tarde, Maher disse que os seus comentários não eram antimilitares de forma alguma, mencionando o seu apoio de longa data às tropas americanas.
No contexto da sensibilidade que se seguiu aos ataques, um comentário desse tipo foi considerado demasiado controverso para alguns patrocinadores do programa. Apesar de alguns, incluindo o locutor conservador Rush Limbaugh, apoiarem Maher por ter apontado a diferença entre a covardia moral e a física, empresas como FedEx e Sears Roebuck, retiraram os seus anúncios do programa, o que aumentou o seu custo quando regressou. Ari Fleisher, o Secretário de Imprensa da Casa Branca na altura, respondeu a uma pergunta colocada sobre Maher da seguinte forma: "…isso são lembranças para todos os americanos de que têm de ter cuidado com o que dizem e com o que fazem. Esta não é a altura para fazer comentários desses…"
O programa foi cancelado a 16 de Junho de 2002, apesar de o grupo Sinclar Broadcast Group (SBG) o ter retirado do ar em estações afiladas à ABC, muito antes. A 22 de Junho de 2002, 6 dias após o cancelamento, Maher recebeu um President's Award (para os "campeões da liberdade de expressão") do Los Angeles Press Club.
Os comentários de Maher sobre a covardia dos terroristas seguiram-se a outro comentário polémico que ele tinha feito no início desse ano, quando comparou cães a crianças deficientes: "…Mas eu digo sempre que se tivesse — eu tenho dois cães — se tivesse dois filhos deficientes, seria um herói. E no entanto os cães, que são quase a mesma coisa… São queridos, são amáveis, são simpáticos, mas não evoluem mentalmente de todo… ". Quando outra convidada lhe disse que a sua sobrinha era deficiente e que não a via como um cachorrinho, ele respondeu com, "Talvez devesse". Mais tarde, pediu desculpa, dizendoː "Eu não vou inventar desculpas. Eu estava errado e o que disse foi ofensivo para as pessoas e sinto-me terrível em relação a isso".
Em 2003, Maher tornou-se apresentador do Real Time With Bill Maher na HBO, um programa de debate, em parte parecido com o Polticially Incorrect, mas com uma escolha mais restrita de convidados. Maher disse a Terry Gross em 2004 que prefere ter convidados mais sérios e informados no seu programa, em vez de celebridades escolhidas ao acaso que estragavam as suas discussões em Politically Incorrect.
Real Time With Bill Maher começa com um monólogo de abertura cómico baseado em eventos e questões atuais. Daí prossegue para uma entrevista individual com um convidado, seja em estúdio ou via satélite. Após a entrevista, Maher participa com dois ou três painelistas, geralmente especialistas, autores, ativistas, atores, políticos e jornalistas, para uma discussão dos eventos da semana.
Desde Maio de 2005, ele é um dos contribuidores do The Huffington Post.[carece de fontes?]
A 13 de Janeiro de 2006, Maher apresentou o Larry King Live, onde é um convidado frequente. Os primeiros convidados do programa foram Dean Koontz e as Dixie Chicks. Antes deste, foi exibida uma ante-estreia a partir do Festival de Cinema de Sundance que teve como convidados Stephen King e Rob Thomas. Maher também produziu e escreveu o programa que foi exibido a 17 de Agosto, oito dias antes da estreia de Real Time.
No início de 2006, Real Time foi lançado em formato de CD de áudio, em conjunto com um outro CD intitulado Bill Maher's New Rules, e que contém clips, segmentos e anúncios do Real Time. A partir do 67.º episódio, o programa passou a ser disponibilizado no iTunes de forma gratuita e no formato de podcast semanal.
Maher evita rótulos políticos, se referindo como uma pessoa "prática". No passado, costumava se descrever como um libertário e afirmava ser um "progressista, uma pessoa sã". Desde os anos 2000, ele se classifica como um "liberal do 11 de Setembro" observando que a sua visão liberal anterior do Islão mudou como resultado dos ataques de 11 de Setembro de 2001, e ele diferencia-se dos liberais que opinam que todas as religiões são iguais.
Maher é a favor do fim do bem-estar corporativo e financiamento federal de organizações sem fins lucrativos, e a favor da legalização do jogo, da prostituição e da maconha (cannabis). Maher é membro da NORML, uma organização que apoia a descriminalização da marijuana, e é um consumidor de marijuana assumido. Para além disto, descreve-se como um defensor do meio-ambiente e refere-se bastantes vezes à questão do aquecimento global no seu programa. É também um grande crítico das corporações, criticando regularmente pessoas com relações próximas à indústria.