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Cacau

Árvore na família Malvaceae, nativa das regiões tropicais profundas das Américas

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O cacaueiro (nome científico: Theobroma cacao) é a árvore perenifólia que dá origem ao fruto chamado cacau.

Pertencente à família Malvaceae, o cacaueiro tem seu centro de origem nas cabeceiras da chuvosa Bacia do rio Amazonas, localizada na América do Sul. Em ambientes sombreados de floresta e sem poda humana, sua altura pode chegar a 20 metros. Em condições de cultivo, no entanto, recomenda-se manter sua altura entre 3 a 5 metros.

O cacau é a principal matéria-prima do chocolate, feito por meio da torra e moagem das suas amêndoas secas, em processo industrial ou caseiro. Outros subprodutos do cacau incluem sua polpa, suco, geleia, destilados finos, sorvete e mel de cacau. Do cupuaçu (Theobroma grandiflorum), espécie do mesmo gênero do cacau, produz-se o cupulate, doce bastante similar ao chocolate.

A civilização Maia e mexicana (principalmente a Asteca), de mesma raiz, possuía dois vocábulos (kab e kaj) que, numa mesma palavra, formavam a expressão suco amargo picante (kabkaj) um sabor bastante apimentado. Segundo historiadores e desenvolvedores da geografia como o foi Américo Vespúcio, do Novo Mundo, o nome atual foi praticamente dado por Cristóvão Colombo, apreciador do chocolate com gosto apimentado, e foi um dos primeiros a levar o conhecimento ao Velho Mundo, espalhando a planta, por onde andava. Assim, a bebida originada deste suco era nomeada de kabkajatl (segundo Cristóvão Colombo, onde as três últimas letras desta palavra significavam "líquido"). Os espanhóis colonizadores tinham dificuldades de pronunciar a palavra e sempre colocavam um hu nas palavras dos índios mexicanos. Desta maneira, a palavra acabou transformando-se em kabkajuatl e, futuramente, pela ação popular, em cacauatl.

A cacauatl foi modificada pelos espanhóis, passando a ser tomada quente e com leite e açúcar, basicamente, uma vez que se juntou muitos outros produtos para retirar o gosto apimentado, que nem sempre é apreciado pelo consumidor comum. Recebeu, então, um novo nome: chacauhaa (chacau = quente; haa = bebida). Depois, houve confusão entre as palavras, das bebidas quente e fria, dando origem a palavra "chocolate".

O cacau é originário da bacia hidrográfica do rio Amazonas, tendo sido posteriormente dispersado para as regiões tropicais da América Central e do Norte.

Para as civilizações mesoamericanas pré-colombianas, as sementes do cacau constituíam uma bebida ritualística e uma moeda de troca de alto valor comercial. Recipientes de cerâmica com resíduos da preparação do cacau foram descobertos em sítios arqueológicos datados do Período Formativo (1900-900 a.C.). Por exemplo, um achado desse tipo em um sítio arqueológico Olmeca na costa de Veracruz, no México, indica que povos pré-olmecas já preparavam o cacau em 1750 a.C.

O chocolate (chocolatl, em língua náuatle) era uma bebida de sabor amargo, preparada a partir das sementes torradas e moídas misturadas com água. Registros relatam a bebida como sendo muito consumida pela nobreza do Império Asteca, que requisitava sementes de cacau como parte do tributo cobrado de populações subjugadas. Como a bebida nessa forma toma um sabor amargo, era comum que se misturasse outros ingredientes durante o preparo, incluindo flores, mel, pimenta, e baunilha, mascarando o amargor e mudando a cor do líquido de branca para laranja, vermelha ou amarronzada.

No Brasil, ele foi cultivado primeiramente na Amazônia, onde já existia em estado natural. Depois, pelo rio Amazonas, passou para o Pará e pelo mar chegou finalmente à Bahia, onde melhor se adaptou ao solo e ao ambiente marinho, e causou o chamado "boom" da década de 1930, durante o Ciclo do cacau (ver: História da alimentação no Brasil e História da agricultura no Brasil).

A casca é rica em antioxidantes, pectina e minerais, sendo isenta de lactose, açúcar, glúten e cafeína. Pode ser usada na alimentação (tanto humana quanto animal), na produção de adsorventes, fertilizantes orgânicos dentre outros produtos. A casca também tem uso medicinal fitoterápico. Suas folhas são comestíveis (PANC - Plantas alimentícias não convencionais) e são consumidas em comunidades quilombolas, como o quilombo Batateiras em Cairu (BA).

O cacaueiro é uma planta de clima quente e úmido que prefere o solo argilo-arenoso. Esta árvore possui dois períodos de produção de frutos: temporão (março a agosto) e safra (setembro a fevereiro). O fruto é produzido ao longo do caule, não se restringindo às regiões apicais e axilares dos ramos (caulifloria). Na natureza sua propagação se dá por sementes (seminal/sexuada), mas com uso de técnicas agrícolas como estaquia ou embriogênese somática, é possível reproduzir o cacaueiro de forma vegetativa (assexuada). Por ser uma planta tolerante à sombra, vegeta bem em sub-bosques e matas raleadas sendo, portanto, uma cultura extremamente conservacionista de solos, fauna e flora. Pouco mecanizada, é uma cultura que proporciona um alto grau de geração de emprego. Encontrou no sul da Bahia um dos melhores solos e clima para a sua expansão.

Em 2016, cacau foi cultivado em cerca de 11 milhões de hectares em todo o mundo. De acordo com a FAO, os dez maiores produtores mundiais em 2022 foram:

Em 2018, o cultivo global de grãos de cacau movimentou uma economia de 9,94 bilhões de dólares. Neste mercado, foi estimado um crescimento composto de 7,3% ao ano de 2019 até 2025.

Entre os patógenos do cacaueiro, encontram-se diversas espécies de fungos:

Vassoura-de-bruxa (Moniliophthora perniciosa)

Monilíase (Moniliophtora roreri)

Podridão parda (Phytophthora palmivora, P. capsici, P. citrophthora, P. heveae, P. megakarya)

Cancro de Lasiodiplódia (Lasiodiplodia theobromae)

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