Caio Fábio D'Araújo Filho (Manaus, 15 de março de 1955), mais conhecido como Caio Fábio, é um escritor brasileiro e a principal voz do cristianismo não denominacional no Brasil. Crítico ferrenho do cenário evangélico predominante e ativista de uma reforma no cenário evangélico atual, ele foi um dos principais líderes presbiterianos dos anos 90.
Caio Fábio foi presidente e fundador da Associação Evangélica Brasileira (AEVB), idealizador da Visão Nacional de Evangelização (VINDE), membro do Pacto de Lausana e mentor do grupo Movimento Caminho da Graça, que possui subestações espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Embora sempre crítico ao cenário evangélico predominante no Brasil, ele foi um dos responsáveis pelo fenômeno evangélico na América Latina.
Ele tem mais de 45 anos de ministério, durante os quais lançou mais de 130 livros. Cristão sem-filiação, Caio propõe Jesus como chave hermenêutica de compreensão da vida e das Sagradas Escrituras. Prega a centralidade de Cristo como reconciliador da humanidade.
Nascido em Manaus, capital de Amazonas, é filho do advogado, pastor e ex-procurador da república Caio Fábio D'Araújo e da professora aposentada e autora do livro "O que faço não o sabes agora", Lacy Silva D'Araújo. Caio teve uma juventude errática, cometendo pequenos delitos e contravenções. À época, Caio tornou-se praticante de Jiu-Jitsu graças a influência do hoje Senador Arthur Virgílio Neto, então amigo de Caio. Posteriormente, tornou-se aluno de Carlson Gracie.
O pai de Caio se converteu à Igreja Presbiteriana em 1967, e posteriormente a toda família. Após converter-se cristão, Caio Fábio foi ordenado ao ministério em 10 de janeiro de 1971. Embora já frequentasse a igreja, Caio se batizou apenas em 1973 (na mesma igreja do pai). Em 1974, aos 19 anos, casou-se com a terapeuta Alda Maria Fernandes, com quem ficaria casado até 1998 e com quem teve cinco filhos: Ciro, Davi, Lukas, Juliana (filha adotiva) e outro que faleceu ainda recém-nascido.
No início de 1977, foi ordenado pastor presbiteriano aos 22 anos, ao apresentar a tese que tratava da salvação dos pagãos fora da religião, embora ainda, não houvesse passado por um seminário. Mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro em 1978, onde fundou a Visão Nacional de Evangelização (VINDE), organização que lhe serviu de apoio por muito tempo ao seu ministério de evangelização, por meio da qual realizou congressos em todo o Brasil. Na época, foram 60 livros e 76 conferências publicados, que na qual venderam mais de 6 milhões de exemplares, e que doava 90% dos direitos autorais para organização não-governamental VINDE.
Vivenciou a efervescência cristã durante a anos 80, momento no qual já era um preletor requisitado, participando de muitos congressos evangélicos, como o Congresso Ibero-Americano de Missões em 1986. Em dezembro de 1988 retirou-se do Brasil para estudar nos Estados Unidos, retornando após ter participado do Congresso de Evangelismo na União Soviética, em 1990, e após o Plano Collor em julho de 1990, encontrando outro cenário religioso. O Brasil experimentava a explosão do neopentecostalismo, comandado especialmente pela TV Record e pelas rádios da Igreja Universal.
Na época, Caio encontrou-se novamente com os amigos evangélicos e juntos propuseram uma nova unidade cristã, criando em 1991 a Associação Evangélica Brasileira (AEVB), da qual tornou-se presidente por oito anos. Na AEVB participou de mais congressos, como o 1º Congresso Nacional da AEVB. A Associação Evangélica Brasileira começou no Centro de Professorado Paulista em maio de 1991. Em 92 já reunia quase 150 mil pastores de todas as denominações, vinculados à AEVB, bem como quase todas as denominações. De acordo com Caio, duas foram impedidas de participar da AEVB:
[...] menos a Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil de Madureira, porque o Manoel Ferreira era e é um bandido. E eu conheci o banditismo dele a fundo. Fui proctologista de pessoas da casa dele, de modo que eu sabia que aquele homem não era do bem. [...] O segundo foi o Macedo, que me chamou e disse: "Eu quero entrar na sua organização que você está criando!" [...] Olha, Macedo, nós estamos criando esta organização justamente por tua causa. Porque se nós não dissermos o que é a igreja evangélica agora, e não determinarmos a luz do evangelho o conteúdo básico do evangelho agora, daqui a vinte anos, quando se falar em evangelho se vai falar em ti, com tuas barganhas, tuas mentiras, tua ausência de Cristo, de Cruz, de arrependimento, de Jesus, de tudo isto.
Em 1994, em gesto que gerou controvérsia, passou a receber pela totalidade de vendas de seus livros e de suas conferências. Em declaração à revista Veja em 1999, justificou: "Eu seria hipócrita, pois meus filhos estavam crescendo e tinham novas necessidades". Caio conseguiu concessão de canal a cabo na Globo Cabo no Rio de Janeiro. A TV Vinde entrou no ar em dezembro de 1996. Para viabilizá-la financeiramente, o Canal vendia comerciais e recebia doações.
Caio Fábio fundou a Fábrica de Esperança, projeto de assistência social implantado na favela Acari, no Rio de Janeiro. A Fábrica atendia 15 mil adolescentes por mês. Depois de mais 10 anos no Rio de Janeiro, o projeto migrou para Manaus, em 1994, cidade onde posteriormente Caio seria convidado para atuar como televangelista no programa religioso na TV RBN Manaus (hoje Boas Novas Amazonas), transmitida por meio de parabólicas e afiliada à Rede Manchete. Caio foi apresentador até 1996. Graças ao sucesso de seu programa, chegou a ter um patrimônio de 5 milhões de dólares, que doaria posteriormente.
Em 1994 a AEVB iniciou a campanha de desarmamento no Rio de Janeiro, "Rio, Desarme-se". A campanha tinha três objetivos: A "fomentação de uma cultura de desarmamento" dentre as crianças carentes, o surgimento de um "processo de resistência pacífica e de cidadania" nas favelas e a "deflagração de uma cultura de desarmamento" no Rio.
Entre 1995 e 1996, a Polícia Militar encontrou grande quantidade de papelotes de cocaína nas dependências da Fábrica de Esperança, que fazia fronteira com a favela do Acari e tinha uma área entre 45 mil metros de área coberta e 55 mil metros de área total. O então governador do Rio de Janeiro, Marcello Alencar, acusou os funcionários da "Fábrica" de conivência com o narcotráfico do Complexo do Acari, embora nada tenha sido provado a respeito.
O projetou foi finalizado em 1998. Alguns meses depois, a luz foi cortada e os funcionários ficaram nove meses sem salários, sendo o prédio desapropriado pelo governo estadual.
Em novembro de 1998, foi denunciado de ter fornecido e ser o principal "corretor" da negociação envolvendo os documentos do, assim chamado, dossiê Cayman em supostamente mostrava a existência de contas e empresas secretas do Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso e de outros políticos do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), num paraíso fiscal do Caribe, as Ilhas Cayman.[carece de fontes?] Parte dos papéis que foi divulgada pela imprensa brasileira provocou outro escândalo, porque os documentos tinham origem apócrifa, com negações dos envolvidos, o que levou até a Polícia Federal do Brasil a pedir informações ao Governo do Reino Unido. Depois disso, Caio Fábio teve a vida revirada pela PF. Foi acusado por calúnia, como um dos participantes. Entrou em depressão e emagreceu 25 quilos.[carece de fontes?]
Em Novembro de 2011, foi condenado em 1ª instância pela Justiça Eleitoral, a quatro anos de prisão, apesar de ter sido inocentado nos depoimentos das vítimas do dossiê Cayman, inclusive pelo próprio ex-Presidente da República Fernando Henrique Cardoso e seu ex-secretário Eduardo Jorge. Contraditório a todas essas provas, Caio Fábio foi considerado o responsável por elaborar e divulgar o dossiê, incorrendo em crime de calúnia e falsificação. A sentença da juíza de primeira instância Léa Maria Barreiros Duarte baseou-se em investigação que contou com a participação até do FBI. Caio Fábio falou sobre a sentença de condenação, classificada por ele como "arbitrária", em seu canal na Internet, Vem & Vê TV, onde se explicou sobre as acusações, dizendo que recorrera da sentença e aguardava o arquivamento da denúncia. A sentença proferida pela juíza foi posteriormente anulada por decisão do juiz do Tribunal Regional Eleitoral Alexandre David Malfatti, em fevereiro de 2012 .