Canto é o ato de produzir sons musicais utilizando a voz, variando a altura de acordo com a melodia e o ritmo. Aquele que executa o canto ou, simplesmente, canta, é chamado de cantor (ou cantora). O cantor que está à frente de uma banda de música popular é, comumente, chamado de vocalista. Os cantores apresentam músicas, que podem ser cantadas com acompanhamento de instrumentos musicais ou a cappella. O canto pode ser praticado "solo" ou em duetos, trios, quartetos, etc. O cantor que canta "solo" é chamado de solista. Pode também ser praticado em grupo, como num coro em uníssono ou composto por diferentes naipes. Em muitos aspectos, o canto é uma forma de fala "sustentada". Pode ser formal ou informal, arranjado ou improvisado. Pode ser praticado por lazer, por ritual, na prática educacional ou profissionalmente. A excelência no canto requer tempo, dedicação, instrução e prática regular. Nesse caso, a voz fica mais clara, forte e maleável. Os cantores profissionais, normalmente, constroem suas carreiras num gênero específico, como erudito ou popular. Ensaiam, constantemente, com professores de canto, pianistas repassadores, "coaches" e regentes, ao longo da carreira.
Em seu aspecto físico, o canto tem uma técnica bem definida que depende do uso dos pulmões, que agem como uma fonte de ar; do diafragma, que age como um fole; das pregas vocais, localizadas na laringe, que atuam como um instrumento de palheta, ao vibrar com a passagem do ar; do espaço interno da boca, tórax e cavidades da cabeça, que têm a função de um amplificador, como um tubo num instrumento de sopro; e da língua, que, juntamente com o palato, dentes e lábios, articulam e impõem consoantes e vogais ao som amplificado. Embora estes quatro mecanismos funcionem de forma independente, são, no entanto, coordenados no estabelecimento de uma técnica vocal e são feitos para interagir uns sobre os outros.
Durante a respiração passiva, o ar é inalado com a contração muscular do diafragma, enquanto a exalação ocorre sem nenhum esforço. A expiração pode ser auxiliada pelos músculos abdominais, intercostais e pélvicos inferiores. A inspiração é auxiliada pelo uso dos músculos intercostais externos, músculos escalenos e o esternocleidomastóideo.
O som da voz cantada de cada indivíduo é totalmente único, não só por causa da forma e tamanho real das pregas ou cordas vocais, mas também devido ao tamanho e forma do restante do corpo. Os seres humanos têm pregas vocais que podem afrouxar, apertar ou alterar a sua espessura e sobre as quais a respiração pode ser transferida sob pressões variadas. A forma do tórax e pescoço, a posição da língua, e a tensão dos músculos de outra forma não relacionados podem ser alterados. Qualquer uma destas ações podem causar mudança na altura, intensidade, timbre ou no volume do som produzido. O som também vibra dentro de diferentes partes do corpo e o tamanho e estrutura óssea de um individuo pode afetar o som produzido.
Cantores também podem aprender a projetar o som de maneira que ele ressoe melhor dentro do trato vocal. Isto é conhecido como ressonância. Outra grande influência na produção da voz cantada é a função da laringe que pode ser modificada de diferentes maneiras para produzir sons diferentes. Estes diferentes tipos da função laríngea são descritos como diferentes tipos de registros vocais.
Também, pesquisas científicas tem mostrado que uma voz mais potente pode ser obtida quando a mucosa das pregas é mais gordurosa e fluida. Quanto mais flexível é a mucosa, mais eficiente é o mecanismo de transferência de energia do corrente de ar para as pregas vocais.
Os registros vocais são conjuntos de características fisiológicas e acústicas que categorizam os sons das emissões vocais. Nos campos da fonoaudiologia e da pedagogia vocal há divergências sobre as terminologias dos registros vocais e o número de categorias. São encontrados, portanto, termos diferentes para as mesmas características. Tais classificações são determinadas com base na fisiologia da laringe e dos grupos musculares que atuam nela, além de padrões acústicos característicos de cada registro. No canto, os principais registros atuantes e termos popularmente utilizados são os registros de peito e de cabeça:
Fry: também chamado de registro basal, pulso, pulsado, voz crepitante, strohbass ou creak voice (voz rangida em tradução livre). É o registro que apresenta as frequências mais graves da voz. Tem naturalmente pouco volume e é de fácil identificação perceptiva, pois durante sua emissão é possível ouvir os pulsos da vibração das pregas vocais, lembrando um som de porta rangendo, ou motor de barco. É usado no canto em estilos específicos como o rock, como ornamento vocal e também em exercícios de técnica vocal. Com relação à fisiologia, o som basal é produzido predominantemente pela contração do músculo tireoaritenóideo (TA) ao promover o encurtamento e a adução das pregas vocais, principalmente na porção membranosa, deixando a mucosa mais solta e flexível.
Registro de peito: Alguns estudiosos da voz também referem-se a este registro como "registro modal", mas este termo pode gerar confusões, por já ter englobado na obra de Harry Hollien, professor emérito da Universidade de Califórnia, toda a gama de frequências da voz falada - o que, nos casos de pessoas com vozes mais agudas, também incluiria o "registro de cabeça".
É popularmente chamado como "voz de peito", pois anteriormente acreditava-se que a ressonância deste padrão vocal ocorria na região torácica. Após os avanços tecnológicos que permitiram maior conhecimento da fisiologia laríngea, como com os exames de imagem laringoscopia e a videoestroboscopia, concluiu-se que tal registro, assim como todos os outros, é um fenômeno estritamente laríngeo, sendo a associação com a região do peito sinestésica e, portanto, subjetiva.
É o registro mais comum na qualidade sonora da voz falada, que se manifesta mais clara e confortavelmente quando se canta uma nota grave ou com volume aumentado, ou ambos. Neste registro, há maior dominância dos músculos tireoaritenóideos (TA), cuja contração forma uma configuração mais espessa das pregas vocais. Tal fenômeno também exige, neste registro, que a emissão vocal seja realizada com maior fluxo de ar, caracterizando um som mais forte. Apesar de se manifestar facilmente na região grave, a voz pode ser treinada, no caso dos cantores, para que alcance notas mais agudas também no registro de peito. É o que ocorre na técnica vocal utilizada por cantores do teatro musical, por exemplo, conhecida como Belting.
Voz mista: Entre os registros de peito e de cabeça, há uma "região de passagem", também chamada de "região de quebra" em que as características sonoras se equilibram e os grupos musculares envolvidos atuam conjuntamente. Quando o cantor consegue cantar nesta região de forma equilibrada sem que haja "quebra" entre os dois registros, ou seja, sem troca brusca de sonoridade, estará passando pelo registro misto, também chamado de "mix". As "voz mista de peito" e "voz mista de cabeça" podem ser diferenciadas, aos ouvidos mais treinados, quando há predominância sonora e dos grupos musculares principais dos registros originais.
Voz de cabeça: também chamada de "registro elevado". Assim como "voz de peito", o termo "voz de cabeça" tem origem no canto lírico e traz uma percepção subjetiva de que a ressonância deste registro ocorreria na região da cabeça. Fisiologicamente, entretanto, o fenômeno da emissão vocal ocorre especificamente na laringe. O que caracteriza acusticamente o som deste registro é a configuração muscular atuante nas pregas vocais.
A voz de cabeça se manifesta mais naturalmente na execução de sons mais agudos e leves, sem a necessidade de muito fluxo de ar. Apesar desta ser a característica padrão, com treino e estudo da técnica vocal, é possível e desejável para cantores habilidosos a execução do canto na voz de cabeça pelas notas mais graves e suportando maior fluxo de ar, alcançando portanto, maior potência vocal e flexibilidade.