Boeing 747 é uma aeronave a jato usada no âmbito civil e militar para transporte de passageiros e de carga, referida com frequência como Jumbo Jet ou Queen of the Skies (Rainha dos Céus). A sua corcunda na parte superior frontal da fuselagem faz com que seja uma das aeronaves mais reconhecíveis do mundo, sendo também a primeira do género produzida em massa. Fabricada pela Boeing nos Estados Unidos, a versão original do 747 tinha duas vezes e meia mais capacidade de passageiros que o Boeing 707, um dos grandes aviões comerciais dos anos 1960. Efectuando o seu primeiro voo comercial em 1970, o 747 ostentou o recorde de capacidade de passageiros durante 37 anos.
Este quadrimotor tem parte da sua fuselagem com dois andares para passageiros, sendo o restante espaço para a cabine de voo, carga e combustível. A corcunda na parte superior da aeronave foi desenhada para albergar os passageiros de primeira classe ou simplesmente para aumentar a capacidade de lugares, sendo também possível noutras versões remover todos os assentos para a aeronave aumentar a capacidade de carga, tendo sido até desenhado algumas variantes com uma porta de carga frontal. Esperava-se que o 747 se tornasse obsoleto após a venda dos primeiros 400 exemplares, porém as criticas excederam as expectativas, fazendo com que em 1993 se passasse a marca dos mil exemplares construídos. Em Junho de 2020, 1556 exemplares haviam sido construídos, estando encomendadas 15 aeronaves 747-8F.
O 747-400, a versão do 747 mais vendida e usada comercialmente, tem uma grande velocidade de cruzeiro subsónica de Mach 0,85 (até 917 km/h) com um alcance intercontinental de 13 450 quilómetros. Esta versão pode acomodar 416, 524 ou 660 passageiros consoante a variante. A versão mais recente, o 747-8, está a ser produzida e recebeu a sua certificação em 2011. A venda da versão cargueiro 747-8F iniciou-se em Outubro de 2011 e a versão de passageiros 747-8I em Maio de 2012 para a Lufthansa.
A fabricação do 747 terminou em dezembro de 2022, após 54 anos de produção, com 1 574 aeronaves construídas. A competição inicial veio dos trijatos menores: o Lockheed L-1011 (introduzido em 1972), McDonnell Douglas DC-10 (1971) e mais tarde MD-11 (1990). A Airbus competiu com variantes posteriores com as versões mais pesadas do A340 até superar o 747 em tamanho com o A380, entregue entre 2007 e 2021. Até 2020, 61 Boeing 747 foram perdidos em acidentes e incidentes, nos quais um total de 3 722 pessoas morreram.
Em 1963, a Força Aérea dos Estados Unidos deu início a uma série de estudos sobre uma aeronave estratégica de transporte. Embora o C-141 Starlifter estivesse a ser incorporado na Força Aérea, acreditava-se que uma aeronave muito maior era necessária, especialmente para transportar carga que não cabia dentro de nenhum dos aviões existentes à época. Estes estudos deram início a um projecto para encontrar ou desenvolver uma aeronave em Março de 1964 com capacidade de carga de 84 000 kg a uma velocidade de Mach 0,75 com autonomia para voar 9 260 km com um peso de 52 200 kg. O compartimento de carga teria que ter uma largura de 5,18 metros, uma largura de 4,11 metros e um comprimento de 30,5 metros com portas de acesso na frente e na traseira da fuselagem.
Alimentado por apenas quatro motores, o design requeria que estes fossem novos e potentes, com bastante força e economicamente viáveis em termos de consumo de combustível. No dia 18 de Maio de 1964, várias propostas de fuselagens foram apresentadas pela Boeing, Douglas, General Dynamics, Lockheed e Martin Marietta; enquanto as propostas de motores foram submetidas pelas General Electric, Curtiss-Wright e Pratt & Whitney. Depois de analisadas, ficou acordado que a Boeing, a Douglas e a Lockheed seriam as candidatas para submeterem, cada uma, uma fuselagem que seria usada na aeronave, enquanto a General Electric e Pratt & Whitney teriam que desenvolver um motor.
Todas as três fuselagens propostas pelas companhias partilhavam muitas características. Sendo que era necessário a aeronave ter uma porta frontal para carregamentos, o local onde seria a cabine de pilotagem teria de mudar. Todas as companhias resolveram este problema ao colocar o cockpit acima da linha de carga; a Douglas desenhou uma pequena cabine no topo da fuselagem, próximo às asas; a Lockheed desenhou uma "espinha" por todo o comprimento da fuselagem; a Boeing fundiu ambas as ideias com uma cabine que se estendia das asas até próximo do nariz da aeronave. Em 1965, o design da Lockheed e o design do motor da General Electric foram escolhidos para comporem o C-5 Galaxy, que era o maior avião militar do mundo à época do seu voo inaugural. O design da porta frontal da fuselagem e cabine de voo acima do nariz da aeronave, seria o design a avançar na criação do 747.
O 747 estava a ser desenvolvido na década de 1960, em que as companhias aéreas registavam um aumento de clientes a querer viajar pelos céus. A era do transporte aéreo comercial, liderados por modelos e enorme popularidade como o Boeing 707 e o Douglas DC-8 revolucionaram o transporte aéreo de longas distâncias. Mesmo perdendo o contrato com a USAF, a Boeing foi pressionada por Juan Trippe, presidente da Pan American World Airways (Pan Am), um dos mais importantes compradores de aeronaves à Boeing, para construir uma aeronave de passageiros que fosse quase três vezes maior que o 707. Durante esta altura tornava-se cada vez mais comum haver aeroportos congestionados, situação que se agravava devido ao fluxo crescente de passageiros transportados em aeronaves pequenas. Este problema, pensava Trippe, seria resolvido com a introdução de um conjunto de aeronaves grandes.
Em 1965, Joe Sutter foi transferido da equipa de desenvolvimento do 737 da Boeing para gerir os estudos de design para uma nova aeronave, cujo modelo já tinha nome: 747. Sutter iniciou um estudo de design, juntamente com a Pan Am e outras companhias aéreas, para compreender melhor o que as empresas no mercado realmente necessitavam. Por esta altura, acreditava-se que a médio prazo o 747 seria substituído por aeronaves supersónicas. A Boeing respondeu ao mercado ao desenvolver o 747, para que se adaptasse facilmente para transportar tanto carga como passageiros, estando preparados para uma eventual quebra de vendas da versão de passageiros. Como aeronave de transporte, a principal necessidade era suportar contentores e grandes objectos, uma ideia que estava a evoluir durante a época. Um contentor normal tem 2,5 metros de altura e largura e pode variar entre 6 a 12 metros de comprimento. Isto significava que a fuselagem iria ter uma área de dois contentores de altura e dois de largura.
Em Abril de 1966, a Pan Am encomendou 25 747-100 por 525 milhões de dólares. Durante a cerimónia da oficialização do contrato, Juan Trippe previu que o 747 seria "uma grande arma de paz, competindo com os mísseis balísticos intercontinentais pelo futuro da humanidade". Como cliente de lançamento, e devido ao seu envolvimento antes de sequer o projecto ter começado formalmente, a Pan Am foi capaz de influenciar o design e desenvolvimento do 747 como nunca antes tinha acontecido e até hoje, nunca mais voltou a acontecer.
Em última análise, o design do Boeing CX-HLS não foi totalmente usado no 747, apesar de algumas das tecnologias pretendidas tivessem influenciado muitos componentes do 747. O design original incluía uma fuselagem de dois andares, com oito grupos de assentos, dois corredores a atravessar de uma ponta a outra o piso inferior e o piso superior. Contudo, preocupações em torno de possíveis rotas de evacuação e limitações no espaço para cargas levaram a que o design fosse reformulado em 1966 em prol de uma fuselagem mais larga com apenas um andar para passageiros. A cabine de voo, portanto, ficaria situada por cima do nariz da aeronave, para dar espaço para a existência de um portão frontal para carregamentos; esta característica fazia com que o 747 tivesse uma peculiar saliência na frente da fuselagem. Em modelos anteriores, não se sabia o que fazer com o espaço que restava por trás da cabine de voo, ao que a primeira ideia do seu uso foi em transforma-lo numa espécie de salão/bar sem assentos.