Bruce Frederick Joseph Springsteen (Long Branch, 23 de setembro de 1949) é um cantor, compositor, violonista e guitarrista norte-americano. Durante a sua carreira, iniciada em 1965, Bruce vendeu mais de 140 milhões de discos em todo o mundo, tornando-se um dos cantores mais vendidos de todos os tempos. Ele recebeu vários prémios importantes, como 20 Grammys, 2 Globos de Ouro, 1 Oscar e 1 Tony Awards Especial. Ele foi incluído no Hall da Fama dos Compositores, no Hall da Fama do Rock and Roll e recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, e o prêmio do Kennedy Center.
Nas letras das suas músicas, Bruce deixa evidenciado o seu patriotismo, e é uma espécie de porta-voz dos trabalhadores, muitas vezes mencionados nas suas canções. O álbum Born to Run está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame. Em 2010, a revista Rolling Stone classificou Springsteen em 23º lugar em sua lista dos "100 Maiores Artistas de Todos os Tempos". Em 2025, Springsteen se tornou um dos cinco únicos artistas a faturar mais de US$ 2,3 bilhões em turnês, com sua turnê de 2023–2025 com a E Street Band.
Bruce Frederick nasceu em Long Branch, Nova Jérsei, em 23 de setembro de 1949 e passou a sua infância e juventude em Freehold Borough, também no estado de Nova Jérsei. O pai dele, Douglas, era de origem holandesa e irlandesa, e, entre outros empregos, trabalhava como motorista de ônibus. A mãe dele, Adele Ann, tinha ascendência italiana e trabalhava como secretária. Aos 13 anos, Bruce ganhou de sua mãe seu primeiro violão. Quando ele fez 16 anos, sua mãe o presenteou com uma guitarra da marca Kent, sobre a qual ele escreveu a canção "The Wish".
Em 1965, Bruce começou a frequentar a casa de Tex e Marion Vinyard, que auxiliavam jovens músicos da cidade. Eles o ajudaram a ingressar na banda The Castiles, primeiramente como guitarrista, depois como vocalista. O The Castiles gravou duas músicas originais e fez shows em diversos bares e cafés. Marion Vinyard disse que acreditou no jovem Springsteen quando ele prometeu que seria famoso. No final da década, Bruce entrou em um trio chamado Earth, que fazia shows em clubes nos arredores de Nova Jérsei. Durante esse período, ele ganhou o apelido de The Boss ("O Chefe"), porque era ele que negociava os shows, recebia o cachê e o distribuía igualmente entre os membros da banda. Entre 1969 e 1971, Bruce tocou na banda Steel Mill, cujos demais integrantes eram Danny Federici, Vini Lopez, Vinnie Roslin, e posteriormente, Steven Van Zandt e Robbin Thompson. Depois de 1971, ele tocou em diversas bandas, sempre em lugares pequenos como bares, clubes e escolas: Dr Zoom & the Sonic Boom (1971), Sundance Blues Band (1971), e The Bruce Springsteen Band (1971–1972).
Em 1972, Springsteen assinou um contrato com a Columbia Records, através de John Hammond, que dez anos antes intermediou o primeiro contrato entre Bob Dylan e a gravadora. Bruce trouxe, então, diversos de seus colegas músicos de Nova Jérsei, formando a E Street Band (ainda que demorasse alguns anos para que eles fossem chamados assim). Seu primeiro álbum, Greetings from Asbury Park, N.J. foi lançado em janeiro de 1973; teve uma boa recepção da crítica, mas não obteve sucesso comercial. Em setembro de 1973 foi lançado seu segundo álbum, The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle, que recebeu o mesmo aval por parte da crítica e manteve pouco apelo comercial. Esse álbum demonstra uma musicalidade mais R&B, diferentemente do primeiro álbum, que tendia mais para o folk (influência de Bob Dylan). A canção "Rosalita (Come Out Tonight)" continua uma das favoritas dos fãs, bastante presente nos concertos de Bruce até hoje.
Em 22 de maio de 1974, o jornalista Jon Landau escreveu uma resenha sobre um show de Bruce para a revista The Real Paper, que dizia: "Eu vi o futuro do rock n' roll e seu nome é Bruce Springsteen. Em uma noite na qual eu precisei me sentir jovem, ele me fez sentir como se escutasse música pela primeira vez." Landau posteriormente, se tornaria empresário e produtor de Bruce. Lançado no dia 25 de agosto de 1975, o álbum Born to Run, alcançou o sucesso comercial tanto almejado por Springsteen. O disco ficou em 3° lugar na Billboard 200 nos EUA e, embora não tenha nenhuma música considerada hit, "Born to Run", "Thunder Road", "Tenth Avenue Freeze-Out", e "Jungleland" são presenças obrigatórias em seus shows até hoje e são constantemente tocadas em rádios de rock mundo a fora. A gravação desse álbum foi feita num período tumultuado, pois demorou 14 meses para ser gravado, sendo 6 meses dedicados apenas à canção "Born to Run", fator que causou frustração e depressão em Bruce.
Após o lançamento de Born to Run, Bruce se envolveu em um processo judicial contra Mike Appel, que produziu seus dois primeiros álbuns e coproduziu, ao lado de Jon Landau, o terceiro. O processo, que acabou por meio de um acordo entre ambas as partes, se estendeu por aproximadamente um ano, período no qual Bruce aproveitou para fazer outra extensa turnê pela América do Norte.
Em junho de 1978, saiu o quarto álbum de estúdio de Springsteen, intitulado Darkness on the Edge of Town, que alcançou o 5° lugar nos EUA, onde vendeu mais de 3 milhões de cópias. No final dos anos 1970, Springsteen começou a compor músicas para outros artistas. No começo de 1977, a banda Manfred Mann's Earth Band alcançou o 1° lugar da parada pop estadunidense com o cover de "Blinded by the Light", presente no álbum "Greetings from Asbury Park, N.J." Em 1978, Patti Smith alcançou o 13° lugar da Billboard Hot 100 com a música "Because the Night", e em 1979, o grupo The Pointer Sisters, emplacaram "Fire", no 2° lugar da mesma parada.
Em setembro de 1979, Bruce e a E Street Band se juntaram a vários artistas, como James Taylor, Carly Simon e Chaka Khan, para duas apresentações no Madison Square Garden, em protesto contra o uso da energia nuclear. As apresentações foram lançadas como álbum ao vivo e documentário, intitulado "No Nukes", que marcaram o primeiro lançamento oficial de material gravado ao vivo da carreira de Bruce.
O álbum seguinte de Bruce, The River, consolidou o estilo de suas canções focadas na classe operária. As canções desse álbum apresentam um paradoxo intencional entre canções alegres, mais voltadas para o pop-rock, e baladas emocionalmente intensas. Essa mudança de sonoridade antecipou o estilo escolhido durante os anos 1980, mantendo Bruce nas paradas de sucesso. Com esse trabalho, Bruce conseguiu emplacar seu primeiro single no Top 10, a canção "Hungry Heart". O álbum vendeu muito bem, e sua turnê de promoção contou com a primeira longa excursão pela Europa e terminou após uma série de shows nas principais arenas norte-americanas.
The River foi sucedido pelo disco Nebraska, lançado em 1982. As gravações desse álbum, que conta com várias músicas em formato acústico, serviram apenas para reparar alguns poucos erros nos demos, gravados na casa de Bruce com um simples e antiquado gravador. Canções compostas durante o período de gravações, como "Glory Days" e "Born in the U.S.A.", foram lançadas no álbum seguinte. Segundo o jornalista Dave Marsh, Bruce estava com depressão quando escreveu o material para o álbum, causada pela decepção com a brutal queda do padrão de vida estadunidense. Apesar desse álbum não ter vendido tanto quanto seus dois antecessores, recebeu excelentes críticas e o título de "Álbum do Ano", concedido pela revista Rolling Stone. Também influenciou outros artistas, como o U2.
O disco Born in the U.S.A. foi lançado em 1984, vendeu 15 milhões de unidades só nos Estados Unidos e se tornou um dos álbuns mais bem sucedidos de todos os tempos, emplacando sete singles no Top 10 da Billboard Hot 100. O título se refere ao tratamento recebido pelos veteranos da Guerra do Vietnã, alguns dos quais eram colegas de banda do Bruce. Os videoclipes das canções do álbum foram feitos pelos prestigiados diretores Brian De Palma e John Sayles. As letras das músicas são muito diretas, mas várias pessoas não entenderam a da faixa-título, que foi acusada de nacionalista e ufanista, apesar de conter críticas à posição do país na Guerra do Vietnã. Alguns anos depois, para acabar com qualquer mal entendido e reforçar o sentido original da canção, Bruce passou a tocar "Born in the U.S.A." apenas com o acompanhamento do violão (essa versão aparece no álbum Tracks). "Dancing in the Dark" foi o single de maior destaque do álbum, alcançando o 2° lugar nos Estados Unidos. No clipe dessa música, aparece a jovem atriz Courtney Cox, dançando com Bruce. A canção "Cover Me" foi escrita originalmente para Donna Summer, mas Bruce foi convencido a gravar. Grande fã do trabalho de Donna, ele escreveu outra música para ela, "Protection".