Neville O'Riley Livingston (Kingston, 10 de abril de 1947 — Kingston, 2 de março de 2021), conhecido mundialmente como Bunny Wailer, foi um cantor, compositor e percussionista jamaicano. Foi um dos membros fundadores do icônico grupo de reggae Bob Marley & The Wailers, junto com Bob Marley e Peter Tosh. Reconhecido como uma das figuras mais importantes na difusão da música reggae e da cultura Rastafari globalmente, Wailer venceu três prêmios Grammy ao longo de sua carreira solo.
Biografia Primeiros Anos e Formação dos Wailers
Nascido em Kingston, Livingston passou parte da infância na vila de Nine Mile, na paróquia de Saint Ann. Foi lá que conheceu Bob Marley, de quem se tornou amigo íntimo. Após a mudança de suas famílias de volta para Kingston, o pai de Bunny e a mãe de Bob Marley tiveram uma união, fazendo com que os dois jovens crescessem na mesma casa como irmãos criados juntos. Em 1963, Livingston, Marley e Peter Tosh formaram o grupo vocal The Wailing Wailers (mais tarde simplificado para The Wailers), juntamente com Junior Braithwaite, Beverly Kelso e Cherry Smith. Sob a tutela de Joe Higgs e a produção de Coxsone Dodd no lendário Studio One, o grupo obteve grande sucesso na Jamaica com o estilo ska e rocksteady, destacando-se com o compacto "Simmer Down".
Transição para o Reggae e Sucesso Internacional
No final dos anos 1960 e início dos 1970, os Wailers adotaram a fé Rastafari e evoluíram sonoramente para o reggae, colaborando com o produtor Lee "Scratch" Perry. Com a assinatura do grupo pela gravadora britânica Island Records, de Chris Blackwell, eles lançaram os álbuns fundamentais Catch a Fire e Burnin' (ambos em 1973), que projetaram o grupo internacionalmente.
Bunny era conhecido por suas harmonias vocais altas e por compor faixas emblemáticas como "Pass It On" e "Hallelujah Time".
Em 1974, Bunny Wailer e Peter Tosh deixaram o grupo devido à relutância em fazer longas turnês internacionais promovidas pela Island Records e pelo foco crescente da gravadora em Bob Marley. Bunny fundou seu próprio selo, o Solomonic, e lançou seu álbum de estreia solo em 1976, Blackheart Man, que é amplamente considerado pelas críticas especializadas como uma das maiores obras-primas da história do reggae. Ao longo das décadas seguintes, ele transitou entre as raízes do roots reggae e experimentações com o dancehall.
Bunny Wailer foi um defensor ferrenho da cultura Rastafari, utilizando sua música como veículo para mensagens de resistência, espiritualidade, pan-africanismo e crítica social. Ele era conhecido por proteger a integridade do reggae contra a comercialização excessiva, frequentemente chamando a atenção para a "batida do coração" (heartbeat) da música.
Bunny viajou em turnê com os Wailers pela Inglaterra e Estados Unidos, mas logo tornou-se relutante em deixar novamente a Jamaica. Ele e Tosh foram marginalizados no grupo quando os Wailers começaram a fazer sucesso internacional, com todas as atenções focadas em Marley. Wailer e Tosh subsquentemente deixaram a banda para seguirem carreira solo. Eles foram substituídos pelas "I Thress", uma estratégia com vistas a ampliar o sucesso dos Wailers no mercado não-jamaicano.
Depois de deixar o grupo, Bunny fixou-se mais em seus princípios espirituais. Assim como os outros Wailers, ele era um rasta declarado. Produziu alguns dos seus álbuns, além de compor e regravar a maioria do material do catálogo dos Wailers. Ele obteve sucesso gravando músicas apolíticas, mais pop e dançantes. Bunny sobreviveu aos seus contemporâneos quando a morte violenta era um lugar comum.
Wailer ganhou três Grammys de "Melhor Álbum de Reggae" de 1990, 1994 e 1996 pelo seu desempenho em Time Will Tell: A Tribute to Bob Marley, Crucial! Roots Classics e Hall of Fame: A Tribute to Bob Marley's 50th Anniversary respectivamente.
Em 2017, o governo da Jamaica concedeu a Wailer a Ordem de Mérito, a quarta maior honraria do país, por sua imensurável contribuição à música popular jamaicana.
Como percussionista, Bunny dominava o estilo de tambor Nyabinghi, essencial para a identidade espiritual do reggae. Sua escrita era profundamente lírica, focada em temas de justiça social, espiritualidade Rastafari e repatriação. Após as mortes de Marley (1981) e Tosh (1987), Bunny tornou-se o guardião do legado original dos Wailers, sendo frequentemente chamado de "O Último Wailer".
Bunny Wailer faleceu em 2 de março de 2021, aos 73 anos, no Medical Associates Hospital em Kingston, após complicações decorrentes de um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido no ano anterior. Sua morte gerou homenagens de líderes políticos e músicos de todo o mundo, consolidando seu status como uma lenda viva da música do século XX.
Blackheart Man (1976) Island/Tuff Gong (2 extra albums with Blackheart Man: Dubd'sco vol.1 (1976) Island/Tuff Gong and Blackheart Man (Remastered & Extended) (1976) Island/Tuff Gong)
In I Father's House (1979) Solomonic** Bunny Wailer Sings the Wailers (1980) Solomonic
Dubd'sco vol.2 (1981) Solomonic
Rock 'n' Groove (1981) Solomonic