Na música, o brega é um estilo e um gênero musical brasileiro que abrange vários ritmos musicais, dificultando a definição de uma estética musical única. Era um termo usado pejorativamente para designar a música romântica popular de baixa qualidade e dramática da década de 1940/1950 (semelhante ao gênero sertanejo); tendo como origem musical o samba-canção, bolero e, a jovem-guarda.
No estado do Pará e na cidade de Recife este gênero é patrimônio cultural, sendo o dia 14 de fevereiro o Dia Nacional do Brega.
Várias são as hipóteses para a origem etimológica do termo "brega" como sinônimo de prostíbulo, partindo daí para sinônimo de estilo musical. Essa versão é contestada em Salvador, na Bahia, citando a rua Padre Manuel de Nóbrega, onde ficava um prostíbulo e um bar, onde tocava músicas "cafonas". Trabalhadores baianos começariam a falar "vamos ao brega", em referência ao prostíbulo dessa rua. Segundo o dicionário de Antônio Houaiss o termo representa: "mau gosto"; "cafona"; "inferior" e, que derivaria de "esbregue", um termo utilizado na cidade do Rio de Janeiro nas décadas de 1920 a 1950 como sinônimo de "algo mal feito", "medíocre" e, ordinário"
O professor Sérgio Nogueira e o advogado Amaro Quintas dizem, ainda, que para alguns etimólogos, a palavra brega seria uma forma reduzida de "xumbrega". "Xumbregar" ou "chumbregar", com origem no estado de Pernambuco no ano de 1666 (período da Conjuração de "Nosso Pai"); quando o administrador colonial português Jerônimo de Mendonça Furtado, o Xumbergas, foi assim apelidado pela população pernambucana em referência ao general alemão Frederico Armando Schomberg (militar combatente em Portugal na Guerra da Restauração), pois o administrador usava bigode ao modo Schomberg (ou ao modo Chomberga). E por este gostar em excesso de bebida alcoólica, o apelido assumiu na região a acepção de "embriaguez", originando os verbos xumbergar ou xumbregar (embriagar-se ou importunar) e o adjetivo xumbrega (aspecto ruim). Dessa origem remota, o termo teria no século XX, assumido a acepção de "prostíbulo/meretrício", que como tal é dicionarizada por Aurélio Ferreira, Houaiss e, por Michaelis (também defendido na análise etnográfica de Paulo Murilo Guerreiro do Amaral; Ronaldo Lemos; Oana Castro, e; Antônio Maurício Costa). Para Altair J. Aranha (pseudônimo do pesquisador Luís Milanesi), o termo brega deriva de "Nóbrega", nome da rua (Manuel da Nóbrega) que ficava em uma região de meretrício na cidade de Salvador.
Sendo alvo de discussões por estudiosos e profissionais do meio musical, o termo brega foi empregado por classe média e alta às pessoas de baixo poder aquisitivo das regiões periféricas e aos prostíbulos nordestinos que tinham a música romântica (trivialidades sentimentais e dramas) como trilha sonora. Foi somente a partir da década de 1980, entretanto, que o termo brega se tornou sinônimo uma "vertente da música popular" que, na década anterior, era simplesmente chamada de "cafona", segundo Paulo Cesar Araújo. É importante diferenciar, mas sem distanciar em definitivo, "brega" enquanto adjetivo e enquanto substantivo, sendo que nesse último sentido temos a "vertente da música popular", uma realidade de fato com suas influências e características próprias, que em juízo de valoração foram adjetivadas de "brega".
Considera-se que, o cantor carioca Vicente Celestino (1894-1968) na década de 1930, é um dos precursores do brega como gênero musical dramático. Nas regiões Norte e Nordeste o "brega" resistia, se consolidando como uma grande força musical. Embora as emissoras de rádios e as grandes gravadoras (mídia hegemônica) ignorassem sua existência, os artistas "bregas" continuaram produzindo e assimilando novas influências. Mesmo com limitações financeiras e técnicas, esses músicos mantiveram um público significativo nas periferias urbanas destas regiões. E segundo a ONU-Turismo a cidade de Belém do Pará tornou-se a principal referência na consolidação do "brega" como estilo musical. Inicialmente restrito aos bailes — chamados "bregões" — em casas noturnas da periferia belemense, a cena adquiriu grandes proporções regionais com as "aparelhagens" (festas com grande sistema de som potente e ponto de encontro para dançar, que surgiu na periferia da cidade de Belém do Pará na década de 1940 inicialmente com o nome "sonoro" ou "picarpe" usando o simples sistema de som "boca-de-ferro").
Em meados da década de 1960, o termo designava um tipo de música romântica com arranjo musical sem grandes elaborações, vinda das camadas populares e considerada cafona e deselegante. Com o passar dos anos, o brega foi se sistematizando de forma menos rígida em relação ao outros ritmos. A partir de 2008, em Recife, surgiu o ritmo brega funk, que originou-se da mistura entre kizomba de Angola, o zouk das Antilhas Francesas e, as baladas românticas usadas durante o tempo de seu auge, com bastante apelo sentimental, letra dramática com rimas fáceis, em outras palavras, música supostamente ruim. Mas, a partir da imprecisão conceitual que o termo carrega desde sua origem, este pode abarcar artistas de vários gêneros musicais da música brasileira, reforçando essa imprecisão.
Para tornar a conceituação mais difícil, o "brega" assimilaria, na década de 1990, novos aspectos — alguns dos quais distantes da linha romântica popular, como são os casos do brega pop e do tecnobrega, que é categorizado pela modernização dos instrumentos musicais e por uma batida mais dançante. Estas variações são bastante populares na cena regional do Norte e Nordeste, no Brasil, e se difundiram até mesmo no Sul do País com o surgimento das bandas/cantores: Calypso, Reginaldo Rosi e Dejavu. Enquanto isso, artistas da "velha guarda" romântica-popular ainda rejeitavam o rótulo "brega", preferindo a expressão twist americano, de Paul Anka e Jerry Lee Lewis.
Alguns aceitaram o termo Brega com orgulho, altamente influenciados por Paul Anka. Reginaldo Rossi, o Rei do Brega, iniciou sua carreira com rock, porém suas canções eram consideradas de grande teor sentimental e a categoria rica da época não gostava delas e apelidou o ritmo preconceituosamente de Brega. Porém se tratava do twist dos anos 1960, e Reginaldo continuou cantando até o fim de seus dias as baladas românticas que o fizeram ser chamado de Rei do Brega.
O "brega" segue alcançando grande aceitação entre segmentos das camadas populares do Brasil.
A música brega é Patrimônio Cultural Imaterial do Recife, em projeto aprovado pela Câmara Municipal.
Não se sabe ao certo a origem musical do "brega". Críticos apontam alguns precursores do "estilo" em cantores das décadas de 1940 e 1950, que seguiam, através do bolero e do samba-canção, uma temática mais "romântica". Entre os quais, Orlando Dias, Carlos Alberto, Alcides Gerardi e Cauby Peixoto.
Durante a década de 1960, a música romântica de artistas oriundos basicamente das classes mais populares passou a ser considerada cafona e deselegante. Isso foi especialmente reforçado pelas grandes transformações vivenciadas pela música popular do país naquele período, com o surgimento de inovações estilísticas dentro cenário musical que agradavam principalmente aos jovens do meio urbano. De um lado, surgiu uma geração oriunda da classe média universitária que se consolidaria, na década seguinte, sob a sigla MPB, nada menos do que "música popular brasileira". Por outro, surgiram os movimentos tropicalista — inspirado em correntes artísticas de vanguarda, na cultura pop nacional e estrangeira, em manifestações tradicionais da cultura brasileira e inovações estéticas radicais — e iê-iê-iê — que capitaneou o rock'n'roll estrangeiro, dando-lhe uma roupagem nacional, e transformou-se num grande fenômeno de comportamento e moda.
E foi a Jovem Guarda que abriu caminho para novos artistas que desafiariam os padrões de bom gosto da classe média brasileira na década seguinte, já que alguns dos artistas que tiveram uma ligação com o movimento viriam a se tornar populares cantores "cafonas" na década seguinte. É o caso por exemplo do pernambucano Reginaldo Rossi, que liderou a banda The Silver Jets.