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Boemundo I de Antioquia

Militar francês

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Boemundo I de Antioquia, o Grande, Boemundo de Taranto ou Boemundo de Altavila (San Marco Argentano, Calábria, ca. 1058 — Canosa di Puglia, Apúlia, 3 de março de 1111), príncipe de Taranto, foi o primeiro príncipe de Antioquia e um dos líderes da Primeira Cruzada.

Era o primogénito de Roberto Guiscardo, duque de Apúlia e Calábria, com a sua primeira esposa Alberada de Buonalbergo. Foi baptizado com o prenome de "Marco", mas passaria a ser chamado Boemundo pelo seu pai, em honra a um gigante lendário, Buamundus gigas.

O título de príncipe de Taranto não terá sido usado por Boemundo durante a sua vida, mas sim criado por Rogério II da Sicília em 1132. Foi concedido retroactivamente a Boemundo em 1153, como Antiocenus et Tarentinus princeps (Príncipe de Antioquia e Taranto) no Codice diplomatico Barese, e depois geralmente chamado de princeps Tarentinus (Príncipe de Taranto).

Durante a sua vida, Boemundo assinava documentos simplesmente como Roberti ducis filius (Filho do duque Roberto) até à tomada de Antioquia. O seu filho e sucessor Boemundo II de Antioquia referia-se ao pai como magnus Boamundus (que pode ser lido como Boemundo o Grande, devido à sua enorme estatura física ou aos seus feitos guerreiros; ou como Boemundo o Velho, talvez para se diferenciar do filho, supostamente o Novo).

Por fim, devido à disputa que Boemundo I teve com o irmão, e com a subsequente diminuição do ducado de Apúlia, foi chamado de duque da Apúlia (dux Apuliae) por alguns cronistas. Mas o título mais frequentemente usado durante a sua vida teria sido príncipe de Antioquia (Antiocenus princeps).

Primeiro confronto com os bizantinos

Boemundo acompanhou o pai no seu ataque ao Império Bizantino (1080–1085) e comandou os normandos durante a ausência de Guiscardo (1082–1084). Penetrou pela Tessália até Lárissa, mas foi posteriormente repelido por Aleixo I Comneno. Esta primeira hostilidade com Aleixo teve uma influência determinante nas acções e na política do imperador, desde o início da Cruzada dos Nobres de Boemundo (a quem o seu pai tinha destinado o trono de Constantinopla).

Roberto Guiscardo teria deixado ordens para o seu filho continuar a avançar pelo ocidente bizantino e provavelmente até onde fosse possível, até mesmo Constantinopla. Assim, na primavera de 1082, Boemundo saiu de Castória e cercou Janina. Na região ao redor de Janina encontravam-se colónias de valáquios, federados do Império Bizantino com quem Boemundo acordou uma paz. Terá provavelmente recebido o apoio militar destes, uma vez que deixou muitos locais fortificados ainda nas mãos dos bizantinos.

Aleixo I Comneno enfrentou Boemundo nos arredores de Janina, que estava a ser assolada pelos normandos. Ambos os generais alteraram as suas estratégias devido a compromissos anteriores, mas a vitória foi para o tarantino neste campo, e também pouco depois nos arredores de Arta. Estas derrotas prejudicaram gravemente o prestígio bizantino na região e até Ácrida, sede do arcebispado da Bulgária, se submeteu aos normandos.

Boemundo ficou em Ácrida, apesar de não conseguir tomar a cidadela, e começou a organizar a defesa das suas conquistas. Aleixo respondeu ao seu poder crescente criando dissensão entre os seus principais comandantes. Boemundo avançou então sobre Lárissa, onde pretendia passar o inverno. O cerco durou seis meses, até o bizantino forçar os normandos à retirada na primavera.

Boemundo voltou a Castória e foi cercado nessa cidade, até à sua queda em outubro ou novembro de 1083. Em 1084, Guiscardo e os seus outros filhos, Rogério Borsa e Guy de Altavila, chegaram à Grécia à frente de um novo exército. No inverno, Boemundo adoeceu e voltou à Itália.

Quando Roberto Guiscardo morreu, a 17 de julho de 1085, Boemundo, que se encontrava em Salerno, herdou as possessões do seu pai no Adriático, que em pouco tempo foram perdidas para os bizantinos. O seu meio-irmão mais novo, Rogério Borsa, herdou a Apúlia e as possessões italianas e, juntamente com a sua mãe, Sigelgaita de Salerno, voltou rapidamente para a península Itálica.

Segundo o cronista inglês Orderico Vital, Boemundo fugiu para Cápua, temendo ser assassinado por Sigelgaita, de quem se dizia ter envenenado Guiscardo. Outra interpretação desse acontecimento é que Boemundo se queria aliar com o príncipe Jordão I de Cápua, em resposta à aliança entre Rogério Borsa e o seu tio, o conde Rogério I da Sicília, que assegurara o reconhecimento do sobrinho como duque em Setembro.

Com o apoio de Cápua, Boemundo revoltou-se contra o irmão e tomou Oria, Otranto e Taranto. Mas os irmãos acabariam por acordar uma paz em março de 1086 e passaram a governar em conjunto. No final do verão de 1087, Boemundo reiniciou o conflito com o apoio de alguns vassalos do irmão. Surpreendeu e derrotou Rogério em Fragneto e retomou Taranto.

A guerra acabaria com a mediação do papa Urbano II e a concessão de Taranto e outras possessões a Boemundo. Apesar de ter recebido um pequeno principado (um alódio) no "calcanhar" da Itália, como compensação de Sigelgaita depois de ter renunciado aos seus direitos sobre o ducado, continuou a procurar mais poder. O cronista Romualdo de Salerno dizia que Boemundo "perseguia sempre o impossível".

Em 1096, Boemundo acompanhava o tio Rogério I da Sicília no ataque à cidade de Amalfi, que se revoltara contra Rogério Borsa. Bandos de cruzados começaram a passar, atravessando a península Itálica a caminho de Constantinopla. A sua motivação está aberta a debate: foi tomado pelo zelo da cruzada ou, possivelmente, viu esta como uma oportunidade de criar um principado seu no Oriente. O cronista Godofredo Malaterra do século XI afirma claramente que Boemundo tomou a cruz apenas com a intenção de pilhar e conquistar terras gregas.

O príncipe de Taranto organizou um exército normando, talvez um dos melhores da hoste cruzada. Atravessou o mar Adriático e entrou em Constantinopla pela rota que tinha tentado seguir em 1082–1084. Teve o cuidado de observar uma atitude política para com Aleixo I Comneno e, quando chegou a Constantinopla em Abril de 1097, prestou homenagem ao imperador. Este exigira aos líderes da cruzada o juramento de lhe entregarem as terras reconquistadas aos muçulmanos. É possível que Boemundo tivesse negociado com Aleixo sobre um principado em Antioquia. Se o fez, não terá sido encorajado pelo bizantino.

De Constantinopla a Antioquia, Boemundo foi provavelmente o principal líder da Primeira Cruzada; é de realçar que, sob a sua liderança, a Primeira Cruzada conseguiu atravessar a Ásia Menor, no que as cruzadas subsequentes de 1101, 1147, e 1189 falhariam.

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