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Bruno Barreto

Bruno Barreto Borges (Rio de Janeiro, 16 de março de 1955) é um roteirista, produtor e diretor de cinema brasileiro. Rec

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Bruno Barreto Borges (Rio de Janeiro, 16 de março de 1955) é um roteirista, produtor e diretor de cinema brasileiro. Reconhecido como um dos diretores mais importantes do cinema nacional, iniciou sua carreira ainda na adolescência e construiu uma filmografia marcada por sucessos de público e crítica, tanto no Brasil quanto no exterior.

Entre suas obras mais notáveis estão Dona Flor e Seus Dois Maridos, por muito tempo o único filme brasileiro a bater a marca de dez milhões de espectadores, O Que É Isso, Companheiro?, indicado pelo Brasil ao Oscar de melhor filme internacional de 1997, e Flores Raras, que competiu pelo Urso de Ouro no Festival de Berlim. Filho dos produtores Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto, e irmão do também cineasta Fábio Barreto, sua trajetória é marcada pela contribuição significativa à projeção internacional do cinema brasileiro.

Filho dos produtores Lucy e Luiz Carlos Barreto, fundadores da produtora LC Barreto — ativa há mais de quatro décadas e considerada uma das mais sólidas do cinema brasileiro —, Bruno Barreto cresceu em um ambiente profundamente ligado à produção cinematográfica. Durante a infância, teve contato com importantes nomes do Cinema Novo, como o cineasta Glauber Rocha.

1966-1977: Primeiros trabalhos e o grande sucesso

Aos 11 anos, realizou seu primeiro curta-metragem, Três Amigos Não se Separam (1966), utilizando uma câmera antiga presenteada por sua avó, a produtora Lucíola Villela (1915–2016). Nos anos seguintes, dirigiu outros curtas, entre eles O Médico e o Monstro (1968), A Bolsa e a Vida (1971) e Emboscada (1971). Com apenas 17 anos, estreou em longas-metragens com Tati, a Garota (1973), baseado no conto homônimo de Aníbal Machado. O filme teve boa recepção do público e projetou Barreto como um dos mais jovens diretores em atividade no país.

Em 1974, adaptou o romance A Estrela Sobe, de Marques Rebelo. Dois anos depois, dirigiu Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), baseado na obra de Jorge Amado (1912–2001). O longa tornou-se um grande sucesso de bilheteria, ultrapassando a marca de 10 milhões de espectadores — recorde que só seria superado em 2011 por Tropa de Elite 2, de José Padilha. O filme também garantiu reconhecimento internacional ao diretor e lhe rendeu o prêmio de Melhor Diretor no Festival de Gramado de 1977, além de impulsionar a carreira de Sônia Braga.

1978-1992: Filmes fora do Brasil

Em 1978, Barreto lançou Amor Bandido, seu primeiro longa com roteiro original, escrito por Leopoldo Serran. Em 1980, adaptou a peça O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, e, em 1983, dirigiu Gabriela, outra adaptação de Jorge Amado, com participação do ator italiano Marcello Mastroianni.

Na sequência, realizou Além da Paixão (1984) e Romance da Empregada (1988), ambos com roteiros originais. No início da década de 1990, mudou-se para os Estados Unidos, onde dirigiu produções como A Show of Force (1990), The Heart of Justice (1992) e Carried Away (1996).

1996-2000: Reconhecimento internacional e premiaçôes

Em 1996, retornou ao Brasil para dirigir O Que é Isso, Companheiro? (1997), adaptação do livro de Fernando Gabeira. O filme aborda o sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, em 1969, por integrantes do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8). A obra gerou debates ao combinar elementos ficcionais e históricos, sendo criticada por parte da sociedade por suavizar a repressão militar. Ainda assim, conquistou projeção internacional, com indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. No ano seguinte, dirigiu One Tough Cop (1998), sua quarta produção internacional.

Em 2000, lançou Bossa Nova e, em 2003, dirigiu View from the Top, seu projeto mais ambicioso em Hollywood, produzido pela Miramax. Posteriormente, realizou O Casamento de Romeu e Julieta (2004), uma releitura da obra de William Shakespeare, e Caixa Dois (2007). Em 2008, lançou Última Parada 174, com roteiro de Bráulio Mantovani (1963), inspirado em um sequestro de ônibus ocorrido no Rio de Janeiro no ano 2000. O filme relata uma ficção sobre a vida de Sandro Barbosa do Nascimento, um garoto de rua do Rio de Janeiro que sobreviveu à Chacina da Candelária em 1993 e, anos mais tarde, sequestrou um ônibus, causando comoção em todo o Brasil. Em 16 de setembro de 2008, o filme foi escolhido pelo Ministério da Cultura como representante do Brasil para competir a uma indicação ao Oscar de melhor filme internacional na cerimônia de 2009, a qual acabou não se concretizando.

2000-2013: Sucessos de público

Entre seus trabalhos mais conhecidos da década de 2010 está Flores Raras (2013), um drama biográfico que retrata o relacionamento entre a poeta norte-americana Elizabeth Bishop e a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares. A recepção crítica do filme foi, em grande parte, positiva, destacando-se como um dos trabalhos mais maduros de Barreto. O longa foi elogiado por sua capacidade de tratar um romance homossexual com naturalidade, evitando clichês e focando na complexidade das emoções humanas. O agregador de críticas Rotten Tomatoes relata uma taxa de aprovação de 68% com base em 39 resenhas. O consenso crítico do site diz: "Os ares excessivamente rígidos de Flores Raras às vezes soam mais pretensiosos do que poéticos, mas as atuações consistentes e a fotografia luxuosa deixam uma sensação duradoura de saudade de um amor nos trópicos".

No mesmo ano, Barreto dirigiu Crô - O Filme (2013), derivado do personagem popular da telenovela Fina Estampa. O filme estreou nos cinemas brasileiros em 29 de novembro de 2013 e, em seu primeiro fim de semana em cartaz, foi assistido por cerca de 337 mil espectadores, arrecadando aproximadamente R$ 4,4 milhões. Alexandre Agabiti Fernandez, da Folha de S.Paulo, avaliou o filme de forma bastante negativa, classificando-o como uma comédia superficial e ofensiva. Segundo o crítico, o roteiro aposta em estereótipos e caricaturas, especialmente na construção do protagonista, e utiliza um humor considerado grosseiro e preconceituoso. Ele também aponta que o filme pouco acrescenta ao personagem já conhecido da televisão, além de tratar temas sérios de forma banalizada. Para Fernandez, o resultado é uma obra sem graça, com desfecho forçado e que desrespeita a inteligência do público.

2020-atualmente: Filmes de comédia popular e projetos futuros

Já na década de 2020, o diretor passa a investir com maior frequência em comédias de apelo popular. Em Férias Trocadas (2024), a narrativa acompanha duas famílias que viajam para Cartagena, na Colômbia, e, por um equívoco, acabam trocando de hospedagem: uma se instala em um resort de luxo, enquanto a outra vai parar em uma pousada simples. Rogério Machado, do site Papo de Cinemateca, observa em sua crítica que, embora o filme apresente momentos divertidos — impulsionados principalmente pela atuação de Edmilson Filho em dois papéis e pelo elenco de apoio —, há uma perda de ritmo na parte final. Segundo o crítico, a obra poderia ter explorado melhor seu potencial cômico, indo além de uma mensagem considerada previsível sobre aprendizado e convivência.

Em 2025, Barreto dirigiu Traição entre Amigas, lançado em 11 de dezembro do mesmo ano e protagonizado por Larissa Manoela e Giovanna Rispoli, com roteiro baseado no primeiro livro da escritora Thalita Rebouças. A trama acompanha duas amigas cuja relação é abalada por uma traição, fato que altera profundamente o rumo de suas vidas. O filme recebeu, em geral, críticas positivas. A crítica de Cora Rónai, publicada em O Globo, avalia de forma bastante positiva. A autora destaca que o filme surpreende pela qualidade do roteiro e pela direção segura, além da boa sintonia entre as protagonistas, que tornam crível a amizade e seus desdobramentos.

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