Campos dos Goytacazes é um município brasileiro do estado do Rio de Janeiro, Região Sudeste do país. Está localizado na região Norte Fluminense do estado. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), possui uma população estimada de 483,551 habitantes, é a quinta mais populosa cidade do estado do Rio de Janeiro e a maior cidade do interior fluminense, sendo a quadragésima segunda maior população de uma cidade do Brasil, segundo o Censo demográfico de 2022 e também o município com a maior extensão territorial do estado, ocupando uma área de 4 032,5 quilômetros quadrados. Localizam-se no município importantes universidades públicas e privadas do estado do Rio de Janeiro. Segundo o IBGE, Campos dos Goytacazes tinha em 2013 o sétimo maior PIB do Brasil e é até hoje o segundo maior do estado do Rio de Janeiro; era a cidade não capital com o maior PIB nacional naquele ano.
Em sua costa encontra-se a maior plataforma petrolífera do Brasil, a P-51, na Bacia de Campos, fazendo com que a cidade receba, junto com Macaé, o título de Capital Nacional do Petróleo.
Por ser a cidade polo da região Norte Fluminense, Campos funciona como cidade dormitório para os trabalhadores do Porto do Açu, o maior empreendimento porto-indústria da América Latina.
Campos dos Goytacazes possui a segunda maior área urbana do estado com 222 quilômetros quadrados, ficando atrás apenas da capital estadual Rio de Janeiro e ocupando a décima sétima maior área urbana do Brasil.
O nome da município faz referência aos índios goitacás que viviam na região. "Guaitacá", "goitacá" e "goitacás" procedem do termo tupi antigo para essa etnia: guaîtaká. Os especialistas aventam duas possibilidades sobre o significado do étimo:
1) "grandes corredores", a partir da palavra tupi guatá, que significa "correr", "marchar".
2) "gente que sabe nadar", a partir dos termos tupis aba ("homem"), ytá ("nadar") e quaa ("saber").
Com a divisão do território em diferentes capitanias, a região na qual atualmente é o Norte Fluminense foi cedida em 28 de agosto de 1536 a Pero de Góis para a criação da Capitania de São Tomé. A região pertencente a capitania era habitada originalmente por diferentes grupos indígenas, em especial os goitacás.
Em 1619, o herdeiro da capitania, Gil de Góis, retornou as terras para a Coroa Portuguesa por falta de recursos. Essas terras foram incorporadas a Capitania do Rio de Janeiro e cedidas no dia 19 de agosto de 1627 em forma de sesmaria por Martim Correia de Sá a sete Capitães-mores que participaram da expulsão dos franceses do Rio de Janeiro. Em 1633, os Capitães construíram currais para gado próximos à Lagoa Feia e à Ponta de São Tomé e expandiram o povoamento na região.
Esses currais foram construídos em reconhecimento ao que a historiografia oficial de origem lusitana chamou de "heroísmo": uma posição que se sustenta apenas sob a ótica portuguesa, visto que foi um genocídio indígena premeditado a partir da dominação e extermínio dos goitacás, com até mesmo o uso de armas biológicas, lançando objetos contaminados com doenças letais que, à época, eram letais, principalmente em povos que não haviam desenvolvido resistência.
Os novos colonizadores pretendiam desenvolver a criação de gado na região, com o objetivo de aproveitá-los no trabalho dos engenhos. Na enseada da Guanabara, não haviam espaço para criação de gado, pois a área estava ocupada com a cana-de-açúcar. Assim começou a invasão portuguesa na cidade de Campos. Os capitães, que moravam em seus engenhos no Rio de Janeiro e no Cabo Frio, arrendaram quinhões de suas sesmarias, o que contribuiu com o crescimento da população. A criação do gado se multiplicou de forma assombrosa, bem como a diversificação das atividades rurais.[carece de fontes?]
Canaviais começaram a aparecer nas regiões mais elevadas da planície e a política, que até então era estável para os portugueses, foi quebrada com a chegada de latifundiários poderosos, entre eles, Salvador Corrêa de Sá e Benevides, que abusou do seu poder e da posição que ocupava, visto que era, então, governador da capitania.[carece de fontes?]
O militar estabeleceu parcerias com a igreja, que se beneficiava na partilha da planície e assim começou uma grande disputa pelas terras. De um lado, os herdeiros dos capitães, pioneiros, colonos, campeiros e vaquejadores; de outro, os Assecas, herdeiros de Salvador de Sá.[carece de fontes?]
A Vila de São Salvador foi criada em 29 de maio de 1677 próximo a capela de São Salvador, que foi construída nas terras de Salvador Correia em 1652 e que era administrada por beneditinos.
Durante aproximadamente 100 anos a capitania viveu em constantes conflitos pela posse das terras. A Coroa portuguesa chegou a tomar a terra em diversos momentos mas, com a crise financeira vivida pela mesma, acabou voltando para às mãos dos Assecas. Somente em 1752 é que a região foi pacificada, com a compra da capitania e a contribuição pecuniária da própria população.
No decorrer do domínio dos Assecas, a pequena propriedade predominava, mas também condicionada pelo meio natural, devido à inexistência de áreas contínuas de grande extensão, já que havia inúmeras lagoas. A partir do domínio da cana-de-açúcar, a região passou por um período de recuperação, mas continuava isolada da capital.[carece de fontes?]
No início dos anos 1800, toda a planície encontrava-se ocupada e partilhada, mas ainda restavam quatro latifúndios: Colégio dos Jesuítas e São Bento (compreendendo a cidade de Campos e entornos), Quissamã, além da fazenda dos Assecas, onde surgiu o povoado da Barra Seca e atual município de São Francisco de Itabapoana).
Campos dos Goytacazes no pós-independência de 1822