Bruxelas (em francês: Bruxelles [bʁysɛl] (); em neerlandês: Brussel [ˈbrʏsəl] ()), oficialmente a Região da Capital Bruxelas (em francês: Région de Bruxelles-Capitale; em neerlandês: Brussels Hoofdstedelijk Gewest), é uma região belga composta por 19 comunas, incluindo a Cidade de Bruxelas, que é a capital da Bélgica. A Região da Capital Bruxelas está localizada na parte central do país e faz parte da Comunidade francesa da Bélgica.
Bruxelas cresceu de uma fortaleza no século X, fundada por um descendente de Carlos Magno, para uma aglomeração urbana de mais de um milhão de habitantes. A área metropolitana da região tem uma população de mais de 1,8 milhões de habitantes, o que a torna a maior do país.
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial Bruxelas é um importante centro de política internacional. A presença das principais instituições da União Europeia, bem como da sede da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), fez da região uma sede poliglota de muitas organizações internacionais, políticos, diplomatas e de funcionários públicos.
Embora historicamente seja uma região de falantes de neerlandês, Bruxelas tornou-se uma região com cada vez mais falantes da língua francesa ao longo dos séculos XIX e XX. Hoje, a maioria dos habitantes são falantes nativos do francês, embora ambas as línguas tenham estatuto oficial na região. Tensões linguísticas ainda se mantém e as leis que regem o uso de línguas nos municípios em torno de Bruxelas são um tema de muita controvérsia na Bélgica.
A teoria mais comum sobre a origem do nome de Bruxelas é que ele deriva de holandês antigo "broekzele" ou "broeksel", que significa "pântano" (broek) e "casa" (zele/sel), o que resulta em "casa no pântano". A origem da localidade que se tornaria Bruxelas encontra-se na construção de São Gaugérico, uma capela em uma ilha no rio Senne, por volta de 580. São Vindiciano, o bispo de Cambrai, fez a primeira referência registrada para o lugar, chamando-o de "Brosella" em 695, quando ainda era uma aldeia. A fundação oficial de Bruxelas é geralmente situada em torno de 979, quando o duque Carlos da Baixa Lotaríngia transferiu as relíquias de Santa Gudula de Moorsel para a capela de São Gaugérico. Carlos tencionava construir a primeira fortificação permanente na região.
Pelo século X, as leis de sucessão dos francos impunham que o império fosse dividido entre os netos de Carlos Magno: Luís, o Germânico, Carlos II e Lotário I. A fortaleza de Lotário, fundada em 979, assinala a fundação oficial de Bruxelas. Anos mais tarde, o condado de Bruxelas foi atribuído a Lamberto I, conde de Lovaina, por volta do ano 1000. Em 1047, o seu filho Lamberto II de Lovaina fundou a Catedral de Santa Gúdula.
Devido à sua localização acompanhando o curso do Senne (Zenne em neerlandês) numa importante rota comercial entre Bruges e Gante, e Colónia, Bruxelas cresceu rapidamente, tornando-se um importante centro de comércio. O paralelo crescimento da população, conduziu a uma drenagem dos pântanos circundantes para permitir a expansão territorial da cidade e no século XI foram construídas as suas primeiras muralhas.
Em 1183/1184, os condes de Lovaina tornaram-se duques de Brabante. No século XV, emergiu um novo duque de Brabante descendente da Casa de Valois, como resultado do casamento da herdeira Margarida III da Flandres com Filipe II, Duque da Borgonha. O Barbante perdeu a sua independência mas Bruxelas permaneceu a capital dos prósperos Países Baixos e continuou a florescer.
Em 1516, Carlos I, que era herdeiro dos Países Baixos desde 1506, foi declarado Rei de Espanha na Catedral de São Miguel e Santa Gudula, em Bruxelas. Após a morte de seu avô, o sacro-imperador Maximiliano I, Carlos se tornou o novo governante do Império Habsburgo e, posteriormente, foi eleito imperador do Sacro Império Romano como Carlos V. Foi no complexo do Palácio de Coudenberg que Carlos V abdicou em 1555. Este impressionante palácio, famoso em toda a Europa, havia se expandido muito desde que se tornou pela primeira vez a sede dos Duques de Brabante, mas foi destruído por um incêndio em 1731.
Em 1695 Bruxelas foi atacada pelo Marechal de Villeroy sob as ordens do rei Luís XIV de França. O bombardeamento causou uma grande destruição na cidade: mais de 4 000 casas foram incendiadas, incluindo os edifícios medievais da Grand-Place.
Em 1830, despoletou a Revolução Belga após a performance da ópera La Muette de Portici no teatro De Munt. A 21 de Julho de 1831, Leopoldo I, o primeiro rei dos belgas, ascendeu ao trono, destruindo as muralhas da cidade e reconstruindo muitos edifícios. Na sequência da independência, a cidade sofreu bastantes transformações.
Bruxelas, a região capital, é habitada por belgas de língua neerlandesa e de língua francesa, apesar de o neerlandês (e as suas linguagens germânicas predecessoras) ter sido a língua histórica de Bruxelas por quase toda a sua história. O francês foi, durante séculos, apenas falado pela alta burguesia e a nobreza. Tornou-se uma língua popular sob o domínio da França, e depois de 1830, com a imigração de muitos franceses (alguns deles revolucionários) e muitos valões, africanos e árabes.
Como em 1830 apenas a alta burguesia e a nobreza (menos de 1% da população) tinha direito de voto, estes grupos quiseram moldar o novo estado de acordo com as suas preferências. Em consequência, tiveram de atrair muitos valões (de língua francesa) para trabalhar nos serviços públicos. Desde este período, a língua neerlandesa e os flamengos foram discriminados. Na atualidade, os flamengos dos municípios suburbanos (e muito mais afluentes) tentam tornar-se a nova elite da cidade.
Bruxelas situa-se a aproximadamente 50°50'N, 4°22'E, bem no centro da Bélgica. É rodeada por muitas cidades próximas, o que a faz ser o centro da economia belga. Essa região é conhecida por Bruxelas-Capital que, além de Bruxelas, inclui outros 18 municípios.
Diferentemente da maioria das outras grandes áreas urbanas na Bélgica, a aglomeração de Bruxelas não participou na fusão dos municípios em 1977, de modo que o número de municípios manteve-se inalterado. Apenas os municípios de Laeken, Haren, e Heembeek.
É uma cidade pouco inclinada, como o resto do país: a zona norte tem apenas 20 m de altitude, sem montanhas por perto.
Restringindo-se à temperatura de Bruxelas, esta é quase igual a outras capitais próximas. Com uma temperatura muito baixa no inverno (3 °C) e temperada no verão (17 °C), pode ocorrer neve no local, principalmente porque é comum em janeiro as temperaturas serem inferiores a 0 °C. A máxima no verão pode atingir os 30 °C, mas raramente passa disso ou então é resultado de uma massa de ar quente. No inverno, as temperaturas podem cair para -5 °C, acontece quase todos os anos, por vezes sem necessitar de massa de ar frio.
A precipitação acontece com a mesma intensidade em todos os meses, não há período de estiagem, nem período das cheias, diferente de outras capitais europeias. A média de precipitação mensal é de aproximadamente 71 mm. A média de precipitação por ano é de 852 mm. Por causa desse fator, é uma cidade quase sempre úmida.