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Buenos Aires

Capital e maior cidade da Argentina

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Buenos Aires, oficialmente Cidade Autônoma (português brasileiro) ou Autónoma (português europeu) de Buenos Aires (CABA), é a capital e maior cidade da Argentina. Está localizada no sudoeste do Rio da Prata e é classificada como uma cidade global alfa− de acordo com o ranking GaWC de 2024. A cidade propriamente dita tem uma população de 3,1 milhões, enquanto sua área metropolitana tem uma população de 16,7 milhões, tornando-a a 21ª área metropolitana mais populosa do mundo.

É conhecida por sua arquitetura europeia eclética preservada e rica vida cultural. É uma cidade multicultural que abriga múltiplos grupos étnicos e religiosos, contribuindo para sua cultura, bem como para o dialeto falado na cidade e em outras partes do país. Desde o século XIX, a cidade, e o país em geral, tem sido um grande receptor de milhões de imigrantes de todo o mundo, tornando-se um caldeirão cultural onde muitos grupos étnicos convivem, sendo Buenos Aires considerada uma das cidades mais diversas das Américas.

A cidade é um distrito autônomo e não faz parte da Província de Buenos Aires, nem é sua capital. Em 1880, após a Guerra Civil Argentina, Buenos Aires foi federalizada e separou-se da província homônima. Os limites da cidade foram ampliados para incluir as localidades de Belgrano e Flores, ambas agora bairros da cidade. A emenda constitucional de 1994 concedeu autonomia à cidade, daí sua denominação oficial de Cidade Autônoma de Buenos Aires. Os cidadãos elegeram seu primeiro Chefe de Governo em 1996. Anteriormente, o prefeito era nomeado diretamente pelo presidente da Argentina.

A conurbação da Grande Buenos Aires inclui várias cidades vizinhas, localizadas nos distritos adjacentes da província de mesmo nome. Constitui a quarta área metropolitana mais populosa das Américas e é a segunda maior cidade ao sul do Trópico de Capricórnio. Buenos Aires tem o maior índice de desenvolvimento humano de todas as divisões administrativas argentinas. Sua qualidade de vida foi classificada em 97º lugar no mundo em 2024, sendo uma das melhores da América Latina.

Os arquivos aragoneses registram que missionários catalães e jesuítas que chegaram a Cagliari (Sardenha) sob a Coroa de Aragão, após sua conquista dos pisanos em 1324, estabeleceram sua sede no topo de uma colina com vista para a cidade. A colina era conhecida por eles como Bonaira (ou Bonaria em sardo), pois estava livre do mau cheiro prevalente na cidade velha (a área do castelo), que ficava adjacente a um pântano. Durante o cerco de Cagliari, os catalães construíram um santuário dedicado à Virgem Maria no topo da colina. Em 1335, o rei Afonso, o Gentil, doou a igreja aos mercedários, que construíram uma abadia que permanece até hoje. Nos anos seguintes, circulou uma história que afirmava que uma estátua da Virgem Maria foi recuperada do mar depois de ter acalmado milagrosamente uma tempestade no Mediterrâneo. A estátua foi colocada na abadia. Os marinheiros espanhóis, especialmente os andaluzes, veneravam esta imagem e frequentemente invocavam os "Bons Ventos" para os auxiliar na navegação e evitar naufrágios. Um santuário dedicado à Virgem do Buen Ayre seria posteriormente erguido em Sevilha.

Na fundação de Buenos Aires, marinheiros espanhóis chegaram ao Rio da Prata agradecendo as bênçãos de Santa Maria de los Buenos Aires, 'Santa Maria dos Bons Ventos', a quem eles acreditavam ter dado os bons ventos para chegar à costa do que é hoje a cidade moderna. Pedro de Mendoza chamou a cidade de 'Santa Maria dos Bons Ventos', um nome sugerido pelo capelão da expedição de Mendoza – um devoto da Virgem de Buen Ayre – em homenagem à Madonna de Bonaria da Sardenha (que ainda hoje é a padroeira da ilha mediterrânea). O assentamento de Mendoza logo foi atacado por povos indígenas e foi abandonado em 1541.

Durante muitos anos, o nome foi atribuído a um certo Sancho del Campo, que teria exclamado: "Como são bons os ventos desta terra!" ao chegar. Em 1882, após extensa pesquisa em arquivos espanhóis, o comerciante argentino Eduardo Madero concluiu que o nome estava, na verdade, intimamente ligado à devoção dos marinheiros a Nossa Senhora do Bom Ar. Um segundo assentamento (e permanente) foi estabelecido em 1580 por Juan de Garay, que navegou pelo rio Paraná a partir de Assunção, atual capital do Paraguai. Garay preservou o nome originalmente escolhido por Mendoza, chamando a cidade Ciudad de la Santísima Trinidad y Puerto de Santa María del Buen Aire ('Cidade da Santíssima Trindade e Porto de Santa Maria dos Bons Ventos'). A forma abreviada que eventualmente se tornou o nome da cidade, "Buenos Aires", tornou-se comum durante o século XVII.

O marinheiro Juan Díaz de Solís, navegando em nome do Império Espanhol, foi o primeiro europeu a chegar ao Rio da Prata em 1516. Sua expedição foi interrompida quando foi morto durante um ataque da tribo nativa dos charruas, na região do atual Uruguai. A cidade de Buenos Aires foi estabelecida pela primeira vez como Ciudad de Nuestra Señora Santa Maria del Buen Ayre (literalmente "Cidade de Nossa Senhora Santa Maria dos Bons Ventos") em homenagem a Nossa Senhora de Bonaria (Padroeira da Sardenha) em 2 de fevereiro 1536 por uma expedição espanhola liderada por Pedro de Mendoza. O assentamento fundado por Mendoza estava localizado no atual bairro de San Telmo, ao sul do centro da cidade.

Mas ataques indígenas derrubaram os colonos e, em 1542, o local foi abandonado. Um segundo (e permanente) acordo foi estabelecido em 11 de junho de 1580 por Juan de Garay, que chegou navegando pelo rio Paraná de Assunção (atual capital do Paraguai). Ele apelidou o assentamento Santísima Trinidad e seu porto tornou-se Puerto de Santa María dos Buenos Aires.

Desde os primeiros dias, Buenos Aires dependia principalmente do comércio. Durante a maior parte do século XVI, os navios espanhóis eram ameaçados por piratas, por isso desenvolveram um sistema complexo onde navios com proteção militar eram despachados para a América Central em um comboio de Sevilha, o único porto permitido para comercializar com as colônias, até Lima, no Peru, e para as outras cidades do vice-reino. Por isto, os produtos levavam muito tempo para chegar em Buenos Aires e os impostos gerados pelo transporte os tornaram proibitivos. Este esquema frustrou os comerciantes locais e uma próspera e informal indústria de contrabando, ainda que aceito pelas autoridades, se desenvolveu dentro das colônias e com os portugueses. Isto também inculcou um profundo ressentimento entre os porteños em relação às autoridades espanholas.

Percebendo esses sentimentos, Carlos III da Espanha aliviou progressivamente as restrições comerciais e, finalmente, declarou Buenos Aires um porto aberto no final do século XVIII. A captura de Porto Bello pelas forças britânicas também alimentou a necessidade de promover o comércio através da rota atlântica, em detrimento do comércio baseado em Lima. Uma de suas decisões foi dividir uma região do Vice-Reino do Peru e criar, em vez disso, o Vice-Reino do Rio da Prata, com Buenos Aires como a sua capital. No entanto, as ações de Carlos não tiveram o efeito desejado e os porteños, alguns impulsionados pela Revolução Francesa, ficaram ainda mais convencidos da necessidade de independência da Espanha.

A chegada de ideias liberais fomentou a criação de movimentos emancipadores, que desencadearam em 1810 a Revolução de Maio e a criação do primeiro governo pátrio. Logo depois das guerras civis e da reunificação do país, Buenos Aires foi eleita lugar de residência do Governo Nacional, ainda que este carecesse de autoridade administrativa sobre a cidade, que formava parte da província de Buenos Aires.

Durante a maior parte do século XIX, o estatuto político de Buenos Aires permaneceu um assunto sensível. A cidade já era a capital da Província de Buenos Aires e, entre 1853 e 1860, era a capital do Estado de Buenos Aires. A questão foi combatida mais de uma vez no campo de batalha, até que o assunto finalmente foi resolvido em 1880, quando a cidade foi federalizada e se tornou sede do governo do país, com o seu prefeito nomeado pelo presidente. A Casa Rosada tornou-se a residência oficial do presidente.

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