Campo de concentração é um centro de confinamento militar, instalado em área de terreno livre e cercada por telas de arame farpado ou algum outro tipo de barreira, cujo perímetro é permanentemente vigiado, para suster prisioneiros de guerra e/ou prisioneiros políticos.
Os campos de concentração são utilizados para a detenção de civis ou militares, geralmente em tempos de guerra. Não integram os sistemas penitenciários, onde são detidas pessoas condenadas por infringir a legislação de um país. São quase sempre instalações provisórias, com capacidade para abrigar grande quantidade de pessoas, normalmente prisioneiros de guerras, que, no melhor dos casos, podem vir a servir como moeda de troca com o inimigo, ou permanecer presas até a resolução do conflito. No terreno são dispostos, organizadamente, barracões para dormitórios, refeitórios, escritórios e finalidades complementares.
Em tese, esses centros de confinamento devem obedecer às regras das convenções internacionais, bem como submeter-se à fiscalização de organizações internacionais de defesa de direitos humanos. No entanto, historicamente há numerosos registros de exploração de mão de obra em regime de escravidão, bem como tortura e extermínio para presos políticos, prisioneiros de guerra e membros de grupos étnicos. Estes atos costumam ser motivados por ideologias, políticas totalitárias e funções militares. A prática de matanças sistemáticas de prisioneiros em alguns desses campos, fez com que, em linguagem corrente, os campos de concentração fossem assimilados aos campos de extermínio, que de fato constituem um subtipo anômalo.
O tratamento dado a prisioneiros de guerra, tanto civis quanto militares, nos campos de concentração em tempo de guerra é regulado pela Terceira e Quarta Convenções de Genebra, de 12 de agosto de 1949.
Há diversos registros do uso de instalações desse tipo para confinamento de dissidentes políticos por regimes ditatoriais, ou ainda como solução extrema para deter fluxos migratórios. Em alguns casos trata-se de dependências oficialmente inexistentes, sem qualquer vinculação com a norma jurídica e, portanto, não submetidas ao controle internacional, como no caso de Guantánamo, em Cuba.
Em resposta a uma revolta dos Namaquas e hererós na colônia do Sudoeste Africano Alemão, atual Namíbia, as autoridades alemãs criaram campos de concentração para confinar os rebeldes. O combate aos rebeldes e as condições dos campos causaram um número de mortos tão grande, que este é tido como o primeiro genocídio do século XX. O Genocídio dos Hererós e Namaquas estendeu-se de 1904 a 1907.
Sob o nazismo, os campos de concentração foram usados como parte de uma estratégia de dominação de grupos étnicos e dissidentes políticos. Diferentes grupos étnicos (judeus, ciganos, polacos, sintis, yeniches), políticos (anarquistas, comunistas), homossexuais e minorias religiosas (Testemunhas de Jeová) foram objeto de tratamento desumano e de extermínio no Holocausto.
Estima-se que grande parte dos judeus desaparecidos durante a Segunda Guerra Mundial tenha perecido nos campos. Embora outros países tenham construído campos de concentração com a finalidade de isolar populações de determinadas etnias, não há nada comparável, em escala, aos campos nazistas. Desde 1933, quando os primeiros grandes campos de concentração foram construídos em Boyermoor e Dachau, oito milhões de pessoas perderam seus nomes, substituídos por identificações por números, obrigadas a usar triângulos de identificação, foram escravizadas ou transformadas em cobaias. Muitas delas morreram vitimadas por doenças, como tifo e cólera, enquanto outras eram enviadas aos campos de extermínio para serem eliminadas em câmaras de gás. Os nazistas criaram também bordeis nos campos como um método de revigorar os trabalhadores.
Em 2005, a ONU designou 27 de janeiro como o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto.
Os centros clandestinos de detenção (CCD) na Argentina foram instalações secretas empregadas pelas forças armadas e de segurança para executar o plano sistemático de desaparecimento de pessoas implementado pela ditadura militar (autodenominada "Processo de Reorganização Nacional") que ocupou o poder na Argentina entre 24 de março de 1976 e a 10 de dezembro de 1983.
As Forças Armadas classificavam os CCD em dois tipos:
Lugar de Reunião de Detidos (LRD): tinham uma organização mais estável e estavam preparados para alojar, torturar e assassinar grandes quantidades de detidos;
Lugar Transitório (LT): tinham uma infraestrutura precária e estavam destinados a funcionar como um primeiro lugar de alojamento dos detidos-desaparecidos.
No Brasil, Grande Seca (1877-1879) resultou numa grave crise humanitária no Nordeste, especialmente no Ceará. Em 1915 e 1932, o governo brasileiro criou nas cidades de Fortaleza (Tauape e Urubu) Cariús, Ipu, Crato, Quixeramobim e Senador Pompeu, numa região conhecida como Sertão Central, no Estado do Ceará, sete campos para confinar retirantes que fugiam das secas. Estes campos ficaram conhecidos como "currais do governo". Os currais foram criados para impedir que os retirantes chegassem às grandes cidades, de modo a evitar uma nova crise socioeconômica como a que resultou na Grande Seca do século anterior. Em junho de 2019, a cidade de Senador Pompeu tombou a área e as estruturas remanescentes do campo que funcionou no município.
Como resultado da entrada do Brasil na II Guerra Mundial, o governo criou campos de concentração. Já em 1942, a partir da declaração de guerra do Brasil aos países do Eixo, o governo brasileiro criou vários campos de concentração para cidadãos alemães, italianos e japoneses, considerados suspeitos de "atividades antibrasileiras". Também foram feitos prisioneiros os tripulantes de embarcações alemãs capturadas ou avariadas nas costas brasileiras. Os campos oficiais eram doze: Daltro Filho (RS), Trindade(SC), Presídio de Curitiba (PR), Guaratinguetá (SP), Pindamonhangaba (SP), Bauru (SP), Pirassununga (SP), Ribeirão Preto (SP), Pouso Alegre (MG), Niterói (RJ), Chã de Estevam (PE) e Tomé-Açu (PA).
Na Granja do Canguiri (Grande Curitiba) reclusos japoneses eram separados dos filhos, realizavam trabalho forçado e, sofriam humilhações, sendo expostos como num zoológico humano. Também havia outros campos de concentração dentre os oficiais, como o de Ponta Grossa, que também mantinham austríacos. Em Joinville, 200 pessoas foram colocadas num hospício desativado. Um campo de concentração no Recife abrigou os funcionários das Casas Pernambucanas, apenas pelo fato de os seus patrões terem origem germânica.
A reclusão nos campos foi uma pré-condição para o apoio brasileiro aos Aliados. O tratamento dado aos imigrantes foi um dos elementos de negociação no campo da política internacional.
Esse período da história brasileira não foi incluído nos livros didáticos até o momento pois, até 1996, era considerado secreto pelo governo, que permitia apenas o acesso parcial das informações. Os arquivos foram lacrados com base em uma lei que proibia consultas ou pesquisas por 50 anos. Em 1988, o prazo diminuiu para 30 anos. Durante o conflito, o governo brasileiro criou um total de 31 campos de concentração.