Caratinga é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce e pertence ao colar metropolitano do Vale do Aço, estando situado a cerca de 300 km a leste da capital estadual. Ocupa uma área quase 1 260 km², sendo aproximadamente 17 km² em área urbana, e sua população foi estimada em 90 890 habitantes em 2025.
O desbravamento da região da atual cidade teve início no século XVI, em expedições que seguiam pelos rios Doce e Caratinga à procura de metais preciosos. No entanto, o povoamento foi iniciado somente no século XIX, depois que Domingos Fernandes Lana esteve na região à procura da poaia, tendo então relatado a amigos e parentes sobre a fertilidade das terras e a passividade dos indígenas nativos. Posteriormente, João Caetano do Nascimento, amigo de Domingos Lana, organizou uma expedição em busca da localidade e, ao chegar, tomou posse das terras e dedicou-as ao padroeiro São João, oficializando sua instalação em homenagem ao dia do orago em 24 de junho de 1848.
As condições favoráveis à agricultura e a localização geográfica como único centro urbano da margem direita do rio Caratinga mantiveram o incentivo ao crescimento populacional, levando à emancipação em 1890, desmembrando-se de Manhuaçu. Apesar da expansão urbana desordenada, o desenvolvimento foi intensificado com a chegada da Estrada de Ferro Leopoldina e da BR-116 (Rodovia Rio–Bahia) entre as décadas de 1930 e 40. A cultura do café foi impulsionada na década de 50, com a instalação de um escritório do Instituto Brasileiro do Café, tornando o município um polo da cafeicultura. O cultivo do café, ao lado do comércio, configura-se como principal fonte de renda do município, porém a indústria apresentou ascensão a partir da década de 80. Também houve nesse período a expansão de um novo núcleo urbano, paralelo à sede original, devido ao crescimento da malha urbana da Região Metropolitana do Vale do Aço.
Caratinga abriga importantes unidades de conservação ambiental, dentre as quais a RPPN Feliciano Miguel Abdala, que constitui um dos principais remanescentes de Mata Atlântica de Minas Gerais e abriga o muriqui-do-norte, conhecido por ser um dos maiores primatas das Américas. A reserva é um dos atrativos locais e recebe pesquisadores de outros países para estudos e análises. Também se destacam marcos como a Pedra Itaúna, fazendas centenárias, cachoeiras e lagoas na zona rural e o complexo paisagístico da Praça Cesário Alvim, que inclui a Catedral de São João Batista, construída em 1930. Tradições culturais como a festa da Folia de Reis, os festivais artísticos e as festas juninas também se fazem presentes.
Exploração e colonização da região
A área do atual município de Caratinga não reportou uma significativa colonização até meados do século XIX, exceto dos representantes do povo bugre, da tribo dos aimorés. Ocasionalmente os botocudos adentravam o curso do rio Caratinga a partir de sua foz no rio Doce, à procura de alimentos ou forçados pelo tempo. O desbravamento teve início em expedições como a de Spinosa em 1553, rumando o rio São Francisco, e Sebastião Fernandes Tourinho, que teria adentrado o curso do rio Caratinga em 1573.
No início do século XVIII, ainda no período colonial, alguns sertanejos partindo da capitania do Espírito Santo se arriscaram a penetrar o interior atrás principalmente de ouro. Pode-se destacar Pedro Bueno Cacunda, que no ano de 1733, juntamente com companheiros subindo o rio Doce e seus afluentes acima, explorou a região onde fica grande parte do município de Caratinga entre os rios Itapeba (posteriormente denominado rio Cuiethé, e hoje conhecido por rio Caratinga) e rio Mayguassu (rio Manhuaçu), à procura principalmente de ouro em córregos e ribeirões. No final do século XVIII, foi aberta a Estrada do Degredo, que cruzava o atual território municipal, ligando a Estrada Real em Ouro Preto ao presídio de Cuité, atual Conselheiro Pena, como um atalho alternativo ao trajeto do rio Doce.
No século XIX, Domingos Fernandes Lana, natural de Araponga, esteve na região à procura da poaia, uma planta medicinal de considerável valor comercial. Acompanhado de amigos, serviçais, escravos e nativos catequizados, chegou à localidade por volta de 1841, quando percorria o curso do rio Caratinga. Teria sido Domingos Lana que deu a denominação "Caratinga" às formações rochosas que cercam a atual cidade, devido à grande quantidade do cará, tubérculo comestível que também é conhecido como caratinga. É um termo originário do termo tupi aka'ratin'ga, que significa "cará branco". Seguindo o curso do rio Caratinga, a expedição seguiu rumo a Cuité, próximo a Conselheiro Pena.
As terras férteis e a passividade dos indígenas locais foram atrativos para que João Caetano do Nascimento, amigo de Domingos Fernandes Lana, viesse em busca da localidade com seus filhos mais velhos e os companheiros João da Cunha, João José e João Antonio de Oliveira, que também trouxeram familiares e serviçais. Após chegarem à localidade, comemoraram o dia de São João com uma grande fogueira em 23 de junho de 1848, dedicando as terras e a fundação da cidade em homenagem ao padroeiro. João Caetano posteriormente fixou-se na região conhecida atualmente como Serra da Jacutinga e tomou posse das terras na condição de grandes sesmarias. Deu início à derrubada da vegetação e à preparação das terras para cultivo de cereais, frutas e legumes, além da criação de pequenos animais e aves, incentivando parentes e amigos a darem procedimento à exploração e ao povoamento. Ainda em junho de 1848, houve a criação da paróquia, subordinada à comarca de Mariana.
Emancipação e configuração administrativa
O desenvolvimento da localidade ocorreu, inicialmente, de forma irregular. Em 1867, teve início a construção da Igreja São João, que ainda existe e é tombada como patrimônio cultural, tendo como primeiro pároco o Pe. Maximiano João da Cruz. Pela lei provincial nº 2.027, de 1º de dezembro de 1873, o povoamento foi elevado à categoria de distrito subordinado a Manhuaçu, com a denominação de São João do Caratinga. Nessa data houve a criação da paróquia a representar a comunidade.
As terras férteis e o fato de ser o único núcleo urbano da margem direita do rio Caratinga mantiveram o incentivo ao crescimento populacional, atraindo levas de forasteiros que vinham de regiões a sul e desejavam alcançar o rio Doce. Dessa forma estabeleceu-se como importante centro regional, impulsionando a emancipação pelo decreto estadual nº 16, assinado pelo governador José Cesário de Faria Alvim em 6 de fevereiro de 1890, com a denominação de Caratinga. Segundo estatísticas desse ano, havia cerca de 25 mil residentes em uma área de 10 572 km².
Além da sede municipal, Caratinga foi emancipada composta pelos distritos de Bom Jesus do Galho, Cuieté, Entre Folhas, Floresta, Santo Antônio do Manhuaçu e São Francisco Vermelho. A instalação do município ocorreu em 12 de maio de 1890 e confirmada pela lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891. A primeira composição da câmara municipal foi empossada em 7 de março de 1892, tendo como presidente e governante municipal Symphrônio Fernandes. A comarca de Caratinga foi criada pela Lei nº 11, de 13 de novembro de 1891, sancionada por Cesário Alvim, e instalada em 7 de maio de 1892. Chegou a ser suprimida em 1912, mas foi restaurada em 1º de dezembro de 1917.
Ao longo de sua história, houve uma série de transformações na divisão administrativa do município. Em 1911, estava composto pelos então distritos de Bom Jesus do Galho (emancipado em 1943), Cuieté (atual município de Conselheiro Pena, incorporado a Itanhomi em 1923), Entre Folhas (emancipado em 1992), Floresta (atual Alvarenga, incorporado a Itanhomi em 1923), Imbé (atual Imbé de Minas, emancipado em 1995), Inhapim (emancipado em 1938), Resplendor (incorporado a Aimorés em 1915), Santo Antônio do Manhuaçu, São Francisco do Vermelho (atual Vermelho Velho, extinto antes de 1920 e restaurado em 1924 como distrito de Raul Soares), Tarumirim (incorporado a Itanhomi em 1923) e Vermelho Novo (incorporado a Matipó em 1923), além da sede municipal. Com a emancipação de Inhapim, em 1938, também foram desmembrados os distritos de Santo Estevão e Veadinho (criados em 1923).