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Blumenau

Município do estado de Santa Catarina

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Blumenau é um município do estado de Santa Catarina, Região Sul do Brasil. Localiza-se na microrregião homônima e na Mesorregião do Vale do Itajaí. É a cidade-sede da Região Metropolitana do Vale do Itajaí. É o terceiro município mais populoso do estado, o 8º da Região Sul do Brasil, o 78º do Brasil e a única cidade média-grande de Santa Catarina, constituindo um de seus principais polos industriais, tecnológicos e universitários.

Foi fundada pelo químico e farmacêutico alemão Hermann Bruno Otto Blumenau, que chegou em um barco via rio Itajaí-Açu acompanhado de outros dezessete colonos compatriotas. Este desembarcou à foz do ribeirão Garcia em 2 de setembro de 1850 e dividiu a gleba em lotes para que os colonos pudessem edificar suas moradias, majoritariamente casas feitas com a técnica enxaimel. O intervalo ocupado entre as fozes dos ribeirões Velha e Garcia definiu o atual centro da cidade.

Possui uma agenda cultural focada nas festas baseadas no cotidiano e hábitos dos imigrantes europeus, destacando-se a colonização alemã, com a Oktoberfest, a segunda maior festa de cerveja do mundo, que, todos os anos em outubro, acontece durante 17 dias, e o Stammtisch, tradicional reunião de associações, que ocorre tanto na rua XV de Novembro, no Centro do município, como na Vila Itoupava. O núcleo italiano da população realiza a Festitália, além de ainda ocorrerem reuniões do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) e diversas outras manifestações das culturas europeia e brasileira.

Blumenau é o centro econômico do vale do Itajaí, sobressaindo-se as indústrias têxtil e informática — com empresas de porte nacional e internacional, como a Companhia Hering, 16º maior do estado catarinense, e a maior fabricante de etiquetas do mundo, Haco. Nota-se também a relevância regional do setor de serviços e comércio; nomeadamente saúde e educação, com a Universidade Regional de Blumenau (FURB) e quatro hospitais. Blumenau conta com um dos maiores índices de desenvolvimento humano do Brasil e cobertura vegetal extensa devido à presença do Parque Nacional da Serra do Itajaí em seu território. Entretanto, apresenta problemas sociais em comum com o restante do Brasil, como a presença de 23.131 habitantes em favelas, o maior número de Santa Catarina em 2010.

Blumenau evoca o sobrenome de Hermann Bruno Otto Blumenau, um imigrante alemão que fundou a cidade na metade do século XIX. O termo Blumenau é um termo da língua alemã, cujo significa campina florida.

Até o século XVI, a região atualmente ocupada pelo município era habitada pelos índios carijós e xokleng, majoritariamente nômades e que transitavam entre o Vale do Itajaí e o litoral catarinense.

Após o início da colonização europeia em Blumenau, os conflitos entre indígenas e imigrantes europeus aumentaram ao passo que o território indígena Laklãnõ era conquistado. Com frequência bugreiros eram contratados por imigrantes e empresas privadas na região – como Martinho Bugreiro e Ireno Pinheiro – para realizar sequestros e assassinatos de indígenas pois eram considerados “ameaça à civilização”.

Munícipe de Blumenau, o poeta catarinense Lindolf Bell publicou "Poema para o índio Xokleng" em sua obra O Código das Águias (1984) como crítica à colonização europeia na região Sul do Brasil.

A história de Blumenau é resultado da vinda de imigrantes alemães que se estabeleceram em terras de fertilidade da Mata Atlântica e construíram a colônia São Paulo de Blumenau. Foi fundada pelo químico farmacêutico Dr. Hermann Blumenau, de quem a cidade recebeu o nome. Tendo interesse pelos problemas enfrentados pelos imigrantes europeus, em 1845 se entendeu com a Sociedade de Proteção aos Emigrados Alemães para representá-la via procuração e rumou ao Brasil, objetivando instalar novas colônias e, ao mesmo tempo, fazer a verificação da situação das que já existiam. Deslocou-se pelo Rio Grande do Sul, e em seguida, em Santa Catarina, onde fez uma visitação à colônia alemã de São Pedro de Alcântara. Ciente de comentários a respeito do vale do Itajaí, explorou-o detalhadamente, associando ao seu compatriota Ferdinand Hackradt, já que a sociedade acima mencionada se dissolveu.

Percorreram o rio Itajaí-Açu a montante a bordo de canoas, conduzidos pelo brasileiro Ângelo Dias. Após três dias viajando, atingiram a desembocadura dos ribeirões Garcia e Velha em 1849. Foi a região cuja colonização foi decisiva para o povoamento inicial do município. Obteve do presidente da Província de Santa Catarina uma doação de duas léguas cúbicas, desde o ribeirão Garcia, edificando um engenho e demais barracos. Depois da tomada de certas precauções, rumou para a Alemanha, para buscar colonizadores. E em 2 de setembro de 1850, Hermann Blumenau retornou à zona elegida com os dezessete imigrantes iniciais. Neste momento já havia se dissolvido a sociedade feita entre H. Blumenau e Hackradt. Assim, Blumenau começou a ser povoada. A maioria dos imigrantes originais é proveniente de pequenas aldeias alemãs, como Pahnstangen, na Turíngia. Dentre os imigrantes chegaram notórios, como o biólogo, que colaborou com as ideias de Charles Darwin, Dr. Fritz Müller, que em 1864, publicaria seu livro Für Darwin, obra que alavancaria sua popularidade a nível internacional. Porém, os obstáculos foram grandes e Hermann Blumenau solicitou a ajuda do governo imperial. Pedro II do Brasil adquiriu a colônia por pagamento em contos de réis e indicou Blumenau como diretor da mesma, em 1860.

A despeito das enchentes, dos embates com animais selvagens e mesmo com os indígenas, por obra dos imigrantes alemães dispostos a entrar continuamente em quantidades mais numerosas, a colônia prosperou, mas não sem conflitos com os habitantes originais da região. Blumenau era habitada pelos índios xoclengues, que tiveram suas terras invadidas pelos imigrantes, originando vários conflitos, dos quais os indígenas saíram perdedores. Por uma série de anos somente existia um meio de transporte: o rio Itajaí, por onde navegaram canoas e navios de menor tamanho.

Blumenau também recebeu muitos imigrantes italianos, o que originou conflitos entre estes e os colonos alemães. Os italianos eram quase todos católicos, enquanto muitos dos alemães de Blumenau eram luteranos. Além do mais, os italianos foram assentados em lotes periféricos e montanhosos, enquanto os alemães ocupavam as terras planas junto ao centro da colônia.

Blumenau se elevou à categoria de distrito em 1873. Durante a Guerra do Paraguai, houve um grande número de moradores em Blumenau que foram apresentados como voluntários e rumaram para a guerra, defendendo a pátria que adotaram como sua nova residência.

No dia 4 de fevereiro de 1880, criou-se o município de Blumenau, composto de cerca de 13 000 moradores. A instalação do município de Blumenau data-se de 10 de janeiro de 1880. Foi desmembrado de Itajaí. Em 1881, apareceu o primeiro jornal, o Blumenauer-Zeitung que, sem interrupção, ficou em circulação até os últimos dias de 1938.

De sua extensão territorial original foram apartados mais de dez municípios, sendo que atualmente Rio do Sul, Gaspar e Indaial possuem populações superiores a 50 mil habitantes.

Entre 7 a 21 de julho de 1983, Blumenau passou por uma enchente. A enchente chegou até 9,3 metros acima do nível do mar no rio Itajaí-Açu. Neste processo, diversas casas e prédios foram levados pelas águas, 49 mortes foram confirmadas.

Em 2008, Blumenau passava por um processo de reforma de suas principais ruas, com a aplicação de um padrão estético através da utilização de paver com piso tátil para deficientes visuais, além de mobiliário.

Ainda em 2008, a rápida ascensão do nível do rio Itajaí-Açu devido aos dias de chuva constante na região, em um aumento de 350 por cento em comparação com o ano anterior, provocou alagamentos e desmoronamentos em diversas partes da cidade. As aulas foram suspensas e o ano letivo terminado antecipadamente, enquanto o serviço de ônibus, temporariamente paralisado devido a interrupções no percurso, voltou a funcionar poucos dias depois.

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