Carlos Alberto Ciocler (São Paulo, 27 de setembro de 1971) é um ator, diretor e biólogo brasileiro.
Bem antes de completar 10 anos de idade, integrou o grupo de teatro amador do clube Hebraica, que o introduziu à crítica aos 17, com a peça Ecos.
Em 1995, devido ao bom desempenho que apresentou na peça Píramo e Tisbe, recebeu o Prêmio Mambembe de Melhor Ator Coadjuvante e ainda assinou um contrato de dois anos com a TV Globo. Isso porque, em uma das apresentações do espetáculo, Luiz Fernando Carvalho, o responsável pela direção da telenovela O Rei do Gado, estava na plateia. Satisfeito com o que viu, rapidamente convidou-o para o elenco do folhetim que marcou sua estreia na TV, em 1996. De início, relutou em aceitar o convite, porque acreditava que atuar na televisão exigia pouco esforço de interpretação do ator. Persuadido, sua participação na história estendeu-se somente em alguns capítulos, mais precisamente, na primeira fase da trama, na qual interpretou o jovem italiano Geremia Berdinazzi, que depois foi vivido por Raul Cortez. Com a oportunidade, chamou a atenção da crítica especializada e abocanhou o Prêmio APCA, na categoria Revelação Masculina.
Nos quatro anos seguintes, passou praticamente despercebido na televisão com personagens que pouco repercutiram nas novelas. Nesse intervalo, destacou-se no teatro com a peça Rei Lear pela qual recebeu o Prêmio Qualidade Brasil de Melhor Ator. Também debutou nas telonas com o filme Caminho dos Sonhos, protagonizado por Taís Araújo e Elliott Gould.
Em 2000, destacou-se na minissérie A Muralha, na pele do cafajeste Bento Coutinho, que mesmo prometido à ingênua Rosália tinha o hábito de deitar-se com as índias. No ano seguinte, despontou na novela Um Anjo Caiu do Céu como Davi, um agente judeu que trabalhava contra uma organização neonazista. Foi nesse ano, que participou do elogiado filme Bicho de Sete Cabeças que entrou para a história do cinema brasileiro como sendo o mais premiado nos festivais. Também protagonizou o filme Minha Vida em Suas Mãos no qual interpretou um homem que após ser demitido e ter o fundo de garantia roubado num assalto, envolveu-se no mundo dos crimes, em que conheceu Júlia, a quem faz refém num assalto. Por ela se apaixonou, não sabendo como agir mediante ao sentimento e a necessidade de manter-se nessa vida vazia.
No ano de 2002, fez-se presente na minissérie O Quinto dos Infernos que narrava a chegada da Família Real ao Brasil. Nesse trabalho, encarnou o papel mais interessante de sua trajetória televisiva até então, o herdeiro da corte D. Miguel, irmão de D. Pedro I e filho da rainha D. Carlota Joaquina. Também participou do documentário A Guerra dos Paulistas, telefilme produzido para a TV Cultura, que narrou a Revolução de 1932, em que brasileiros confrontaram contra brasileiros na mais violenta guerra bélica já registrada nas Américas do século XX. E ainda, esteve nas telonas com o filme Lara que contou a história de vida da grande atriz e cantora Odete Lara. Posteriormente, caiu de paraquedas — literalmente — na novela Chocolate com Pimenta. Entrou para o elenco do folhetim quando este já estava na metade de sua exibição para movimentar o núcleo central e desestruturar o romance do casal protagonista Aninha e Danilo. Miguel, era um homem misterioso e chegou na cidade de Ventura dentro de um balão. Através de seus conselhos, Ana Francisca conseguiu se reerguer do golpe que sofreu de sua ex-cunhada Jezebel e recuperar a fábrica de chocolates.
Em 2004, dedicou-se ao cinema. Entre outros trabalhos, rodou o curta Limbo que narra a história de um homem que se vê jogado no limbo a espera do seu julgamento final. O filme participou de vários festivais, entre eles: Festival FAM, VII FIC Brasília, 29° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, The New York International Film Festival, Cine Curupira, em que venceu o prêmio de Melhor Direção, 4° Mostra Maria Vídeo e Cinema, em que venceu o prêmio de Melhor Fotografia e Gramado Cine Vídeo, em que venceu o prêmio de Melhor Ficção. No mesmo ano, protagonizou também o filme Olga. Ainda esteve em circuito nacional nas telonas com o filme Quase Dois Irmãos, em que interpretou um senador que decide reencontrar um antigo amigo de infância que na verdade é um poderoso traficante de drogas, com a intenção de negociar um projeto social nas favelas em que ele lidera. Também esteve em Quanto Vale ou É por Quilo? , que faz uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da miséria pelo marketing social, que formam uma solidariedade de fachada, fazendo uma grande crítica às ONGs e suas captações de recursos junto ao governo e empresas privadas.
Avesso desde sempre ao estereótipo de galã, não teve como escapar desse rótulo em América, em que deu vida ao intelectual Ed Talbot. Com o trabalho, o ator que já possuía uma carreira sólida tanto no cinema quanto no teatro firmou o sucesso também na telinha e assim conseguiu seu primeiro personagem popular. De início, Ed não teria tanto destaque e seria apenas um rápido envolvimento da protagonista Sol. No entanto, com a audiência da novela em crise a autora Gloria Perez tirou proveito da boa aceitação que o intérprete tinha perante ao telespectador e o promoveu a protagonista. Seu caso com a mocinha de Deborah Secco caiu nas graças do público, destronando assim o peão de Murilo Benício, par romântico de Sol no início da trama. Emendando trabalhos, em 2006, surgiu no vídeo na minissérie JK em que despontou como o bom moço Leonardo Faria. Em dobradinha, no mesmo ano interpretou o indeciso fotógrafo Renato de Páginas da Vida. Na novela, mesmo casado com Ana Furtado acabou envolvendo-se com Viviane Pasmanter com quem tinha muitas afinidades, entre elas, a paixão por fotografia. Mais uma vez, devido a popularidade em alta do núcleo dos fotógrafos, viu seu personagem crescer, ganhando mais destaque na trama e assim alavancando a audiência do folhetim que vinha instável.
Em 2007, foi alçado protagonista do horário nobre com a telenovela Duas Caras. No papel do advogado Cláudio disputou o coração de Maria Paula (Marjorie Estiano) junto ao inescrupuloso Marcone Ferraço (Dalton Vigh). Porém, com a redenção de Marcone Ferraço ao longo da história, Cláudio foi jogado para escanteio por Maria Paula. Mas sua solidão durou pouco, pois envolveu-se afetivamente com a patricinha de Sheron Menezes, filha de Juvenal Antena.
No ano de 2009 atuou em Caminho das Índias, na qual contracenou com Débora Bloch, Alexandre Borges, Humberto Martins e mais uma vez com Marjorie Estiano. No mesmo ano ganhou o prêmio de Melhor Curta metragem do Hollywood Brazilian Festival, em Los Angeles, pelo papel principal em O Dia M. Na película, interpreta um homem comum de 35 anos, que é obrigado a organizar os preparativos de sua morte. O segundo prêmio foi para Trópico de Câncer, que foi eleito o Melhor Filme no Festival do Minuto na categoria Tema Livre. Neste caso, roteirizou, filmou, dirigiu e editou o curta. Essa foi a primeira fez que mandou um filme para um festival e, logo de cara, venceu a disputa em um evento que reúne produções de todo o mundo. Em 2010, esteve no elenco da série A Cura, protagonizada por Selton Mello e Juca de Oliveira, em que viveu o médico Luis, noivo de Andréia Horta, e filho do prefeito, pertence a família mais rica de Diamantina.
Em 2011, Caco Ciocler dedicou-se inteiramente ao teatro protagonizando a montagem de 45 Minutos, no qual interagia com a plateia. Simultaneamente, esteve em cartaz com o filme Família Vende Tudo. Apesar do filme ter sido criticado pela narrativa fraca foi bastante premiado nos festivais e rendeu ao ator o prêmio de Melhor Ator no Cine PE. Em 2012, Caco participou da novela Salve Jorge, de Glória Perez. O personagem não caiu nas graças do público sendo, segundo o ator, bastante odiado.
Sua experiência como diretor também merece menção. Por seu trabalho em Na Solidão dos Campos de Algodão, Caco venceu o Prêmio Quem na categoria Melhor Diretor de teatro. Simultaneamente, atuou em outra montagem, Casting, uma comédia de costumes que traz o ator na pele de um produtor que tem a missão de escolher o elenco feminino de um show erótico em Singapura, anunciado como uma peça. Caco é um dos atores mais requisitados dos cinemas, tendo participado de pelo menos seis produções cinematográficas em 2012, seu recorde até então. Entre elas está o curta Timing, protagonizado por ele, que venceu no 13.º Festival de Cultura Inglesa na categoria Cinema Digital. Em janeiro, esteve em cartaz com 2 Coelhos, filme que recebeu elogios graças ao seu roteiro bem elaborado, muitos efeitos especiais e pela tentativa de sair do lugar comum do cinema brasileiro. O ator voltou às telonas em novembro, com a estreia do longa Disparos, no qual interpreta um delegado que não facilita a vida de um fotógrafo, apreendido acusado de omitir socorro a um grupo de motoqueiros que foram atropelados por um carro desconhecido. Detalhe: esses motoqueiros assaltaram ele e quando foram acidentados estavam em fuga. O filme foi bem recebido pela crítica e rendeu-lhe o prêmio de Melhor Ator no Festival do Rio.