Caio César (em latim: Gaius Julius Caesar; 20 a.C.–21 de fevereiro de 4 (23 anos), nascido Caio Vipsânio Agripa (em latim: Gaius Vipsanius Agrippa), foi um general romano da gente Júlia eleito cônsul em 1 d.C. juntamente com Lúcio Emílio Paulo. É famoso por ter sido neto do imperador Augusto, filho de Marco Vipsânio Agripa, braço direito do imperador, e Júlia, a Velha, sua única filha. Caio e seu irmão mais novo, Lúcio César, foram criados pelo avô como filhos adotivos e co-herdeiros do Império Romano. Por conta disto, Caio César teve uma carreira política acelerada: com autorização do Senado Romano, Caio César foi eleito cônsul sem antes ocupar os cargos de questor e pretor, posições obrigatórias para senadores ordinários como parte do cursus honorum.
Em 1 a.C., Caio recebeu o comando das províncias orientais e, durante seu mandato, firmou um tratado de paz com Fraates V em uma ilha do Eufrates. Logo depois, foi eleito cônsul. Em agosto de 2 d.C., Lúcio César faleceu em Massília, na Gália Narbonense e, aproximadamente dezoito meses depois, Caio morreu na Lícia. Apesar de casado com uma prima em segundo grau, Lívila, antes de sua morte, os dois não tiveram filhos. Depois da morte de Caio e Lúcio, Augusto adotou seu enteado e seu último neto sobrevivente, Tibério e Agripa Póstumo respectivamente.
Caio Vipsânio Agripa nasceu em Roma em 20 a.C., filho de Marco Vipsânio Agripa e Júlia, a Velha. Através de sua mãe era parte da dinastia júlio-claudiana e parente de todos os imperadores júlio-claudianos. Pelo lado da mãe, era o neto mais velho do imperador Augusto. Era também cunhado de Tibério através de sua meio-irmã Vipsânia Agripina e concunhado de Cláudio através de sua irmã Agripina, a Velha, casada com Germânico. O último imperador da dinastia, Nero, era seu sobrinho-neto e neto de Germânico.
Em 17 a.C., seu irmão Lúcio César nasceu. Imediatamente depois, Augusto adotou os dois e nomeou-os seus herdeiros. Com o pai adotivo, os dois passaram a ser instruídos nos assuntos administrativos do Império ainda muito jovens e, como cônsules eleitos, os dois foram enviados às províncias para aprender. Augusto ensinou Caio e Lúcio a ler, nadar e outros elementos fundamentais da educação clássica, esforçando-se especialmente em ensiná-los a imitar sua letra. No verão seguinte à adoção, Augusto patrocinou a realização da quinta edição dos Jogos Seculares, ligando os jogos à adoção no anúncio de uma nova era de paz — a Pax Augusta.
Naquele mesmo ano, sua família partiu para a província da Síria porque Agripa havia recebido o comando das províncias orientais com poder proconsular (imperium maius). Quato anos depois, em 13 a.C., Caio participou — com seus imrãos Lúcio e Póstumo e outros jovens patrícios romanos — dos Jogos Troianos que comemoraram a inauguração do Teatro de Marcelo em Roma.
Ainda no mesmo ano, Agripa retornou a Roma e foi imediatamente enviado à Panônia para sufocar uma revolta. Ele chegou lá no inverno seguinte, já em 12 a.C., quando os panônios já haviam se rendido. Agripa seguiu então para a Campânia, na Itália, onde ficou doente e morreu logo depois. A morte de seu pai fez com que o assunto da sucessão imperial viesse novamente à tona e os áureos e denários cunhados em 13 e 12 a.C. deixaram claro os planos dinásticos de Augusto para Caio e Lúcio. Com a morte de Agripa, seu braço direito e amigo de longa data, Augusto não deixou dúvidas de que desejava que os dois assumissem o império caso algo lhe acontecesse.
Para aprender sobre assuntos militares, Caio acompanhou Tibério, um dos grandes generais de Augusto e seu enteado através de Lívia, em sua campanha na Germânia. No ano anterior, o irmão de Tibério, Druso, havia morrido no caminho de volta de uma campanha além da fronteira do Reno e Tibério recebeu o comando da campanha na região, onde ficou até 7 a.C. Tibério marchou com seu exército para a região entre o Reno e o Elba e encontrou pouca resistência, com exceção dos sicambros, um povo que ele chegou perto de exterminar. Os que não foram mortos foram transportados para a margem romana do Reno onde podiam ser vigiados com mais facilidade.
Em 6 a.C., Caio foi eleito cônsul designado pela Assembleia das centúrias com a intenção de que ele assumisse o consulado já aos vinte anos de idade. No ano seguinte, Augusto o nomeou pontífice e concedeu-lhe o direito de assistir reuniões do Senado Romano, espetáculos e banquetes entre senadores. O apoio romano ao jovem príncipe rapidamente se espalhou por toda a Itália: estátuas e inscrições homenageando Caio César foram inauguradas em todos os distritos para comemorar a sua nomeação como cônsul na idade sem precedentes de quatorze anos.
No ano seguinte (5 a.C.), ao atingir a idade militar, Caio César assumiu a toga viril e foi introduzido por Augusto no Senado, que o declarou "princeps iuventutis" ("líder da juventude") e "sevir turmae" ("comandante de uma turma de cavalaria"). Como ele já havia sido cônsul designado, Caio ganhou voz no Senado. Lúcio César, três anos mais jovem, recebeu as mesmas honrarias quando atingiu a mesma idade.
Depois da morte do rei Herodes, o Grande, do reino herodiano na Judeia, em dezembro de 5 a.C., seus filhos Antipas e Arquelau foram a Roma com suas próprias versões do testamento do pai para pedir a ajuda dos romanos contra o irmão. Augusto, como de praxe, não quis assumir a responsabilidade sozinho sobre o caso e mandou reunir um conselho de senadores, inclusive Caio César. O conselho decidiu ratificar o testamento de Arquelau, que incluía uma grande herança para Augusto e sua esposa Lívia.
As cidades da Judeia se revoltaram depois que o procurador Sabino marchou com seu exército pela Palestina para assegurar o controle das dezenas de milhões de sestércios prometidos ao imperador. O governador romano da Síria, Públio Quintílio Varo, foi forçado a levar as legiões sírias para a região para restaurar a ordem.
Em paralelo, Fraates V conquistou a Armênia com a ajuda de um grupo político nacionalista local e expulsou Tigranes IV, o rei instalado por Roma. O historiador Guglielmo Ferrero sugere que o plano de Fraates era usar a Armênia como peça de troca na negociação para soltar seus filhos, que eram mantidos como reféns pelos romanos. A supremacia romana na região dependia do controle da Armênia, contudo, antes de poder lidar com os partas, os romanos precisavam liberar as legiões da Síria, que estavam presas na Palestina.
O Reino Herodiano foi dividido entre os filhos de Herodes, o Grande, formando a Tetrarquia. Metade ficou com Arquelau e a outra metade foi dividida entre seus irmãos, Antipas e Filipe, um movimento que restaurou a estabilidade na região, liberando as legiões sírias, e também impediu que a Judeia se tornasse poderosa demais. Com o problema judaico resolvido, Augusto enviou seus exércitos para a Armênia para re-estabelecer o status do reino como protetorado romano e para mostrar às potências adversárias na região que Roma exercia seu domínio sobre todas as terras até o Eufrates.
Por causa de sua idade já avançada, Augusto não pôde viajar ao oriente pessoalmente. Ele tinha poucas pessoas de sua confiança à disposição, mas acreditou que Caio César poderia resolver seus assuntos no oriente. A escolha de Caio foi acertada por que ele representava pessoalmente a família imperial e todas as ordens, promessas ou ameaças que ele fizesse eram tão válidas quanto as feitas pelo próprio imperador. Apesar disto, Caio tinha apenas dezoito anos e era jovem demais para conduzir sozinho as questões oficiais do império.
Antes de partir para o oriente, Caio e Lúcio receberam o poder de consagrar edifícios e eles o fizeram comandando a realização de jogos para celebrar a dedicação do Templo de Marte Vingador em 1 de agosto de 2 a.C. O irmão mais jovem dos dois, Póstumo, participou dos jogos juntamente com toda a juventude patrícia de Roma. Duzentos e sessenta leões foram mortos no Circo Máximo, lutas de gladiadores foram realizadas, uma batalha naval entre "persas" e "atenienses" foi simulada e 36 crocodilos foram mortos no Circo Flamínio.