Cármen Lúcia Antunes Rocha (Montes Claros, 19 de abril de 1954) é uma jurista, professora e magistrada brasileira, atual ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), tendo sido presidente da suprema corte e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de 2016 a 2018. Foi Presidente interina do Brasil em cinco ocasiões ao longo de 2018, sendo a segunda mulher a ocupar o mais alto posto do Poder Executivo, mesmo em caráter provisório. Também exerceu o cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral por dois períodos, e também o de presidente da segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
É bacharel em direito pela Faculdade Mineira de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1977), especialista em direito de empresa pela Fundação Dom Cabral (1979) e mestre em direito constitucional pela Universidade Federal de Minas Gerais (1982). Cursou o programa de doutorado em direito da Universidade de São Paulo (1983), mas não o concluiu. Desde 1983, é professora titular de direito constitucional na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, além de coordenadora do Núcleo de Direito Constitucional.
Foi procuradora do Estado de Minas Gerais de 1983 até 2006, exercendo a função de Procuradora-Geral do Estado de 2001 a 2002, durante o mandato do então governador Itamar Franco. É membro efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros, e foi diretora da revista desta instituição, além de ter sido membro da Comissão de Estudos Constitucionais do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil de 1994 a 2006.
Em 2006, foi indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao cargo de ministra do Supremo Tribunal Federal, tornando-se a segunda mulher a alcançar este posto, sendo a primeira, ministra Ellen Gracie Northfleet. Carmem Lúcia assumiu a vice-presidência da Corte em 2014, e ascendeu a presidência em 2016. Também exerceu a função de ministra do Tribunal Superior Eleitoral entre 2009 e 2013 num primeiro mandato. Em 2022 deu início a um segundo mandato finalizado em 12 de maio de 2026. Tornou-se a primeira mulher a presidir o TSE entre os anos de 2012 e 2013. Assumiu novamente o comando da corte eleitoral no ano de 2024, coordenando as eleições municipais do Brasil. Em 2026, antecipou sua saída da gestão e composição do Tribunal Superior Eleitoral.
Nascida em Montes Claros, Carmen Lúcia Antunes Rocha é filha de Florival Rocha e Anésia Antunes, de origem portuguesa, em uma família de sete irmãos. Foi interna em colégio de freiras até a idade de prestar vestibular. Cursou o ensino secundário no Colégio Estadual Dom Lúcio Antunes de Sousa, em Espinosa, e posteriormente no tradicional Colégio Sacré-Coeur de Jésus, em Belo Horizonte. Nunca se casou e, segundo uma prima, a economista Silvana Antunes, sempre anunciou que não o faria. "Ouvi várias vezes de sua boca que não se casaria. ‘Vou me dedicar à profissão’".
Formou-se em direito em 1977 pela Faculdade Mineira de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), da qual se tornaria professora em 1983. É especialista em direito de empresa pela Fundação Dom Cabral (1979) e mestre em direito constitucional pela Universidade Federal de Minas Gerais (1982). Cursou doutorado em direito do Estado pela Universidade de São Paulo em 1983, sem o concluir.
Foi procuradora do Estado de Minas Gerais de 1983 até ser indicada ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2006, tendo ocupado o cargo de procuradora-geral do Estado entre março de 2001 e dezembro de 2002, no governo de Itamar Franco. Foi diretora da Revista do Instituto dos Advogados Brasileiros.
Foi a segunda mulher a integrar o STF e a primeira ministra a usar calça comprida durante uma sessão plenária, em 15/03/2007 (o traje foi liberado às mulheres desde maio de 2000).
Na décima terceira edição do Prêmio Faz Diferença do jornal O Globo, foi eleita a "Personalidade do Ano" de 2015.
É parente distante de José Paulo Sepúlveda Pertence, que também foi ministro do STF e que recomendou seu nome ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar uma vaga no tribunal.
No dia 3 de outubro de 2016, recebeu a Medalha de Honra da Universidade Federal de Minas Gerais em cerimônia presidida pelo Reitor Jaime Arturo Ramírez no auditório da Reitoria da Universidade.
Cármem Lúcia serviu como presidente da República em exercício por cinco ocasiões. O cargo de Presidente do Supremo Tribunal Federal é o quarto na Linha de sucessão presidencial do Brasil, mesmo assim, esta tornou-se a sexta presidente do STF a assumir a chefia do Poder Executivo em caráter provisório. Tendo em vista a ausência do então incumbente do território nacional, a vacância do vice-presidente, e os presidentes da Câmara dos Deputados do Brasil e do Senado Federal do Brasil evitando assumir o cargo para não se tornarem inelegíveis nas eleições daquele ano, Cármem Lúcia atuou como Presidente do Brasil nos dias 13 e 14 de abril, 18 de junho, nos dias 17 e 18 de julho, entre os dias 23 e 28 de julho e no dia 15 de agosto do ano de 2018. Na condição de presidente interina do Brasil, assinou um decreto instituindo o dia 2 de abril como o Dia Nacional da Consciência Sobre Autismo.
Foi indicada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo de ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), na vaga do ministro Nelson Jobim, aposentado em 26 de maio de 2006.
No Senado, evidenciou uma de suas maiores virtudes: a habilidade com as palavras. Reconhecida como uma exímia frasista, Cármen Lúcia marcou sua sabatina ao afirmar: “Quando me encontrarem, nem morta, ninguém vai me ver de braços cruzados, diante do que tem sido a minha luta para que a gente tenha um Brasil justo”. Sua indicação foi aprovada pelo por 55 votos contra 1 em 24 de maio de 2006.
Tomou posse em 21 de junho de 2006, tornando-se a segunda mulher a integrar o Supremo Tribunal Federal. De acordo com informações recentes de seu gabinete, destaca-se entre os ministros por ser aquela que mantém o desempenho mais regular no cumprimento das metas de julgamento e na agilidade processual.
Em outubro de 2012, durante o julgamento que condenou José Dirceu, Marcos Valério e outros 23, a ministra votou pela absolvição de 13 acusados de formação de quadrilha envolvidos no Escândalo do mensalão. Seu voto pela absolvição foi criticado pelo então ministro do STF, Joaquim Barbosa.
Em junho de 2013, a ministra expediu mandado de prisão ao deputado federal Natan Donadon (PMDB-RO), condenado a 13 anos, 4 meses e 10 dias, em regime inicialmente fechado, pelos crimes de formação de quadrilha e peculato. A ministra Cármen Lúcia foi a relatora do processo. Com a decisão do STF, o deputado Donadon foi condenado não só à prisão mas também à perda dos direitos políticos.
Em novembro de 2015, Cármen Lúcia votou a favor da prisão do então Senador Delcídio do Amaral, a época líder do governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Foi primeira vez na história que um senador em exercício foi preso no Brasil, e a leitura do voto da ministra tornou-se símbolo do fato. Nele, Cármen Lúcia faz pronunciamento em favor da prisão de Delcídio do Amaral, num pronunciamento onde compara a superação da esperança sobre o medo, um mote da campanha política do PT para eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para presidente da república, e o Mensalão, e o escárnio em achar que imunidade é sinônimo de impunidade.