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Brasil

País na América do Sul

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Brasil (localmente [bɾaˈziw]), oficialmente República Federativa do Brasil (), é o maior país da América do Sul e da região da América Latina, sendo o quinto maior do mundo em área territorial (equivalente a 47,3% do território sul-americano), com cerca de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, e o sétimo em população (com 213 milhões de habitantes, em julho de 2025). É o único país na América onde se fala majoritariamente a língua portuguesa e o maior país lusófono do planeta, além de ser uma das nações mais multiculturais e etnicamente diversas, em decorrência da forte imigração oriunda de variados locais do mundo. Sua atual constituição, promulgada em 1988, concebe o Brasil como uma república federativa presidencialista, formada pela união de 26 estados, do Distrito Federal e dos 5 571 municípios.

Banhado pelo Oceano Atlântico, o Brasil tem um litoral de 7 491 km e faz fronteira com todos os outros países sul-americanos, exceto Chile e Equador, sendo limitado a norte pela Venezuela, Guiana, Suriname e pelo departamento ultramarino francês da Guiana Francesa; a noroeste pela Colômbia; a oeste pela Bolívia e Peru; a sudoeste pela Argentina e Paraguai e ao sul pelo Uruguai. Vários arquipélagos formam parte do território brasileiro, como Alcatrazes, Atol das Rocas, Arquipélago de São Pedro e São Paulo, Fernando de Noronha e Ilhabela (estes habitados por civis) e Trindade e Martim Vaz. O Brasil também é o lar de uma diversidade de animais selvagens, ecossistemas e de vastos recursos naturais em uma grande variedade de habitats protegidos.

O território que atualmente forma o Brasil foi oficialmente descoberto pelos portugueses em 22 de abril de 1500, em expedição liderada pelo navegador Pedro Álvares Cabral. Segundo alguns historiadores como Antonio de Herrera e Pietro d'Anghiera, europeus já teriam encontrado o território três meses antes, em 26 de janeiro, durante uma expedição comandada pelo espanhol Vicente Yáñez Pinzón. A região, então habitada por indígenas ameríndios divididos entre milhares de grupos étnicos e linguísticos diferentes, cabia a Portugal pelo Tratado de Tordesilhas, e tornou-se uma colônia do Império Português. Em 1532, ocorreu a fundação da primeira cidade do Brasil, São Vicente, na Capitania de São Vicente, que marcou o início da colonização efetiva do território brasileiro. O vínculo colonial foi rompido, de fato, em 1808, quando a capital do reino foi transferida de Lisboa para a cidade do Rio de Janeiro, depois de tropas francesas comandadas por Napoleão Bonaparte invadirem o território português. Em 1815, o Brasil se torna parte de um reino unido com Portugal. Pedro I, o primeiro imperador, proclamou a independência política do país em 1822. Inicialmente independente como um império, período no qual foi uma monarquia constitucional parlamentarista, o Brasil tornou-se uma república em 1889, em razão de um golpe militar chefiado pelo marechal Deodoro da Fonseca (o primeiro presidente), embora uma legislatura bicameral, agora chamada de Congresso Nacional, já existisse desde a ratificação da primeira Constituição, em 1824. Desde o início do período republicano, a governança democrática foi interrompida por longos períodos de regimes autoritários, até um governo civil e eleito democraticamente assumir o poder em 1985, com o fim da ditadura militar.

Como potência regional e média, a nação tem reconhecimento e influência internacional, sendo que também é classificada como uma potência global emergente e como uma potencial superpotência por vários analistas. O PIB nominal brasileiro é o décimo maior do mundo e o oitavo por paridade do poder de compra (PPC), sendo, em ambos, o maior da América Latina e do Hemisfério Sul. O país é um dos principais celeiros do planeta, sendo o maior produtor de café dos últimos 150 anos, além de ser classificado como uma economia de renda média-alta pelo Banco Mundial e como um país recentemente industrializado, que detém a maior parcela de riqueza global e a economia mais complexa da América do Sul. No entanto, o país ainda mantém níveis notáveis de corrupção, criminalidade e desigualdade social. É membro fundador da Organização das Nações Unidas (ONU), G20, BRICS, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), União Latina, Organização dos Estados Americanos (OEA), Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) e Mercado Comum do Sul (Mercosul).

O nome Brasil tem origem no termo medieval brasile, empregado na Europa desde pelo menos o século XII para designar uma tintura vermelha de alto valor comercial, obtida inicialmente a partir de madeiras asiáticas, em especial a Caesalpinia sappan. Do ponto de vista etimológico, o vocábulo está associado ao latim vulgar brasa, em alusão à coloração intensa do pigmento.

Com a chegada dos europeus à América no início do século XVI, o nome foi transferido para a árvore nativa Caesalpinia echinata, cuja madeira produzia tintura de qualidade semelhante. A exploração sistemática do pau-brasil tornou-se um dos eixos centrais da economia colonial inicial, favorecendo a progressiva aplicação do termo Brasil ao território.

A partir do século XIX, difundiu-se a hipótese de que o nome do país derivaria da ilha mítica irlandesa conhecida como Hy Brazil, representada em mapas medievais. Estudos historiográficos posteriores, entretanto, indicam que o topônimo da ilha surgiu originalmente em mapas italianos e ibéricos do século XIV, sendo incorporado apenas mais tarde ao imaginário céltico. Pesquisas em filologia celta também apontam a inexistência dessa ilha no folclore gaélico antigo, restringindo sua ocorrência a fontes cartográficas e literárias tardias.

As primeiras denominações oficiais atribuídas pela Coroa portuguesa ao território americano foram Terra de Vera Cruz e Terra de Santa Cruz. Contudo, já no início do século XVI, mapas europeus e documentos náuticos registravam topônimos associados ao termo Brasil, como Rio de Brasil. Em 1548, a criação do Estado do Brasil por João III de Portugal consolidou oficialmente o uso do nome, que foi mantido nas denominações políticas subsequentes até a atual República Federativa do Brasil.

Estima-se que os primeiros seres humanos tenham ocupado a região que compreende o atual território brasileiro há cerca de 60 mil anos. Quando encontrada pelos europeus em 1500, a América do Sul tinha sua costa oriental habitada por cerca de dois milhões de nativos, do norte ao sul.

A população ameríndia era repartida em grandes nações indígenas compostas por vários grupos étnicos entre os quais se destacam os grandes grupos tupi-guarani, macro-jê e aruaque. Os primeiros eram subdivididos em guaranis, tupiniquins, tupinambás, entre inúmeros outros.

Os tupis espalhavam-se do atual Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte de hoje, sendo a primeira raça indígena que teve contato com o colonizador, na região denominada Pindorama (do tupi, "terra das palmeiras"), e decorrente da maior presença, com influência dos mamelucos, mestiços, dos luso-brasileiros que nasciam e nos europeus que se fixavam".

As fronteiras entre esses grupos e seus subgrupos, antes da chegada dos europeus, eram demarcadas pelas guerras entre os mesmos, oriundas das diferenças de cultura, língua e costumes. Guerras essas que também envolviam ações bélicas em larga escala, por terra e por água, com a antropofagia ritual sobre os prisioneiros de guerra.

Embora a hereditariedade tivesse algum peso, a liderança era um status mais conquistado ao longo do tempo do que atribuído em cerimônias e convenções sucessórias.

A escravidão entre os indígenas tinha um significado diferente da escravidão europeia, uma vez que se originava de uma organização socioeconômica diversa, na qual as assimetrias eram traduzidas em relações de parentesco.

Embora supostamente o português Duarte Pacheco Pereira e o navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón tenham sido os primeiros europeus a chegar à terra agora chamada de Brasil (cuja viagem de Pinzón terá sido documentada ao atingir o cabo de Santo Agostinho, no litoral de Pernambuco, em 26 de janeiro de 1500), o território foi reivindicado por Portugal em 22 de abril do mesmo ano, com a chegada da frota portuguesa comandada por Pedro Álvares Cabral a Porto Seguro, no atual estado da Bahia, em função do Tratado de Tordesilhas. Esse período ficou conhecido como período pré-colonial.

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