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Candelária (Rio Grande do Sul)

Município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul

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Candelária é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul, localizado na região do Vale do Rio Pardo. Situado a aproximadamente 180 quilômetros da capital, Porto Alegre, sua população foi estimada em 28.932 habitantes em 2021, distribuída por uma área de 934,9 km².

Colonizada predominantemente por imigrantes alemães, Candelária possui uma forte herança cultural germânica, visível nos costumes, na arquitetura e na forte presença do dialeto Riograndenser Hunsrückisch. Economicamente, o município se destaca pela produção agrícola, com ênfase no cultivo de soja, milho e fumo, além de uma crescente industrialização, especialmente no setor calçadista.

Candelária também é um dos mais importantes sítios paleontológicos do Brasil para o Período Triássico, sendo nacionalmente conhecida como a "Terra dos Dinossauros". A descoberta de fósseis de relevância mundial, como o Guaibasaurus candelariensis, confere ao município destaque no cenário científico e turístico.

Redução Jesus Maria (1633-1636)

Remonta a novembro de 1633 a fundação da Redução Jesus Maria pelo jesuíta espanhol Pedro Mola, no local que hoje é conhecido como Trincheira, na localidade de Linha Curitiba, a cerca de 3,5 km da cidade. Esta povoação de índios é uma das 18 fundadas na primeira fase das reduções, tendo elas surgido em virtude de um acordo entre o governador da Província do Rio da Prata e a Companhia de Jesus em 4 de julho de 1626.

A mais próspera das 18 reduções era a de Jesus Maria, na qual viviam cerca de 10 mil índios da nação Tupi-Guarani em uma espécie de cidade que apresentava condições de vida favoráveis em termos de subsistência. Dedicavam-se a agricultura, produzindo milho, trigo e mandioca, além de possuírem significativos rebanhos de bovinos, ovinos e suínos.

Justamente pela pujança e grandeza da redução candelariense, bandeirantes paulistas foram atraídos na intenção de aprisionar índios e escravizá-los. Porém a redução contava com um ferrenho sistema de defesa formado por trincheiras, paliçadas e armamentos, além de índios adestrados militarmente por especialistas em operações de guerra. Uma boa explicação para a resistência de seis horas (das 8h as 14h) frente a bandeira poderosa comandada por Antônio Raposo Tavares. Na batalha de 3 de dezembro de 1636 caiu, com ares de heroísmo, a resistência da Redução de Jesus Maria, pondo fim ao primeiro capítulo da história candelariense.

Colonização até hoje (1862-Hoje)

A colonização do território que viria a ser Candelária iniciou-se em 1862, quando os pioneiros João Kochenborger e Jacob Welsch, ambos descendentes de imigrantes alemães, migraram da região de Rio Pardo em busca de novas terras. Kochenborger estabeleceu-se na localidade hoje conhecida como Linha Curitiba. Anos mais tarde, ele foi responsável pela construção do Aqueduto de Candelária, uma notável obra de engenharia destinada a canalizar a água do arroio Molha Grande para mover um engenho de serra e um moinho de milho e trigo em sua propriedade. Jacob Welsch, após um período residindo na atual Rua Dr. Middendorf, fixou-se permanentemente na área que hoje corresponde à Linha Passa Sete.

O povoado, inicialmente conhecido como "Germânia", experimentou um crescimento significativo com base na agricultura e na pecuária, o que gradualmente impulsionou o desenvolvimento do comércio e de pequenas manufaturas locais. Em reconhecimento à sua expansão, o distrito foi elevado à categoria de freguesia em 9 de maio de 1876, pela Lei Provincial nº 1029, passando a se denominar Freguesia de Nossa Senhora de Candelária.

No início do século XX, o núcleo urbano contava com aproximadamente 150 moradores, concentrados majoritariamente ao longo da Rua do Comércio, hoje Avenida Pereira Rego. O desejo de autonomia política começou a se consolidar a partir de 1924, sob a liderança do Coronel José Antônio Pereira Rego, chefe político republicano de Rio Pardo. Ele organizou reuniões no Clube Rio Branco para articular o movimento pela emancipação de Candelária.

O movimento obteve o apoio crucial do então Presidente do Estado, o também republicano Dr. Borges de Medeiros. Como resultado, a emancipação política de Candelária foi decretada em 7 de julho de 1925, através do Decreto Estadual nº 3.597. O Sr. Albino Lenz foi nomeado para o cargo de primeiro Intendente (cargo correspondente ao de prefeito na época), e a instalação oficial do novo município ocorreu em 28 de dezembro do mesmo ano.

A administração do município é exercida pelo Poder Executivo, liderado pelo Prefeito, e pelo Poder Legislativo, composto pela Câmara Municipal de Vereadores. As decisões do Executivo e a fiscalização dos atos públicos são de responsabilidade dessas duas esferas de poder. A sede da prefeitura é o Palácio Municipal Albino Lenz, localizado na Avenida Pereira Rego.

O Poder Legislativo de Candelária foi instalado em 7 de janeiro de 1926 e, atualmente, é composto por 11 vereadores. A sede do Legislativo localiza-se na Rua Dr. Middendorff, 991, no centro da cidade. O presidente da Câmara é eleito anualmente entre seus pares para um mandato de um ano.

O município de Candelária está localizado na região central do Rio Grande do Sul, a uma latitude 29º40'09" sul e uma longitude 52º47'20" oeste, com uma altitude de 57 metros acima do nível do mar. A cidade está a cerca de 187 km da capital do estado, Porto Alegre, com uma viagem de carro que dura aproximadamente 2 horas e 40 minutos. O principal acesso rodoviário é feito pela BR-287, que leva à BR-386, a qual dá acesso direto à capital. O município é subdividido em três distritos: Candelária (Sede), Pinheiro e Botucaraí.

Candelária encontra-se na bacia do rio Pardo, que é o principal curso d'água da região e contribui para a bacia do rio Jacuí. O município é banhado por diversos arroios e riachos que formam a rede hidrográfica local. A água é utilizada tanto para o consumo urbano quanto para as atividades agrícolas, que são predominantes no município. O relevo do município é uma área de transição, caracterizada por formações distintas. O norte é marcado por um relevo montanhoso, com a presença de coxilhas, enquanto a região sul possui planícies e chapadas. Essa configuração geomorfológica faz parte do Escudo Rio-Grandense. Candelária está inserida em uma zona de transição entre dois biomas brasileiros: a Mata Atlântica e o Pampa. A vegetação local reflete essa diversidade, com a presença de florestas estacionais e formações campestres.

A fauna de Candelária é diversificada e reflete a transição entre os biomas. Na área de mata, é possível encontrar mamíferos como o tatu-galinha e o graxaim-do-campo, além de uma rica avifauna com espécies como o joão-de-barro e a coruja-buraqueira. Na flora, predominam espécies nativas dos biomas. No Pampa, destacam-se as gramíneas e as formações de capões, enquanto na Mata Atlântica predominam árvores de maior porte, como o cedro, a corticeira e a aroeira-vermelha.

O município de Candelária atua como um importante entroncamento rodoviário na região do Vale do Rio Pardo. A principal rodovia que corta a cidade é a RSC-287, uma via de tráfego intenso e de extrema importância econômica, responsável por ligar Candelária a polos como Santa Maria, Santa Cruz do Sul e à Região Metropolitana de Porto Alegre. Outra via de destaque é a ERS-400, que conecta o município à cidade de Sobradinho, servindo como a principal rota de escoamento e de acesso à região Centro-Serra do estado.

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Candelária (Rio Grande do Sul) | World in Stories